Prólogo

286 Words
Um homem me dizendo o que fazer, ou não fazer, era o tipo de coisa que eu não precisava. O tipo de coisa da qual vinha fugindo há muito tempo. Há seis anos, quando subi em um ônibus, deixando o Kansas, meu padrasto e todas as lembranças ruins que vinham com ele para trás, assumi um compromisso comigo: nunca mais eu deixaria nenhum homem magoar meu coração. Para uma garota do interior como eu, Nova York era a realização de um sonho. Beleza, música, diversão. E barulho. Ah, como eu adorava o barulho! Desde o som das buzinas dos carros até as festas que rolavam até altas horas da madrugada. Aquela era a cidade que nunca dormia. E, para alguém, que sofria de insônia, como eu, aquilo era mesmo um alívio. Eu tinha o meu emprego na Intimate Chic. Comecei lá como vendedora e, agora, era a gerente do departamento de vendas. Considerando que a loja era uma das maiores revendedoras de lingeries de grife na Rodeo Drive, o cargo era razoável. E o salário era suficiente para ajudar nas despesas do apartamento que eu dividia com Amanda e Charlotte, minhas melhores amigas. Tudo estava fluindo como deveria. Os machucados haviam, finalmente, cicatrizado e as dores iam ficando cada vez menores, à medida que a minha decisão se fortalecia. Eu não precisava dos homens. E não os queria. Durante uma parte da minha vida, eles foram o centro do meu mundo. Mas, agora, tudo o que eu queria era gritar um f**a-se bem grande para a população masculina. E, durante um bom tempo, eu gritei mesmo. Até o dia em tudo mudou. O dia em que Russel reapareceu, eu vi minha fortaleza ceder pela primeira vez.
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