Narrado por Hero Green A madrugada me engolia devagar. Tentei dormir. Juro que tentei. Deitei ao lado do silêncio, encarei o teto escuro, escutei a respiração constante da casa. Mas a mente... essa filha da p**a não cala. Ficava voltando praquela reunião, praquelas caras sentadas na mesa como se tivessem direito de dizer o que eu faço, como eu amo, quem eu toco. Levantei. O chão frio sob os pés, a madeira rangendo leve sob meu peso, como se a mansão sussurrasse que eu não ia conseguir escapar nem do próprio cansaço. Desci as escadas em silêncio, os degraus escuros iluminados só pela luz da cozinha acesa ao fundo. Foi quando eu vi. Luca estava lá. Sentado numa das banquetas da ilha de mármore, com a camisa aberta, mangas dobradas até os cotovelos, uma garrafa de uísque do bom na mão e

