Capítulo 39

807 Words
O clima na casa de Lucas ainda era tenso, mas aos poucos a conversa foi tomando outro rumo. Lucas passou a mão na cabeça. — A gente pode estar pensando longe demais. Carla concordou, ainda nervosa. — Também acho… pode ser alguém s*******o querendo assustar. Camila olhou para Rebeca. — Depois do desfile você ficou mais conhecida… apareceu, chamou atenção. Roberto completou: — Sempre tem algum engraçadinho que passa dos limites. Rebeca ainda segurava o papel. — Mas isso aqui… não parece brincadeira. Rafael respondeu firme: — Não parece mesmo. Lucas tentou aliviar. — Mas pensa… alguém viu você na mídia, começou a seguir, quis aparecer. Carla assentiu. — Pode ser fã maluco… ou alguém querendo chamar atenção. Camila completou: — Já vi coisa pior na internet. Rebeca respirou fundo. — Eu espero que seja só isso… Rafael ainda não parecia convencido. — Mesmo assim, a gente não vai vacilar. Roberto concordou. — Melhor tratar como algo sério do que se arrepender depois. Lucas levantou. — Hoje ninguém dorme sozinho. Carla respondeu rápido: — Eu não vou mesmo. Camila segurou a mão de Rebeca. — Você fica com a gente. Rebeca assentiu, ainda abalada. — Tá… obrigada. Daniel estava mais afastado, encostado na parede, em silêncio. Observando. Pensando. Lucas olhou para ele. — E você, o que acha? Daniel demorou um pouco pra responder. — Pode ser isso que vocês falaram… alguém querendo assustar. Rafael olhou direto pra ele. — Mas? Daniel respondeu calmo. — Mas eu não confiaria nisso. Silêncio rápido. Carla tentou mudar o clima. — Gente… vamos tentar acalmar um pouco. Lucas pegou algumas bebidas. — É… todo mundo já tá nervoso demais. Roberto concordou. — A gente pensa melhor nisso amanhã. Camila olhou para Rebeca. — Você não tá sozinha. Rebeca sorriu de leve. — Eu sei… A conversa continuou, agora mais leve, tentando afastar o medo. Mas Daniel continuava quieto. O olhar distante. Como se estivesse juntando peças. Porque, diferente dos outros… ele sabia. Aquilo não parecia brincadeira. E, no fundo… ele começava a sentir. Que o problema… podia ser muito maior do que todos estavam imaginando. O dia amanheceu pesado, mesmo com todos tentando agir normalmente. Na loja, Rebeca abriu as portas como sempre, mas o olhar já não era o mesmo. — Dormiu? — Carla perguntou. — Quase nada… — Rebeca respondeu, organizando algumas peças. Camila se aproximou. — A gente vai ficar de olho em tudo hoje. Rebeca assentiu. — Eu só quero que isso acabe. Clientes começaram a entrar, a rotina tentando se impor, mas a tensão ainda estava ali. — Qualquer coisa você me chama — Carla disse. — Eu chamo — Rebeca respondeu, tentando parecer firme. No quartel, o clima também era diferente. — Tá todo mundo meio estranho hoje — Roberto comentou. — Depois de ontem… normal — Lucas respondeu. Rafael olhou para Daniel. — Você acha mesmo que é só alguém brincando? Daniel respondeu direto. — Não. Silêncio. — Mas a gente não tem prova de nada ainda — ele completou. Rafael assentiu, pensativo. — Então a gente fica atento. Enquanto isso, Marcelo observava de dentro do carro, agora em outro ponto da cidade. — Ela não dormiu direito… já começou a sentir. Um dos homens perguntou: — E agora? Marcelo respondeu calmo. — Agora a gente muda o foco. — Quem? Ele puxou outra foto. — Esse aqui… Era Lucas. — Por quê ele? Marcelo sorriu de leve. — Porque ele é o mais leve… o que menos espera. — E o que você vai fazer? Marcelo respondeu frio. — O mesmo… só que um pouco mais direto. Ele pegou o celular. — Quero o endereço dele agora. — Já temos. — Ótimo. Marcelo ligou o carro. — Vamos dar uma volta. Horas depois, Lucas estava em casa, mexendo no celular, tentando relaxar. — Acho que hoje vai ser tranquilo… Uma batida leve no portão. Ele franziu a testa. — Quem será? Foi até a porta, abriu devagar. Não tinha ninguém. — Ué… Olhou para o chão. Um envelope. Ele pegou. Abriu ali mesmo. O rosto mudou na hora. — Que merda é essa… Dentro, uma foto. Dele. E atrás, escrito: — “Você também está no jogo.” Lucas engoliu seco. — Não… não é possível… Pegou o celular na hora. — Rafael… atende… Do outro lado, Rafael atendeu rápido. — Fala. — Acho que não é brincadeira não… — O que aconteceu? — Tem uma foto minha aqui,com um recado. Silêncio. — Tô indo aí — Rafael disse na hora. Dentro do carro, Marcelo observava de longe. — Segundo passo feito. — Ele reagiu rápido. — Melhor assim. Marcelo sorriu de leve. — Agora começa a espalhar. E, naquele momento… o que parecia ser apenas algo contra Rebeca… começava a atingir todos. E o medo… começava a crescer de verdade.
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