Capítulo 19

1283 Words
Assim que saíram da casa de Dona Lúcia, o clima dentro do carro era leve. Rebeca ainda sorria, olhando pela janela. — Sua mãe é incrível… — disse, sincera. Rafael deu um meio sorriso. — Eu sabia que vocês iam se dar bem. Antes que continuassem, o celular de Rebeca tocou. Era Carla. — Amiga! — disse do outro lado, com a voz animada e um pouco alterada. — Onde vocês estão? Rebeca riu. — Saindo agora da casa da mãe do Rafael, por quê? — A gente tá numa boate! Você precisa vir! — Carla insistiu. — Hoje é dia de comemorar! Rebeca olhou para Rafael. — A Carla quer que a gente vá pra uma boate… Rafael arqueou a sobrancelha, cansado. — Hoje? Rebeca riu. — Eu acho que ela já bebeu um pouco… Do outro lado, Carla continuava: — Vem, por favor! Tá muito bom aqui! Rebeca colocou no viva-voz. — Roberto também tá aqui? — Rafael perguntou. — Tô sim! — ele respondeu, com música alta ao fundo. — Vem, cara! Só um pouco! Rafael suspirou, olhando para Rebeca. Ela fez uma carinha de quem queria ir. — Tá bom… — ele disse, depois de alguns segundos. — Mas não vamos demorar. Rebeca sorriu na hora. — A gente tá indo! A boate estava lotada. Luzes piscando, música alta, gente dançando, risadas e copos sendo erguidos por todos os lados. Assim que chegaram, Carla apareceu quase pulando neles. — VOCÊS VIERAM! — disse, abraçando Rebeca. Ela claramente já estava bêbada, rindo de tudo. Roberto veio logo atrás, mais controlado, mas animado. — Eu sabia que vocês iam acabar vindo. Rafael deu um leve sorriso. — A insistência foi grande. Logo estavam todos juntos. A música envolvia tudo, o clima era leve, de celebração. Carla puxou Roberto para a pista. — Vem dançar comigo! — Você já bebeu demais — ele disse, rindo. — E daí? — ela respondeu, puxando ele mesmo assim. Na pista, Carla se soltava completamente, rindo, dançando sem se preocupar com nada. Roberto acabou entrando no ritmo, acompanhando ela. Os dois riam, próximos, completamente envolvidos naquele momento. Mais afastados, Rebeca e Rafael observavam. — Eles tão felizes — Rebeca comentou. Rafael assentiu. — E você? — ele perguntou, olhando para ela. Ela sorriu. — Eu também. Ela pegou a mão dele. — Vem… só um pouco. Rafael hesitou… mas acabou cedendo. No meio da música, das luzes e da energia da noite… os quatro, cada um do seu jeito, se permitiam viver aquele momento. Sem pensar no amanhã. Sem pensar nas complicações. Só sentindo. A música parecia cada vez mais alta… mas, para eles, o mundo ao redor começava a desaparecer. Na pista, Carla já estava completamente entregue ao momento. Rindo, girando, dançando sem se preocupar com nada. — Você não para, né? — Roberto disse, tentando acompanhar. — Hoje não! — ela respondeu, puxando ele mais pra perto. O corpo dela encostou no dele de forma mais intensa… e dessa vez, nenhum dos dois se afastou. Roberto segurou a cintura dela, firme. Carla levantou o olhar, já com os olhos brilhando pela bebida… e por algo mais. — Você fica diferente assim… — ele disse, meio baixo. — Diferente como? — ela provocou. Ele não respondeu com palavras. Apenas aproximou mais. E, no meio da pista, sob as luzes da boate, os dois se beijaram. Sem pensar. Sem segurar. Como se já estivessem esperando por aquilo há tempo demais. Mais afastados, Rebeca percebeu. — Olha lá… — disse, sorrindo. Rafael acompanhou com o olhar. — Era questão de tempo. Mas quando ele voltou a olhar para Rebeca… o clima entre os dois mudou também. A música parecia envolver. O ambiente, as luzes, o toque… Tudo aproximava. — Vem cá — ele disse, puxando ela com cuidado. Rebeca se aproximou, sem resistência. Dessa vez, ela encostou a cabeça no ombro dele por um instante… depois levantou o olhar. — Hoje foi um dia perfeito… — ela disse. Rafael passou a mão pelo rosto dela, devagar. — Ainda não acabou. Ela sorriu… e se aproximou. O beijo veio natural. Mais profundo do que antes. Mais seguro. Como se agora não houvesse mais dúvida. Enquanto isso, Carla e Roberto continuavam na pista, cada vez mais envolvidos. A bebida, a música… e o sentimento acumulado faziam tudo parecer mais intenso. — Acho que eu já bebi demais… — Carla disse, rindo. — Acho mesmo — Roberto respondeu, segurando ela quando ela quase perdeu o equilíbrio. Ela apoiou a cabeça no peito dele por um segundo. — Ainda bem que você tá aqui… Ele ficou em silêncio. Mas apertou ela um pouco mais. De volta a Rafael e Rebeca, o clima já era outro. Mais próximo. Mais íntimo. — Quer sair um pouco daqui? — ele perguntou. Rebeca olhou ao redor… depois voltou pra ele. — Quero. Eles avisaram rapidamente Carla e Roberto, que m*l conseguiram prestar atenção, tão envolvidos que estavam. E saíram. Do lado de fora, o ar fresco da noite trouxe um contraste imediato. Silêncio. Calma. Mas o clima entre eles continuava intenso. Rafael segurou a mão dela, puxando levemente. Rebeca não soltou. Dentro da boate, Carla e Roberto ainda estavam ali… Mas agora, já não era só diversão. Era algo que estava ficando cada vez mais difícil de ignorar. E naquela noite… As relações deixaram de ser apenas confusas. E começaram a se tornar… inevitáveis. Do lado de fora, o som da boate ficou distante quase que imediatamente. A música ainda vibrava ao fundo, mas ali, na rua iluminada por poucos postes e pelo brilho da cidade, tudo parecia mais calmo. Rebeca respirou fundo. — Nossa… até parece outro mundo aqui fora. Rafael sorriu de leve, ainda segurando a mão dela. — Melhor, né? Ela assentiu. Mas não soltou a mão dele. Eles caminharam sem pressa, lado a lado. O silêncio não incomodava. Pelo contrário… aproximava. — Hoje foi… intenso — Rebeca disse, olhando para frente. — Em todos os sentidos — Rafael respondeu. Ela deu um leve riso. — Desfile, sua mãe, a boate… — E a gente — ele completou. Rebeca parou de andar. Virou-se para ele. E ficou alguns segundos apenas olhando. Como se estivesse entendendo tudo naquele momento. — A gente… — ela repetiu, mais baixa. Rafael se aproximou devagar. Sem pressa. Sem dúvida. — Eu não quero que isso seja só momento — ele disse. Rebeca sentiu o coração acelerar. — Nem eu. Ele tocou o rosto dela com cuidado. E o beijo veio. Mais calmo que antes. Mais profundo. Mais certo. Depois de um tempo, eles continuaram andando… até chegar perto da praia. O som do mar tomou o lugar da música. A brisa era leve. E o clima… completamente deles. Eles sentaram na areia. Rebeca apoiou a cabeça no ombro dele, como já fazia naturalmente. — Eu tô com medo… — ela confessou, de repente. Rafael olhou para ela. — Do quê? — De isso ser bom demais… e dar errado depois. Ele ficou em silêncio por um instante. Depois segurou a mão dela com mais firmeza. — Eu não posso prometer que vai ser perfeito… — disse. — Mas eu posso prometer que vai ser de verdade. Rebeca levantou o olhar. E sorriu. — Acho que é isso que eu quero. Ele encostou a testa na dela. — Então fica. Ela fechou os olhos por um segundo. — Eu já fiquei. O tempo parecia não existir ali. Só o som do mar. O toque. A presença. Naquela noite, longe da confusão da boate… Rafael e Rebeca não estavam só se aproximando. Eles estavam escolhendo. Um ao outro. E dessa vez… Parecia que nenhum dos dois queria voltar atrás.
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