O clima na casa de Lucas ainda era tenso, mas aos poucos a conversa foi tomando outro rumo.
Lucas passou a mão na cabeça.
— A gente pode estar pensando longe demais.
Carla concordou, ainda nervosa.
— Também acho… pode ser alguém s*******o querendo assustar.
Camila olhou para Rebeca.
— Depois do desfile você ficou mais conhecida… apareceu, chamou atenção.
Roberto completou:
— Sempre tem algum engraçadinho que passa dos limites.
Rebeca ainda segurava o papel.
— Mas isso aqui… não parece brincadeira.
Rafael respondeu firme:
— Não parece mesmo.
Lucas tentou aliviar.
— Mas pensa… alguém viu você na mídia, começou a seguir, quis aparecer.
Carla assentiu.
— Pode ser fã maluco… ou alguém querendo chamar atenção.
Camila completou:
— Já vi coisa pior na internet.
Rebeca respirou fundo.
— Eu espero que seja só isso…
Rafael ainda não parecia convencido.
— Mesmo assim, a gente não vai vacilar.
Roberto concordou.
— Melhor tratar como algo sério do que se arrepender depois.
Lucas levantou.
— Hoje ninguém dorme sozinho.
Carla respondeu rápido:
— Eu não vou mesmo.
Camila segurou a mão de Rebeca.
— Você fica com a gente.
Rebeca assentiu, ainda abalada.
— Tá… obrigada.
Daniel estava mais afastado, encostado na parede, em silêncio.
Observando.
Pensando.
Lucas olhou para ele.
— E você, o que acha?
Daniel demorou um pouco pra responder.
— Pode ser isso que vocês falaram… alguém querendo assustar.
Rafael olhou direto pra ele.
— Mas?
Daniel respondeu calmo.
— Mas eu não confiaria nisso.
Silêncio rápido.
Carla tentou mudar o clima.
— Gente… vamos tentar acalmar um pouco.
Lucas pegou algumas bebidas.
— É… todo mundo já tá nervoso demais.
Roberto concordou.
— A gente pensa melhor nisso amanhã.
Camila olhou para Rebeca.
— Você não tá sozinha.
Rebeca sorriu de leve.
— Eu sei…
A conversa continuou, agora mais leve, tentando afastar o medo.
Mas Daniel continuava quieto.
O olhar distante.
Como se estivesse juntando peças.
Porque, diferente dos outros…
ele sabia.
Aquilo não parecia brincadeira.
E, no fundo…
ele começava a sentir.
Que o problema…
podia ser muito maior do que todos estavam imaginando.
O dia amanheceu pesado, mesmo com todos tentando agir normalmente.
Na loja, Rebeca abriu as portas como sempre, mas o olhar já não era o mesmo.
— Dormiu? — Carla perguntou.
— Quase nada… — Rebeca respondeu, organizando algumas peças.
Camila se aproximou.
— A gente vai ficar de olho em tudo hoje.
Rebeca assentiu.
— Eu só quero que isso acabe.
Clientes começaram a entrar, a rotina tentando se impor, mas a tensão ainda estava ali.
— Qualquer coisa você me chama — Carla disse.
— Eu chamo — Rebeca respondeu, tentando parecer firme.
No quartel, o clima também era diferente.
— Tá todo mundo meio estranho hoje — Roberto comentou.
— Depois de ontem… normal — Lucas respondeu.
Rafael olhou para Daniel.
— Você acha mesmo que é só alguém brincando?
Daniel respondeu direto.
— Não.
Silêncio.
— Mas a gente não tem prova de nada ainda — ele completou.
Rafael assentiu, pensativo.
— Então a gente fica atento.
Enquanto isso, Marcelo observava de dentro do carro, agora em outro ponto da cidade.
— Ela não dormiu direito… já começou a sentir.
Um dos homens perguntou:
— E agora?
Marcelo respondeu calmo.
— Agora a gente muda o foco.
— Quem?
Ele puxou outra foto.
— Esse aqui…
Era Lucas.
— Por quê ele?
Marcelo sorriu de leve.
— Porque ele é o mais leve… o que menos espera.
— E o que você vai fazer?
Marcelo respondeu frio.
— O mesmo… só que um pouco mais direto.
Ele pegou o celular.
— Quero o endereço dele agora.
— Já temos.
— Ótimo.
Marcelo ligou o carro.
— Vamos dar uma volta.
Horas depois, Lucas estava em casa, mexendo no celular, tentando relaxar.
— Acho que hoje vai ser tranquilo…
Uma batida leve no portão.
Ele franziu a testa.
— Quem será?
Foi até a porta, abriu devagar.
Não tinha ninguém.
— Ué…
Olhou para o chão.
Um envelope.
Ele pegou.
Abriu ali mesmo.
O rosto mudou na hora.
— Que merda é essa…
Dentro, uma foto.
Dele.
E atrás, escrito:
— “Você também está no jogo.”
Lucas engoliu seco.
— Não… não é possível…
Pegou o celular na hora.
— Rafael… atende…
Do outro lado, Rafael atendeu rápido.
— Fala.
— Acho que não é brincadeira não…
— O que aconteceu?
— Tem uma foto minha aqui,com um recado.
Silêncio.
— Tô indo aí — Rafael disse na hora.
Dentro do carro, Marcelo observava de longe.
— Segundo passo feito.
— Ele reagiu rápido.
— Melhor assim.
Marcelo sorriu de leve.
— Agora começa a espalhar.
E, naquele momento…
o que parecia ser apenas algo contra Rebeca…
começava a atingir todos.
E o medo…
começava a crescer de verdade.