Capítulo 43

1762 Words
A rua continuava silenciosa, mas dentro de Daniel tudo já estava em alerta. Ele voltou para dentro da casa como se nada tivesse acontecido. O grupo ainda estava reunido na sala, tensão espalhada no ar. Rafael olhou pra ele. — Onde você foi? Daniel deu de ombros, simples. — Tomar um ar. Lucas passou a mão no rosto, claramente abalado. — Isso tá errado… muito errado… Rafael se aproximou da mesa novamente, olhando a caixa. — A gente precisa entender o que esse celular significa. Camila falou, hesitante: — E se for de alguém… que ele já pegou? Silêncio. Ninguém quis responder. Rebeca apertou mais forte a mão de Rafael. — Para… não fala isso… Mas a ideia já tinha se instalado. Daniel se aproximou da mesa devagar. Pegou o celular quebrado, observando cada detalhe. A sujeira… os arranhões… o estado. — Isso aqui não é só ameaça — ele disse baixo. Rafael cruzou os braços. — Então fala logo. Daniel levantou o olhar. — Isso é mensagem direta. — Pra quem? — Lucas perguntou. — Pra mim. O ambiente congelou. — Como assim? — Carla falou, quase sussurrando. Daniel colocou o celular de volta na mesa. — Esse cara não escolheu vocês por acaso. Rafael ficou tenso. — Tá querendo dizer o quê? Daniel respirou fundo. — Ele não tá atrás de vocês. Pausa. — Ele tá atrás de mim. Explosão de reações. — O QUÊ? — Lucas quase gritou. — Você tá maluco? — Roberto falou. Rebeca olhou assustada. — Daniel… que história é essa? Daniel passou a mão no rosto, finalmente sem fugir. — Eu não queria envolver ninguém… Rafael se aproximou, encarando ele. — Já envolveu. Agora fala. Silêncio pesado. — O nome dele é Marcelo. O nome caiu como um peso. — Marcelo quem? — Camila perguntou. — Um cara que eu achei que tinha deixado pra trás. — Achou? — Rafael rebateu. — Isso não parece coisa do passado. Daniel assentiu, sério. — Porque não é mais. Carla deu um passo pra trás. — O que você fez? Daniel olhou direto pra ela. — Eu acabei com o negócio dele. — Que negócio? — Lucas perguntou. — Coisas que vocês não precisam saber. Rafael perdeu a paciência. — Não, agora precisa sim! Silêncio. Daniel falou, firme: — Ele perdeu dinheiro… gente… poder. — E agora ele quer você — Roberto concluiu. — Não — Daniel corrigiu. Pausa. — Ele quer me quebrar. Rebeca estava pálida. — E a gente? Daniel fechou os olhos por um segundo. — Vocês são o caminho. O clima ficou ainda mais pesado. Lucas começou a andar de um lado pro outro. — Então isso tudo… é por sua causa? Daniel não respondeu. E o silêncio confirmou. Rafael avançou um passo, com raiva contida. — Você trouxe isso pra gente. — Eu tentei evitar — Daniel respondeu. — Tentou m*l pra c*****o! — Lucas disparou. — Chega! — Carla interrompeu, nervosa. — Isso não vai ajudar! Camila estava quase chorando. — A gente tá em perigo… Roberto tentou manter a calma. — Ok… respira… a gente precisa pensar. Rafael ainda encarava Daniel. — Tem mais alguma coisa que a gente precisa saber? Daniel hesitou. E isso já foi resposta suficiente. — Fala! — Rafael exigiu. Daniel finalmente disse: — Ele não vai parar só com ameaça. — Claro que não — Lucas respondeu, seco. — Ele vai escolher alguém. Silêncio absoluto. Rebeca segurou o braço de Rafael com força. — Não… Daniel continuou: — E quando isso acontecer… Pausa. — Vai ser rápido. Carla começou a chorar baixo. — Eu não quero ficar aqui… Camila abraçou ela. — A gente não vai sair sozinho… lembra? Rafael respirou fundo, tentando retomar o controle. — Ok… então muda o plano. Todos olharam pra ele. — Se ele quer jogar… Pausa. — A gente vai jogar também. Daniel levantou o olhar. — Isso é exatamente o que ele quer. Rafael respondeu na mesma hora: — Então a gente faz melhor. Silêncio. — Como? — Roberto perguntou. Rafael pensou por um segundo. — A gente vira isca. — Tá louco? — Rebeca reagiu na hora. — Não todos — Rafael continuou. — Mas alguém. — Nem pensar — Daniel cortou. Rafael encarou ele. — Você não manda aqui. — Isso não é estratégia, é suicídio — Daniel rebateu. — E ficar esperando é o quê? — Rafael devolveu. O clima esquentou de vez. Lucas entrou no meio. — Chega! Os dois! Silêncio forçado. Mas já era tarde. A divisão tinha começado. De um lado, Daniel — cautela, estratégia, espera. Do outro, Rafael — ação, risco, confronto. E no meio… o resto do grupo. Perdidos. Com medo. E sem saber em quem confiar. Do lado de fora… um carro passou devagar pela rua. Vidros escuros. Motor baixo. Lento demais pra ser normal. Dentro dele… Marcelo observava a casa. Um leve sorriso no rosto. — Agora sim… Ele pegou o celular, digitando uma nova mensagem. Dentro da casa… o celular de Camila vibrou. Ela olhou, confusa. — Gente… — O que foi? — Carla perguntou. Camila ficou pálida na mesma hora. — Ele mandou mensagem… — Lê — Rafael disse, tenso. Camila engoliu seco. — “Escolhe um… ou eu escolho por vocês.”” Silêncio. Pesado. Sufocante. Daniel fechou os olhos devagar. — Ele começou. Rafael olhou ao redor. Um por um. Cada rosto. Cada medo. E percebeu… Aquilo não era mais só um jogo psicológico. Era uma contagem regressiva. O silêncio depois da mensagem foi pior do que qualquer grito. Ninguém se mexia. Ninguém respirava direito. — Isso não é real… — Carla murmurou, com a voz falhando. Camila ainda segurava o celular, mãos tremendo. — Ele… ele quer que a gente escolha… — A gente não vai escolher ninguém! — Rebeca falou na hora, desesperada. Lucas passou a mão na cabeça. — Mas e se ele escolher? Essa pergunta ficou no ar. Pesada. Perigosa. Rafael respirou fundo, tentando manter o controle. — Ele tá blefando. Daniel respondeu na mesma hora: — Não. Rafael virou pra ele, irritado. — Você não pode ter certeza. — Posso — Daniel disse, firme. — Esse tipo de cara não blefa. Silêncio. Camila começou a chorar de leve. — Eu quero ir embora… Roberto se aproximou. — Ninguém vai sair sozinho. — E ficar aqui muda o quê? — Lucas rebateu. — Muda que a gente tá junto — Roberto respondeu. Daniel olhou pra todos. — Ele quer exatamente isso… dividir a gente. Rebeca falou, com a voz trêmula: — Ele já conseguiu… E era verdade. O medo já estava fazendo o trabalho por ele. Rafael então tomou uma decisão. — A gente não vai ficar esperando. Daniel já balançou a cabeça. — Rafael… — Não — ele cortou. — Chega de esperar. A gente precisa forçar ele a aparecer. — Você não tá pensando direito — Daniel respondeu. — E você tá pensando demais! — Rafael retrucou. O clima voltou a esquentar. Lucas entrou no meio novamente. — Então fala, Rafael. Qual é o plano? Rafael olhou pra todos. Pensou rápido. — A gente dá o que ele quer. Silêncio. — Como assim? — Carla perguntou. — A gente finge que escolheu alguém. Rebeca arregalou os olhos. — Você tá louco? — Não de verdade — Rafael continuou. — Mas a gente faz parecer real. Daniel ficou sério. — Ele não é burro. Vai perceber. — Não se a gente fizer direito — Rafael respondeu. — Isso é arriscado demais — Daniel insistiu. — Tudo aqui já é arriscado! — Rafael rebateu. Pausa. — Pelo menos assim… a gente controla alguma coisa. Silêncio. A ideia começou a entrar na cabeça deles. Perigosa. Mas… tentadora. Lucas falou baixo: — E quem seria? Ninguém respondeu. Até que… — Eu. Todos viraram na mesma hora. — Nem pensar! — Rebeca disse, quase gritando. Rafael manteve o olhar firme. — Ele já tá de olho em mim. Daniel deu um passo à frente. — Isso é exatamente o que ele quer. — Então eu viro o problema — Rafael respondeu. — Você vira o alvo — Daniel corrigiu. — Eu já sou. Silêncio. Rebeca segurou o braço dele. — Não faz isso… Rafael olhou pra ela, mais calmo. — É só encenação. Daniel falou baixo: — Com esse cara… nada é “só”. Pausa. Mas Rafael já tinha decidido. — A gente manda mensagem. Camila ainda tremia. — O que? Rafael pegou o celular dela devagar. Digitou. Todos olhando. Tensos. Ele mostrou antes de enviar: — “Pode parar. A gente já escolheu. Sou eu.”” Rebeca balançou a cabeça, lágrimas nos olhos. — Não… Daniel olhava fixo. — Se você mandar isso… não tem volta. Rafael não desviou. — Já não tinha. E enviou. O som da mensagem sendo entregue ecoou na sala. Como um tiro. Ninguém falou nada. Segundos passaram. Pareciam horas. Até que… o celular vibrou. Camila arregalou os olhos. — Ele respondeu… — Lê — Daniel disse, tenso. Ela abriu devagar. A voz falhou na primeira tentativa. — “Boa escolha.”” Silêncio. Mas não acabou. Outra mensagem chegou. Mais uma vibração. Camila leu, quase sem voz: — “Então vem até mim.”” O ar sumiu da sala. — Não… — Carla sussurrou. Lucas ficou em choque. — Ele quer um encontro? Daniel fechou os olhos por um segundo. — Ele acelerou o jogo… Rafael perguntou: — O que ele mandou depois? Camila mostrou o celular. Um endereço. E um horário. — Hoje. Rebeca começou a chorar de verdade. — Isso é uma armadilha… Daniel respondeu, direto: — Óbvio que é. Rafael pegou a chave do carro. — Então eu vou. — Você não vai sozinho — Roberto disse na hora. — Ninguém vai — Rebeca insistiu. Daniel deu um passo à frente. — Eu vou com você. Rafael olhou pra ele. — Achei que ia mandar eu não ir. — Eu ainda acho — Daniel respondeu. — Mas agora… você já entrou no jogo. Silêncio. Pesado. Sem volta. Lucas falou baixo: — Se isso der errado… Daniel respondeu, olhando pro endereço no celular: — Não é “se”. Pausa. — É “quando”. Do lado de fora… o mesmo carro continuava parado na rua. Dentro… Marcelo observava, satisfeito. O celular dele vibrou. Ele leu a mensagem enviada. E sorriu. — Veio até mim… Encostou a cabeça no banco. Tranquilo. — Agora termina. A noite caía de vez. E pela primeira vez… eles não estavam só sendo observados. Agora…
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD