Chapter 5 - Joalin

2211 Words
Ok... Eu tentava assimilar tudo o que Sabina fantasma e a garota anjo sem asa haviam me contado. Parecia mentira, mas levando em conta que a menina anjo apareceu DO NADA e que a Sabina fantasma atravessou a porta e o próprio corpo, duas vezes, essa história poderia ser algo muito louco da minha cabeça, um sonho, ou a realidade. - Ok. - Digo me levantando. Evangeline já havia sumido. - Onde você vai? - Pergunta Sabina. - Vou me internar... - Respondo. - Aqui tem uma ala psiquiátrica? - Não... Por favor. - Pediu ela e eu me virei. - Isso é loucura. É loucura. - Você tem que me ajudar. Eu já tenho dois motivos e eu preciso de mais ou vou ficar presa aqui por mais anos até descobrir onde errei ou o que falta. A Sabina parecia mesmo empenhada a ficar e algo me fez querer ajudá-la. Mesmo que parecesse loucura. - Ok. Eu te ajudo. - Sabina fantasma sorriu. - Você sabe ao menos por onde começar? - Joalin? - Pergunta Sofya chegando na sala. Sabina se vira. - Estava falando sozinha? - Ahm... Não... Sim... - Sofya franziu a testa. - Eu estava pensando na próxima coreografia. - Sofya ainda achou estranho, mas não perguntou mais nada. - Hey, Sabi. - Diz Sofya se aproximando da amiga e se sentando na maca. - Hoje a faculdade foi terrível, tenho um trabalho sobre a origem do Raggaeton e vou dançar Raggaeton Lento... - É a minha música favorita. - Diz Sabina pulando e batendo palmas ao meu lado. - É a música favorita dela? - Pergunto e Sofya me olha e assentiu. Em seguida olhou para a amiga sorrindo. - Imagino ela pulando e batendo palminhas. - Olhei de relance para Sabina que fazia exatamente isso. - Eu já vou indo... Você vai ficar bem? - Pergunto e Sofya assentiu sem me olhar. Saí do hospital com o fantasma da Sabina na minha cola. Quando entro em meu carro, ela entra também, sem abrir a porta. - Como? ... - Não precisei terminar a pergunta. - Ah, eu posso atravessar os objetos sólidos só quando eu quiser. - Explica e assenti e ri. - Eu estou louca. - Digo. - Isso é impossível. - Ok. Olha... - Sabina se vira para mim. - Opção A. Você me ajuda a encontrar os motivos e quando eu acordar não me lembrarei de nada e nós viveremos em paz nossas vidas. Opção B, eu posso passar os anos que procuro o motivo fazendo coisas desse tipo. - Ela me deu um t**a. UM FANTASMA ME BATEU. Bateu na minha cara. E BATEU FORTE. E DOEU. - Você me bateu? - Questiono o óbvio. - Pense pelo nado positivo. Estamos em um estacionamento vazio, você está dentro do seu carro e ninguém está vendo você gritar para o além, imagina isso em, sei lá... Um shopping? Você não seria a única a achar que está louca. - Me dei por vencida. Afinal o que eu perderia ajudando um fantasma? Minha sanidade. Foi isso o que eu perdi. Confesso que seria bacana conhecer a Sabina em vida, mas conhecer a Sabina do plano espiritual estava me deixando maluca. Ela conversava comigo nas horas inapropriadas, fazia palhaçadas quando eu estava com meu irmão e me irritava até eu aceitar sair em busca de suas razões e o primeiro destino foi a faculdade. - O que tem aqui? - Pergunto sussurrando. - Por que tá sussurrando? - Ela pergunta. - Acho que é por que eu sou a única que vejo você. - Esqueci disso... Enfim... Eu namorava com um garoto daqui e gostaria de ver o que ele anda fazendo. - Diz ela. - Ok não era um namoro, mas a gente saía as vezes. - Coloco as mãos no bolso e finjo observar a movimentação. - Joalin... - Era a voz da Hina. - O que está fazendo aqui? - Pergunta ela e eu pensei rápido. Muito rápido. - Vim ver se há algum novo aluno para a academia. - Ela franziu a testa. - Mas não seria o Josh que faria isso? - Ahm... Sim, mas ele está ocupado. - Minha mentira não durou muito, pois logo Josh apareceu ao meu lado. - Oi Hina, oi Jo, o que faz aqui? - Fechei os olhos praguejando. Mas que m***a em? Porém fui salva pelo gongo quando Bailey apareceu. - Bailey. Oi. - Eu disse sorrindo e indo até ele. Sabina me seguiu e por incrível que pareça, ela estava calada. Deixei meu irmão e minha amiga para trás e fui até o hetero. - Hey, jojo, o que aconteceu? - Perguntou ele sugestivo, pela visão periférica pude ver Sabina parada ao nosso lado encarando de mim para Bailey. - Eu estava pensando... Por que não vamos almoçar juntos? Vai demorar muito para sair daqui? - Ele sorri e passa a língua nos lábios. - LBeau quer sair comigo. - Dei de ombros, eu não queria. Sabina ainda estava calada, apenas observando. - Por que a surpresa? - Eu pergunto como se não fosse óbvio os 400 foras que eu dou nele durante o dia. - Nada... - Ele dá de ombros. - Só achei estranho, você querer sair comigo assim depois de tantos foras. - É... Mas eu pensei melhor, não tem por que não te dar uma chance agora. O que eu tenho a perder? - Além do meu tempo? Pergunto mentalmente. E Sabina ainda ao nosso lado e ainda calada. - Hum... Ok... Eu só preciso falar algo à professora. Te encontro no estacionamento em 5 minutos. - Ele saiu sorrindo e eu sorri também, Sabina parou em minha frente e o encarou sair em seguida me encarou. - O quê? - Pergunto. - Esse era o cara com quem eu estava ficando. - Tentei ao máximo não parecer esquisita com a cara que fiz. Ótimo acabei de aceitar sair com o ex-ficante de uma fantasma a qual estou tentando ajudar. - O Bailey? - Perguntei baixinho de novo e ela assentiu devagar. - Desculpa... - Jo... - Shivani se aproximou. - Estava falando sozinha? – Eu precisava parar de falar alto com a Sabina em lugares públicos. - Não... Estava pensando alto. Aceitei sair com o Bailey, mas estou desistindo. - Shivani ri. - Mas por quê? Depois de tanto tempo? - Ela pergunta. Suspirei. - Acho que não tinha nada melhor para fazer... - Ela riu novamente. - Sabe se ele estava saindo com mais alguém? - Pergunto. Ela negou. - Ele não me disse nada. - Respondeu. Bailey se aproximou. - Vamos, Lin? - Odeio esse apelido. E o Jojo também. - Vamos, May. Até depois, Shivs. - Shivani assentiu ainda achando estranho aquela situação. Deus do céu onde eu havia me metido? Nota para mim mesma: Nunca mais ajudar nenhuma alma do além. Bailey era um ótimo amigo, mas ter um encontro com ele sozinha era uma bela m***a. Ele só sabia falar de esporte e academia. - Bailey... Você conhecia a Sabina? - Ele ficou tenso na minha frente. Sabina estava parada atrás de mim e provavelmente esperava a reação dele também. - Por que você quer saber? - Ele pergunta ainda tenso. - Nada... - Dou de ombros. - É que eu falei com a Sofya e ela me contou coisas sobre a Sabina e você está na faculdade também. Achei que podia conhecer ela. Vocês eram da mesma classe. - Bailey franziu a testa. - Eu suponho. - Éramos e eu fiquei com ela algumas vezes... Ela era linda, tinha uma pegada maravilhosa, mas não rolou. - Assenti. Olhei para trás e Sabina não estava mais ali. - Preciso ir. - Disse me levantando. - Ei, espera, a gente nem pediu. - Mas eu não dei mais atenção. Segui para o primeiro lugar que achei que a Sabina estaria. O hospital. E ela estava mesmo lá. - Porquê me deixou sozinha lá? = Pergunto entrando, ela estava sentada na janela. - Me senti i****a por achar que o Bailey poderia ser uma razão para ficar. - Suspirei. - Ainda bem que não foi. Seu motivo para ficar não podia ser um heterotop. - Ela riu. - Olha, o May é legal como amigo... Como namorado? Pra mim pelo menos, não. - Pelo menos ele disse que eu tenho uma pegada maravilhosa. - Diz bem-humorada. E eu daria tudo para provar da sua pegada. Falei mentalmente. Ou foi o que eu achei, já que Sabina me encarou sorrindo sugestiva. - Ah é? - Certamente fiquei vermelha. - Evangeline. - Olá. - Disse ela aparecendo ao meu lado. E ME ASSUSTANDO OUTRA VEZ. - Eu posso te pedir ajuda com um motivo, certo? -  Ela assentiu. - Acho que irei pedir. - Você tem certeza? Só poderá fazer isso uma vez. - Sabina assentiu confiante. - Então peça. - Eu preciso de um motivo. - Falei. - Sua casa. - Nós duas franzimos a testa. - O quê? - Perguntamos juntas. - Sua casa... A irmandade... Um dos motivos está lá. - Diz ela olhando para mim. Olhei para a Sabina. - É só isso? - Perguntou. Evangeline deu de ombros. - A vida não é fácil, por que o pós vida vai ser? - E dizendo isso ela sumiu. - Okay... Vamos até a minha casa. Chegando na irmandade não havia ninguém, Sabina me falou que durante a tarde, realmente não haveria ninguém, pois todos estariam ocupados com seus compromissos e alguém estaria com ela no hospital. Ela me disse sobre a chave reserva em baixo de uma planta e eu a peguei e entrei na casa. A irmandade era aconchegante, do lado direito havia a sala, a TV grudada na parede, uma mesa de centro com alguns enfeites e um sofá. Do lado esquerdo, havia um balcão que separava a cozinha. De frente para porta a escada para o andar de cima e ao lado da sala, uma pequena sala de estar. - A gente costumava sentar ali todos os sábados comendo besteiras. - Sabina diz triste. Nos aproximamos da sala de estar e observamos algumas fotos que estavam no porta-retratos. A primeira era uma foto da Sofya e da Sabina. Abraçadas. Peguei o porta-retratos. - Essa foto foi tirada em um trabalho... - Ela explicou. - A faculdade juntou todos os intercambistas para apresentarem algo referente ao seu curso e seu país. Sofya apresentou balé, que não nasceu no país dela, mas é bem famoso por lá. E eu apresentei o Raggaeton. - Por quê Sofya não está com roupa de bailarina? - Isso foi durante a apresentação inicial. Ela ainda não havia se trocado. Olhei as outras fotos. Any e Sabina, Any e Hina, Sina e Diarra, várias fotos delas. Subimos e fomos até o quarto dela. Ela dividia com a Hina. - Groot... - Diz ela se aproximando da planta próxima a janela. - Mamãe tá com saudades... - Ela se vira para mim. - Olha que planta linda. - Diz ela e eu me aproximo. - Nenhuma de nós sabemos o nome. - Trachyandra tortilis. - Respondi. - Acha que sua planta pode ser um motivo? - Ela negou. - Não... É um motivo forte. Até agora só tenho dois. Não posso morrer quando sofri um acidente no dia do aniversário da Sofya, ela acha que a culpa é dela. E não posso decepcionar a Evangeline. - Sabina suspira. - Ela está torcendo por mim. - A Sofya... - Ela me encara. - Você disse que ela acha que a culpa dela. - Sabina então franziu a testa e em seguida sorri. - Motivo 3: Não posso morrer quando a Sofya acha que o que aconteceu é culpa dela. - Sorri. - Quantos motivos você precisa? - Pergunto. - Evangeline disse que eu saberei quando estiver com todos. - Assenti. - Ok, vamos procurar mais por aqui. Olhamos todo o lugar, Sabina brincou perguntando se suas roupas poderiam ser um motivo. Abri uma gaveta e vi uma foto, a foto de uma família. Sabina estava dela. - Sua família? - Pergunto. Sabina se aproximou de mim, triste. - Sim... Eles não me apoiaram quando eu disse que gostaria de sair do país. Quando eu finalmente consegui tudo para poder vir e seguir meu sonho... Eles nem ao menos me levaram ao aeroporto. - Ela suspirou triste. – Eles não querem saber de mim e da vontade deles os aparelhos já poderiam ter sido desligados há muito tempo. - Ela se afasta. - Eles podem assinar para desligarem? - Eles atenderam ao telefone. - Franzi a testa. - Heyoon mentiu, ela conseguiu falar com eles... Com o meu pai. -  Ela se vira. - Ele disse que não se importava, que se eu estivesse no México, nada disso teria acontecido... - Ela riu triste. - Disse que não se importa. - Meus olhos se encheram de lágrimas. - Por isso que se eu for deportada, os aparelhos serão desligados. - Suspirei e encarei a foto. Em seguida, encaro Sabina. - Sabina... - E como se nossos pensamentos estivessem conectados, ela entendeu o que eu iria dizer. - Motivo 4: Não posso partir sem me entender com minha família.
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