Narrado por Maísa Green Acordei com um arrepio que não vinha do frio. Era algo mais profundo, um pressentimento pesado, como se meu corpo tentasse me alertar de que algo terrível havia acontecido. Abri os olhos devagar e encontrei apenas escuridão. O teto era de pedra bruta, as paredes grossas, manchadas pela umidade que escorria em filetes lentos. O ar carregava o cheiro de mofo, e o colchão embaixo de mim era fino, áspero, coberto por um tecido que m*l aquecia. Onde eu estava? Pisquei várias vezes, tentando agarrar a última lembrança. O quarto da mansão. O cansaço após o casamento. O almoço, os sorrisos forçados, o vestido branco sufocando minha pele. Só queria descansar. E agora estava em um abrigo que mais parecia saída de guerra. — Senhora Green? A voz me fez virar bruscamente.

