Chapter 7 - Diarra

1488 Words
Uma das coisas mais difíceis desde que Sabina entrou em coma era se manter firme. Eu chorava, mas chorava sozinha, não queria que as garotas vissem. Nós tratamos Sofya e Hina como crianças frágeis, o que até certo ponto, elas ainda eram. Na irmandade tinha a mãe de todos: Heyoon. Ela quem lembrava a gente do almoço, do dinheiro reserva, de estudar para a prova, de tomar remédio, se encarregava das compras, comprar absorvente e reclamar quando alguém não lavava a louça. Sina poderia ser o pai, ela se preocupava com a gente, dava carinho e atenção, lembrava de toda a nossa rotina, tinha anotado em uma agenda todos os eventos relacionados à nós e mantinha todos os horários sob controle. Eu poderia ser a tia que estava de visita ou a irmã mais velha intelectual, eu não era surtada, tinha a minha cabeça no lugar, mas me esquecia rápido das coisas e por isso não era a responsável por todos e graças à Deus por isso. Eu também era a pessoa a quem todos procuravam para pedirem conselhos sobre algo. Como a Sofya que veio até mim para falar a respeito de sua sexualidade. Sabina ficou brava por ela não ter sido a primeira, mas em defesa da nossa caçula, ela ficou com medo da reação de Sabina, porém culpada quando descobriu que a Sabina era bi... Quero dizer... É... Sabina ainda está viva. Hina e Sofya eram as crianças e ainda agiam como tal. Eram fofas e de certa forma frágeis. Apesar de Sofya demonstrar mais, eu sabia que a Hina também sofria a falta da Sabina. Elas também eram as mais novas, as mais fofas, mais esquecidas e mais imaturas. Por isso brincávamos que elas eram nossas crianças. Sabina e Any as adolescentes, imaturas, mas cuidavam da situação se fosse necessário. Any e Sabina tinham uma energia diferente, Any brincava falando sobre ser a energia latina. - Eu acho que já está bom... - Eu disse enquanto estávamos nós duas em frente ao forno. - Será? - Ela pergunta. - Google não é lá muito confiável, uma vez estava sentindo algumas dores e joguei meus sintomas no google. Eu estava com câncer e grávida. - Ri. - Vamos deixar mais alguns minutos então. - Fui até o balcão e tomei um impulso para me sentar no mesmo. - Então... Você e aquele cara... O Bailey. - Sabina ficou vermelha e sorriu. - Ainda não é nada sério, mas acho que pode rolar algo no futuro. - Ele sabe que você é bi? - Ela negou. - Como que eu contaria isso? Tipo: Ei a gente está ficando, então vou te falar logo, sou bi. - Ri. - Como eu disse, não é nada sério, então não tem motivo para contar. - Chegamos... - Diz Sofya chegando com Hina e Heyoon. - Que cheiro é esse? - Pergunta Heyoon colocando a mochila ao lado de Diarra. - OS BISCOITOS. - Gritei. Sabina se virou para o forno e o abriu, em seguida enfiou a mão no forno e gritou. - DESLIGA O FORNO, SABINA. - Gritou Heyoon correndo até ela desligando o forno. Eu peguei um pano de prato tentando expulsar a fumaça e Sofya chegou com o extintor de incêndio. - Nada está pegando fogo, Sof. - Diz Hina antes que ela ative a ferramenta. - O que que aconteceu aqui? - Pergunta Sina chegando com a Any. - E que cheiro de queimado é esse. - Sabina retirou a bandeja do forno -dessa vez com uma luva de cozinha- e fez um biquinho. - Meus biscoitos. - Resmungou. Olhei para Heyoon e não me segurei, todas nós começamos a rir. . . . Desliguei meu carro próximo ao hospital e saí de lá carregando uma sacola. Fast-foods não são saudáveis e podem entupir sua artéria, mas eu não consigo ficar sem comer. - Fast foods são tão gordurosos... Ainda acho que tudo é um plano do governo para m***r a população aos poucos... - Digo colocando a sacola de fast-foods em uma das mesas dali. - Você deveria estar acordada para me dizer que prefere salada ou tacos, Sabina. - Digo me virando e me sentando ao lado dela. - Hoje a manhã tá normal, Sofya saiu animada, parece que ela tem um encontro com uma garota que ela gosta... Ela ficou triste por você não estar lá para ajudar ela com as roupas, mas... - Suspirei. - Estamos progredindo. - A encaro. Nenhum movimento. Segurei sua mão. - Mas que m***a em, Sabina? Levanta daí. Deixa de ser preguiçosa. - Digo, não mais com lágrimas como das outras vezes. - Quando você acordar eu vou te abraçar de felicidade e depois de socar com todas as forças que tenho até você entrar em coma de novo, depois vou te acordar e te socar ainda mais, por você nos fazer ficar assim. - Senti um aperto leve em minha mão. - Sabina? Sabina você está me ouvindo? - Outro aperto. Corri chamando um médico para comunicar o que havia acontecido. O médico a examinou e conversou com ela, um aperto para sim, dois para não. Sabina estava progredindo. Sorri feliz. . . . - Heyoon... - Chamei entrando em casa após voltar da faculdade. Heyoon e Sina estavam na sala vendo tv e comendo pipoca. - Vocês não sabem o que aconteceu hoje no hospital. - As duas se sentaram eretas mostrando atenção ao que eu falava. - A Sabina apertou minha mão. - Não brinca! - Diz Sina animada. Assenti sorrindo. - É verdade. Por reflexo, ela está reagindo e está lutando para voltar. - Sina riu com os olhos cheios de lágrimas e me abraçou. Heyoon ficou parada olhando para o além por alguns segundos. - Só por favor, não vamos falar nada para Sofya ou Hina, não quero que elas fiquem com mais esperanças do que já estão. - Eu e Sina a encaramos. - Mas Heyoon... - Começa a Alemã. - Ela está progredindo... As meninas... - As meninas ficarão com mais expectativas para quando ela acordar... Mas e se ela não acordar? - Vira essa boca para lá, Heyoon... - Digo. - Sabina vai sair dessa. - Mas e se não? - Ela rebateu. Ficamos em silêncio, realmente havia essa possibilidade. - O quê? - Ouvimos a voz de Sofya, vestida com um pijama e um roupão por cima. - Como assim se a Sabina não acordar? Você não acredita que ela irá acordar, Heyoon? - Heyoon não soube o que responder, ela realmente não tinha. - Mas ela vai. Vai chegar um dia que iremos receber uma ligação e vai ser do hospital, falando que ela acordou e que está bem e que logo vai voltar para casa com a gente. - Os olhos de Sofya estavam cheios de lágrimas. - Ela vai acordar, eu sei que vai... - Sofya subiu as escadas correndo e Heyoon se levantou. - Deixa que eu vou. - Falei e fui atrás da Sofya. Entrei no quarto e ela estava sentada em sua cama com um porta-retratos de uma foto dela e de Sabina. - Me deixa em paz. - Ela falou. - Não. - Falei entrando e me sentando ao lado dela. - Cadê a Any? - Perguntei. - Saiu com o professor Josh. - Ela respondeu fungando. - Ela vai acordar, Diarra. Eu sei que vai. - Acariciei seus cabelos. - Sofya. Você sabe que existe a possibilidade sim da Sabi não sair dessa... Ela está progredindo, mas... - Eu não quero ouvir... - Disse colocando o porta-retratos na cama e tapando os ouvidos. - Ela vai acordar. - Suspirei e saí do quarto, voltando à sala. - Como foi? - Pergunta Sina quando dou a volta para me sentar ao lado dela no sofá. Ela e Heyoon me encarando esperançosas. Suspirei. - É melhor nós buscarmos ajuda psicológica... Sofya não está bem. - As duas se encaram. - E agora nós temos que nos preocupar ainda mais com as consequências caso a Sabina não acorde. Cheguei ao hospital e encontrei Joalin, ela era irmã do Josh, não a conhecia muito bem, mas fazia muito tempo que ela aparecia no hospital durante o tempo que a Sabina estava sozinha. - O que você está fazendo aqui? - Pergunto tentando não soar grossa, mas era estranho o fato dela sempre aparecer por ali. - Ahm... Eu vim vê-la. Eu fiquei muito amiga da Sofya, ela se sente m*l quando a Sabina está só, então... - Ela dá de ombros. - Agora que você chegou, eu vou indo. - Ela saiu quase fugida e eu franzi a testa, mas ignorei. Segui até a Sabina e segurei sua mão. - Você sente a nossa falta? - Perguntei. Um aperto. - Nós sentimos a sua também. - Acariciei as costas de sua mão. - Por favor, volta pra gente... Pelo bem da Sofya. Volta.  
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