Capítulo 38

1404 Words
Rebeca tentou voltar ao trabalho, mas a sensação não passava. — Carla… você viu aquele homem? — Que homem? — Um que ficou olhando pra cá… estranho. Camila se aproximou. — Cliente? — Não sei… ele nem entrou. Carla deu de ombros. — Deve ser coisa da sua cabeça. Rebeca respirou fundo. — É… pode ser. Do lado de fora, Marcelo observava de longe. — Ela sentiu. Um dos homens respondeu no telefone. — Foi rápido. — Ela é atenta… isso é bom. — Próximo passo? Marcelo pensou por um segundo. — Agora a gente aproxima mais. — Como? Ele respondeu frio. — Pequenos sinais… até ela ter certeza que tem algo errado. Na loja, o movimento aumentava, mas Rebeca ainda parecia inquieta. — Eu tô com uma sensação r**m… Camila olhou preocupada. — Quer que eu vá lá fora ver? — Não… deixa. Carla brincou. — É trauma de ontem. Rebeca tentou sorrir. — Deve ser isso mesmo. Horas depois, o expediente estava quase acabando. — Hoje eu vou fechar mais cedo — Carla disse. — Eu também — Camila completou. Rebeca assentiu. — Tá… vamos juntas então. Do lado de fora, Marcelo já estava posicionado. — Elas tão saindo. — Segue? — Não… hoje eu vou fazer diferente. — O quê? Marcelo sorriu. — Eu vou deixar um recado. As três saíram da loja conversando. Rindo, tentando relaxar. Quando chegaram ao estacionamento, Rebeca parou de repente. — Vocês mexeram no meu carro? Carla franziu a testa. — Não… por quê? Rebeca apontou. — Isso aqui… Um papel preso no para-brisa. Camila se aproximou. — O que tá escrito? Rebeca tirou o papel, mãos levemente trêmulas. Leu em voz baixa. — “Eu sei quem você é.” Silêncio. — Que brincadeira é essa? — Carla disse, nervosa. Camila olhou ao redor. — Isso não tem graça nenhuma. Rebeca engoliu seco. — Isso não é brincadeira… Do outro lado do estacionamento, dentro do carro, Marcelo observava. — Agora sim… — Você acha que ela vai contar pra alguém? — Com certeza. — E isso não atrapalha? Marcelo respondeu firme. — Não… isso só aumenta o medo. Rebeca pegou o celular. — Eu vou ligar pro Rafael. Carla segurou o braço dela. — Calma… vamos pensar. Camila disse baixo. — Isso tá estranho demais… Rebeca olhou novamente o papel. — Isso não é coincidência. No carro, Marcelo deu partida. — Primeiro passo completo. — E agora? Ele respondeu frio. — Agora… eu entro mais fundo. Enquanto o carro se afastava, o clima no estacionamento ficava pesado. E, pela primeira vez… o medo deixou de ser só sensação. Virou real. Marcelo voltou para o esconderijo já com um plano mais definido. Jogou as chaves na mesa e o envelope com tudo que seus capangas conseguiram do grupo. — Ela sentiu o primeiro toque. Um dos homens falou: — E agora? — Medo de verdade vem quando a pessoa não tem certeza. Ele pegou outra folha. — Com as fotos da casa dela e seus horários diferentes. — Já temos algumas. — Quero mais… noite, manhã, tudo. — E o Daniel? Marcelo respondeu seco. — Ainda não. Um dos homens insistiu: — Mas ele é o alvo principal. Marcelo virou rápido. — Justamente por isso… ele é o último. Ele respirou fundo e continuou. — Primeiro eu mexo com elá,e depois com o resto do grupo. — Como? Marcelo sorriu de leve. — Pequenos acontecimentos… coincidências demais. Ele pegou o celular e mostrou uma foto da loja. — Amanhã alguém entra lá. — Pra fazer o quê? — Nada demais… só observar, comprar alguma coisa. — E falar com ela? — Ainda não… só presença. Outro homem perguntou: — E o próximo recado? Marcelo pensou por alguns segundos. — Vai ser mais pessoal. — Tipo ameaça? Ele negou. — Não… algo que só ela entenda. Silêncio. — Quero saber o nome completo dela, família, tudo. — Já estamos puxando isso. — Quero rápido. Ele caminhou pelo lugar, mais agitado agora. — Ela vai começar a perder o sono… a olhar pros lados… a desconfiar de todo mundo. — E o grupo? — Vai tentar proteger… e é aí que eu entro. Um dos homens riu. — Você quer quebrar eles por dentro. Marcelo respondeu frio. — Eu quero ele vulnerável. Ele parou e olhou novamente a foto de Daniel. — Se eu chegar logo nele não vai ter graça. — E se ele reagir antes? Marcelo deu um leve sorriso. — Melhor ainda. Ele guardou as fotos. — Hoje à noite… mais um passo. — Qual? Marcelo respondeu baixo. — Ela não vai mais se sentir segura nem em casa. Silêncio pesado. — Prepara o carro. — Já vou. Marcelo pegou o casaco. — O jogo só começou… e ela já tá dentro dele. A noite caiu e Marcelo já estava em movimento. O carro parado a poucos metros da casa de Rebeca, faróis apagados. — Luz da sala acesa… ela tá em casa. Um dos homens respondeu no telefone. — Confirmado, entrou faz pouco tempo. Marcelo observava em silêncio. — Hora do próximo passo. — Vai entrar? — Não… ainda não. Ele pegou um pequeno objeto no banco. — O que é isso? — Só um aviso… mais próximo. Marcelo saiu do carro com calma, andando pela rua como se fosse apenas mais um. Chegou até a frente da casa, rápido, preciso. Colocou o objeto preso no portão e saiu sem fazer barulho. De volta ao carro. — Pronto. — O que você deixou? Marcelo respondeu frio. — Algo que ela não vai esquecer. Minutos depois, dentro da casa, Rebeca levantou para fechar tudo. Ainda estava inquieta. — Eu não tô bem com isso… Ela foi até a porta… e viu. Parou na hora. — Não… não… Ela abriu devagar. No portão, uma corrente fina com um cadeado… e um papel preso. Mãos tremendo, ela pegou o papel. — “Você não está segura nem aqui.” O coração disparou. — Meu Deus… Ela pegou o celular na hora. — Rafael… atende… atende… Do outro lado, Rafael atendeu rápido. — O que foi? — Tem alguém… alguém tá mexendo comigo… — Calma, o que aconteceu? — Tem um recado aqui… na minha casa… isso não é normal! Rafael já se levantou. — Fica aí, eu tô indo agora. Pouco tempo depois, ele chegou. — Onde tá? Rebeca mostrou, ainda assustada. — Aqui… olha isso… Rafael leu o papel, o rosto fechando na hora. — Isso não é brincadeira. — Eu falei… eu senti isso o dia todo. — Você não vai ficar sozinha. Ele pegou o celular. — Vou chamar o pessoal. Algum tempo depois, todos estavam reunidos na casa de Lucas, o único lugar que parecia mais seguro naquele momento. O clima era totalmente diferente das outras vezes. — Explica direito — Lucas disse. Rebeca respirou fundo. — Desde hoje mais cedo… eu senti que tinha alguém me olhando… depois apareceu aquele bilhete no carro… Camila completou: — E agora isso na casa dela. Carla estava nervosa. — Isso tá ficando sério demais. Rafael mostrou o papel. — Isso aqui não é coincidência. Silêncio. Daniel observava tudo, mais tenso que o normal. — Alguém tá fazendo isso de propósito — Roberto disse. — Mas quem? — Carla perguntou. Rebeca balançou a cabeça. — Eu não faço ideia… Todos ficaram em silêncio por um momento. Lucas quebrou o clima. — A gente não vai deixar isso acontecer com você. — Você não fica mais sozinha — Camila disse. Rafael olhou firme. — Quem quer que seja… mexeu com a pessoa errada. Daniel finalmente falou, mais sério do que nunca. — Isso não é alguém qualquer. Todos olharam pra ele. — Como você sabe? — Rafael perguntou. Daniel respondeu baixo. — Porque isso tá planejado… passo a passo. Silêncio pesado. Rebeca olhou pra ele, assustada. — O que isso significa? Daniel desviou o olhar por um segundo. — Significa que isso não vai parar tão cedo. O clima ficou ainda mais tenso. Enquanto isso, do lado de fora, dentro de um carro estacionado longe dali, Marcelo observava a casa. — Todos juntos… melhor do que eu esperava. — Vai fazer algo agora? Marcelo sorriu de leve. — Não… agora eu só assisto. Ele ligou o carro devagar. — O medo já começou… agora é só alimentar. E enquanto o grupo tentava entender o que estava acontecendo…
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