Ok... Eu tentava assimilar tudo o que Sabina fantasma e a garota anjo sem asa haviam me contado. Parecia mentira, mas levando em conta que a menina anjo apareceu DO NADA e que a Sabina fantasma atravessou a porta e o próprio corpo, duas vezes, essa história poderia ser algo muito louco da minha cabeça, um sonho, ou a realidade.
- Ok. - Digo me levantando. Evangeline já havia sumido.
- Onde você vai? - Pergunta Sabina.
- Vou me internar... - Respondo. - Aqui tem uma ala psiquiátrica?
- Não... Por favor. - Pediu ela e eu me virei.
- Isso é loucura. É loucura.
- Você tem que me ajudar. Eu já tenho dois motivos e eu preciso de mais ou vou ficar presa aqui por mais anos até descobrir onde errei ou o que falta.
A Sabina parecia mesmo empenhada a ficar e algo me fez querer ajudá-la. Mesmo que parecesse loucura.
- Ok. Eu te ajudo. - Sabina fantasma sorriu. - Você sabe ao menos por onde começar?
- Joalin? - Pergunta Sofya chegando na sala. Sabina se vira. - Estava falando sozinha?
- Ahm... Não... Sim... - Sofya franziu a testa. - Eu estava pensando na próxima coreografia. - Sofya ainda achou estranho, mas não perguntou mais nada.
- Hey, Sabi. - Diz Sofya se aproximando da amiga e se sentando na maca. - Hoje a faculdade foi terrível, tenho um trabalho sobre a origem do Raggaeton e vou dançar Raggaeton Lento...
- É a minha música favorita. - Diz Sabina pulando e batendo palmas ao meu lado.
- É a música favorita dela? - Pergunto e Sofya me olha e assentiu. Em seguida olhou para a amiga sorrindo.
- Imagino ela pulando e batendo palminhas. - Olhei de relance para Sabina que fazia exatamente isso.
- Eu já vou indo... Você vai ficar bem? - Pergunto e Sofya assentiu sem me olhar. Saí do hospital com o fantasma da Sabina na minha cola. Quando entro em meu carro, ela entra também, sem abrir a porta. - Como? ... - Não precisei terminar a pergunta.
- Ah, eu posso atravessar os objetos sólidos só quando eu quiser. - Explica e assenti e ri.
- Eu estou louca. - Digo. - Isso é impossível.
- Ok. Olha... - Sabina se vira para mim. - Opção A. Você me ajuda a encontrar os motivos e quando eu acordar não me lembrarei de nada e nós viveremos em paz nossas vidas. Opção B, eu posso passar os anos que procuro o motivo fazendo coisas desse tipo. - Ela me deu um t**a. UM FANTASMA ME BATEU. Bateu na minha cara. E BATEU FORTE. E DOEU.
- Você me bateu? - Questiono o óbvio.
- Pense pelo nado positivo. Estamos em um estacionamento vazio, você está dentro do seu carro e ninguém está vendo você gritar para o além, imagina isso em, sei lá... Um shopping? Você não seria a única a achar que está louca. - Me dei por vencida. Afinal o que eu perderia ajudando um fantasma?
Minha sanidade. Foi isso o que eu perdi. Confesso que seria bacana conhecer a Sabina em vida, mas conhecer a Sabina do plano espiritual estava me deixando maluca. Ela conversava comigo nas horas inapropriadas, fazia palhaçadas quando eu estava com meu irmão e me irritava até eu aceitar sair em busca de suas razões e o primeiro destino foi a faculdade.
- O que tem aqui? - Pergunto sussurrando.
- Por que tá sussurrando? - Ela pergunta.
- Acho que é por que eu sou a única que vejo você.
- Esqueci disso... Enfim... Eu namorava com um garoto daqui e gostaria de ver o que ele anda fazendo. - Diz ela. - Ok não era um namoro, mas a gente saía as vezes. - Coloco as mãos no bolso e finjo observar a movimentação.
- Joalin... - Era a voz da Hina. - O que está fazendo aqui? - Pergunta ela e eu pensei rápido. Muito rápido.
- Vim ver se há algum novo aluno para a academia. - Ela franziu a testa.
- Mas não seria o Josh que faria isso?
- Ahm... Sim, mas ele está ocupado. - Minha mentira não durou muito, pois logo Josh apareceu ao meu lado.
- Oi Hina, oi Jo, o que faz aqui? - Fechei os olhos praguejando. Mas que m***a em? Porém fui salva pelo gongo quando Bailey apareceu.
- Bailey. Oi. - Eu disse sorrindo e indo até ele. Sabina me seguiu e por incrível que pareça, ela estava calada. Deixei meu irmão e minha amiga para trás e fui até o hetero.
- Hey, jojo, o que aconteceu? - Perguntou ele sugestivo, pela visão periférica pude ver Sabina parada ao nosso lado encarando de mim para Bailey.
- Eu estava pensando... Por que não vamos almoçar juntos? Vai demorar muito para sair daqui? - Ele sorri e passa a língua nos lábios.
- LBeau quer sair comigo. - Dei de ombros, eu não queria. Sabina ainda estava calada, apenas observando.
- Por que a surpresa? - Eu pergunto como se não fosse óbvio os 400 foras que eu dou nele durante o dia.
- Nada... - Ele dá de ombros. - Só achei estranho, você querer sair comigo assim depois de tantos foras.
- É... Mas eu pensei melhor, não tem por que não te dar uma chance agora. O que eu tenho a perder? - Além do meu tempo? Pergunto mentalmente. E Sabina ainda ao nosso lado e ainda calada.
- Hum... Ok... Eu só preciso falar algo à professora. Te encontro no estacionamento em 5 minutos. - Ele saiu sorrindo e eu sorri também, Sabina parou em minha frente e o encarou sair em seguida me encarou.
- O quê? - Pergunto.
- Esse era o cara com quem eu estava ficando. - Tentei ao máximo não parecer esquisita com a cara que fiz. Ótimo acabei de aceitar sair com o ex-ficante de uma fantasma a qual estou tentando ajudar.
- O Bailey? - Perguntei baixinho de novo e ela assentiu devagar.
- Desculpa...
- Jo... - Shivani se aproximou. - Estava falando sozinha? – Eu precisava parar de falar alto com a Sabina em lugares públicos.
- Não... Estava pensando alto. Aceitei sair com o Bailey, mas estou desistindo. - Shivani ri.
- Mas por quê? Depois de tanto tempo? - Ela pergunta. Suspirei.
- Acho que não tinha nada melhor para fazer... - Ela riu novamente. - Sabe se ele estava saindo com mais alguém? - Pergunto. Ela negou.
- Ele não me disse nada. - Respondeu. Bailey se aproximou.
- Vamos, Lin? - Odeio esse apelido. E o Jojo também.
- Vamos, May. Até depois, Shivs. - Shivani assentiu ainda achando estranho aquela situação.
Deus do céu onde eu havia me metido?
Nota para mim mesma: Nunca mais ajudar nenhuma alma do além. Bailey era um ótimo amigo, mas ter um encontro com ele sozinha era uma bela m***a. Ele só sabia falar de esporte e academia.
- Bailey... Você conhecia a Sabina? - Ele ficou tenso na minha frente. Sabina estava parada atrás de mim e provavelmente esperava a reação dele também.
- Por que você quer saber? - Ele pergunta ainda tenso.
- Nada... - Dou de ombros. - É que eu falei com a Sofya e ela me contou coisas sobre a Sabina e você está na faculdade também. Achei que podia conhecer ela. Vocês eram da mesma classe. - Bailey franziu a testa. - Eu suponho.
- Éramos e eu fiquei com ela algumas vezes... Ela era linda, tinha uma pegada maravilhosa, mas não rolou. - Assenti. Olhei para trás e Sabina não estava mais ali.
- Preciso ir. - Disse me levantando.
- Ei, espera, a gente nem pediu. - Mas eu não dei mais atenção. Segui para o primeiro lugar que achei que a Sabina estaria. O hospital. E ela estava mesmo lá.
- Porquê me deixou sozinha lá? = Pergunto entrando, ela estava sentada na janela.
- Me senti i****a por achar que o Bailey poderia ser uma razão para ficar. - Suspirei.
- Ainda bem que não foi. Seu motivo para ficar não podia ser um heterotop. - Ela riu. - Olha, o May é legal como amigo... Como namorado? Pra mim pelo menos, não.
- Pelo menos ele disse que eu tenho uma pegada maravilhosa. - Diz bem-humorada. E eu daria tudo para provar da sua pegada. Falei mentalmente. Ou foi o que eu achei, já que Sabina me encarou sorrindo sugestiva.
- Ah é? - Certamente fiquei vermelha. - Evangeline.
- Olá. - Disse ela aparecendo ao meu lado. E ME ASSUSTANDO OUTRA VEZ.
- Eu posso te pedir ajuda com um motivo, certo? - Ela assentiu. - Acho que irei pedir.
- Você tem certeza? Só poderá fazer isso uma vez. - Sabina assentiu confiante. - Então peça.
- Eu preciso de um motivo. - Falei.
- Sua casa. - Nós duas franzimos a testa.
- O quê? - Perguntamos juntas.
- Sua casa... A irmandade... Um dos motivos está lá. - Diz ela olhando para mim. Olhei para a Sabina.
- É só isso? - Perguntou. Evangeline deu de ombros.
- A vida não é fácil, por que o pós vida vai ser? - E dizendo isso ela sumiu.
- Okay... Vamos até a minha casa.
Chegando na irmandade não havia ninguém, Sabina me falou que durante a tarde, realmente não haveria ninguém, pois todos estariam ocupados com seus compromissos e alguém estaria com ela no hospital. Ela me disse sobre a chave reserva em baixo de uma planta e eu a peguei e entrei na casa. A irmandade era aconchegante, do lado direito havia a sala, a TV grudada na parede, uma mesa de centro com alguns enfeites e um sofá. Do lado esquerdo, havia um balcão que separava a cozinha. De frente para porta a escada para o andar de cima e ao lado da sala, uma pequena sala de estar.
- A gente costumava sentar ali todos os sábados comendo besteiras. - Sabina diz triste. Nos aproximamos da sala de estar e observamos algumas fotos que estavam no porta-retratos.
A primeira era uma foto da Sofya e da Sabina. Abraçadas. Peguei o porta-retratos.
- Essa foto foi tirada em um trabalho... - Ela explicou. - A faculdade juntou todos os intercambistas para apresentarem algo referente ao seu curso e seu país. Sofya apresentou balé, que não nasceu no país dela, mas é bem famoso por lá. E eu apresentei o Raggaeton.
- Por quê Sofya não está com roupa de bailarina?
- Isso foi durante a apresentação inicial. Ela ainda não havia se trocado.
Olhei as outras fotos. Any e Sabina, Any e Hina, Sina e Diarra, várias fotos delas.
Subimos e fomos até o quarto dela. Ela dividia com a Hina.
- Groot... - Diz ela se aproximando da planta próxima a janela. - Mamãe tá com saudades... - Ela se vira para mim. - Olha que planta linda. - Diz ela e eu me aproximo. - Nenhuma de nós sabemos o nome.
- Trachyandra tortilis. - Respondi. - Acha que sua planta pode ser um motivo? - Ela negou.
- Não... É um motivo forte. Até agora só tenho dois. Não posso morrer quando sofri um acidente no dia do aniversário da Sofya, ela acha que a culpa é dela. E não posso decepcionar a Evangeline. - Sabina suspira. - Ela está torcendo por mim.
- A Sofya... - Ela me encara. - Você disse que ela acha que a culpa dela. - Sabina então franziu a testa e em seguida sorri.
- Motivo 3: Não posso morrer quando a Sofya acha que o que aconteceu é culpa dela. - Sorri.
- Quantos motivos você precisa? - Pergunto.
- Evangeline disse que eu saberei quando estiver com todos. - Assenti. - Ok, vamos procurar mais por aqui.
Olhamos todo o lugar, Sabina brincou perguntando se suas roupas poderiam ser um motivo. Abri uma gaveta e vi uma foto, a foto de uma família. Sabina estava dela.
- Sua família? - Pergunto. Sabina se aproximou de mim, triste.
- Sim... Eles não me apoiaram quando eu disse que gostaria de sair do país. Quando eu finalmente consegui tudo para poder vir e seguir meu sonho... Eles nem ao menos me levaram ao aeroporto. - Ela suspirou triste. – Eles não querem saber de mim e da vontade deles os aparelhos já poderiam ter sido desligados há muito tempo. - Ela se afasta.
- Eles podem assinar para desligarem?
- Eles atenderam ao telefone. - Franzi a testa. - Heyoon mentiu, ela conseguiu falar com eles... Com o meu pai. - Ela se vira. - Ele disse que não se importava, que se eu estivesse no México, nada disso teria acontecido... - Ela riu triste. - Disse que não se importa. - Meus olhos se encheram de lágrimas. - Por isso que se eu for deportada, os aparelhos serão desligados. - Suspirei e encarei a foto. Em seguida, encaro Sabina.
- Sabina... - E como se nossos pensamentos estivessem conectados, ela entendeu o que eu iria dizer.
- Motivo 4: Não posso partir sem me entender com minha família.