Algumas semanas se passaram…
E, aos poucos, tudo começou a se encaixar de novo.
Carla já tinha recebido alta, assim como Roberto — embora ainda precisassem de cuidados e descanso. Por decisão dos dois (e com a aprovação dos médicos), Carla ficou na casa de Roberto durante a recuperação.
Era mais fácil.
E, no fundo… os dois queriam isso.
A casa, que antes era silenciosa, agora tinha outro clima.
Mais leve.
Mais vivo.
Carla estava sentada no sofá, com uma manta sobre as pernas, enquanto Roberto vinha da cozinha com dois copos de suco.
— Doutora mandou beber bastante líquido — ele disse, entregando pra ela.
— Olha só… responsável agora — Carla brincou.
Ele riu.
— Depois de quase morrer… acho que aprendi alguma coisa.
Ela ficou em silêncio por um segundo… e depois sorriu.
— Ainda bem.
A campainha tocou.
— Deve ser o pessoal — Roberto disse.
Quando abriu a porta…
— OLHA OS SOBREVIVENTES! — gritou Lucas, já entrando animado.
Leandro veio logo atrás, rindo.
— Rapaz, vocês deram um susto na gente!
Rafael entrou depois, com um sorriso mais tranquilo, mas sincero.
— Bom ver vocês assim.
Rebeca veio logo em seguida, indo direto abraçar Carla.
— Você tá linda… — disse, emocionada.
— Até parece — Carla respondeu, rindo.
Logo o clima virou festa.
Lucas e Leandro já estavam no comando da churrasqueira.
— Rafael, vira essa carne aí direito! — Lucas gritou.
— Eu sei o que tô fazendo — Rafael respondeu, rindo.
— Confio não! — Leandro provocou.
Na cozinha, Rebeca organizava os acompanhamentos.
Carla tentou ajudar, mas foi interrompida.
— Nem vem — Rebeca disse. — Você é visita hoje.
— Visita nada, eu moro aqui agora — Carla respondeu, brincando.
Na área externa, o cheiro de churrasco tomava conta.
As risadas eram constantes.
As histórias também.
— E você, Roberto… — Lucas começou. — nunca mais dirige daquele jeito, né?
O clima ficou em silêncio por um segundo.
Mas Roberto respondeu com sinceridade:
— Nunca mais.
Carla olhou pra ele… com orgulho.
Pouco depois, todos estavam sentados, comendo, conversando, rindo.
— A gente precisava disso… — Rebeca comentou.
Rafael assentiu.
— Depois de tudo… sim.
Em um momento mais tranquilo, Carla apoiou a cabeça no ombro de Roberto.
— Obrigada por estar aqui… — ela disse, baixo.
Ele segurou a mão dela.
— Sempre.
Do outro lado, Rafael e Rebeca trocavam olhares discretos.
Mais maduros.
Mais certos.
E ali…
entre risadas, comida, amizade e recomeços…
eles celebravam mais do que um simples encontro.
Celebravam a vida.
A segunda chance.
E o fato de que, apesar de tudo…
eles ainda estavam juntos.
A tarde seguia leve, cheia de risadas, música e o cheiro do churrasco no ar.
Todos estavam distraídos, conversando e aproveitando aquele momento raro de paz… quando a campainha tocou.
— Quem será agora? — Leandro disse, curioso.
Roberto se levantou com calma e foi até a porta.
Quando abriu…
— Oi — disse Jéssica, com um sorriso.
— Olha quem apareceu! — Roberto falou, surpreso.
Antes mesmo que ele chamasse alguém, Rebeca apareceu atrás.
— Jéssica! — disse, animada. — Entra!
Ela nem pensou duas vezes… já puxou ela pra dentro.
— Eu devia ter avisado… — Jéssica comentou, meio sem jeito.
— Que nada! Aqui é tudo improvisado — Rebeca respondeu, rindo.
Quando Rafael viu a irmã entrando…
arqueou a sobrancelha.
— Você aqui?
— Ué, vim ver se você ainda tá vivo — ela provocou.
Todos riram.
Mas, no fundo, Rafael ficou meio atento.
Principalmente quando viu a forma como os olhares começaram a surgir.
Não demorou muito…
Lucas percebeu Jéssica.
E Jéssica percebeu Lucas.
— E aí… você é a irmã do Rafael, né? — Lucas disse, se aproximando com um sorriso de lado.
— Depende… você é amigo ou problema? — Jéssica respondeu, no mesmo tom.
— Posso ser os dois.
Ela riu.
— Gostei da sinceridade.
A conversa fluiu rápido.
Leve.
Provocativa.
Cheia de olhares e sorrisos.
De longe, Rafael observava.
— Eu já não gostei disso… — comentou com Leandro.
— Relaxa, cara — Leandro respondeu, rindo. — Ela sabe se cuidar.
— Eu sei… mas é o Lucas.
— Justamente por isso — ele brincou.
—
Enquanto isso, o resto do grupo seguia entre conversas e risadas.
Rebeca estava feliz.
Carla e Roberto mais próximos do que nunca.
E, no meio disso tudo… uma nova conexão começava a surgir.
A noite foi chegando devagar.
A música mais baixa.
O clima mais tranquilo.
Jéssica já se preparava para ir embora.
— Acho que já vou… amanhã tenho aula cedo.
Lucas se levantou na hora.
— Eu te levo.
Rafael olhou na mesma hora.
— Nem pensar.
Todos riram.
— Que isso, irmão — Jéssica respondeu. — Eu não sou criança.
— Eu sei… mas…
— Mas nada — ela cortou, sorrindo. — Eu aceito a carona.
Lucas pegou a chave, tranquilo.
— Prometo devolver inteira.
— Você não ajuda — Rafael resmungou.
Os dois saíram, ainda conversando e rindo.
Dentro do carro, o clima mudou.
Mais silencioso.
Mais direto.
— Você é sempre assim? — Jéssica perguntou.
— Assim como?
— Confiante demais.
Lucas deu um sorriso de lado.
— Só quando vale a pena.
Ela desviou o olhar… sorrindo.
Quando chegaram na casa dela, o carro parou.
Por um segundo, ninguém falou nada.
Jéssica virou para ele.
— Eu gostei de hoje.
— Eu também.
E antes que ele falasse mais alguma coisa…
ela se inclinou.
E o beijou.
Um beijo rápido.
Mas cheio de intenção.
Ela se afastou, sorrindo.
— Boa noite, Lucas.
E saiu do carro.
Lucas ficou ali por um segundo… ainda sorrindo.
— Boa noite…
De volta à festa…
sem saber exatamente o que tinha acabado de começar…
Rafael ainda desconfiava.
Mas, no fundo…
algo novo tinha surgido.
E como tudo naquele grupo…
isso também prometia dar o que falar.