Capítulo 25

1578 Words
Depois que todos foram embora… a casa de Lucas finalmente ficou em silêncio. Só restavam os dois. Jéssica terminou de secar as mãos e olhou ao redor. — Agora sim… missão cumprida. Lucas encostou na parede, observando ela. — Nem parece que mais cedo isso aqui tava lotado. — Pois é… — ela respondeu, sorrindo de leve. — Agora ficou bem melhor. O silêncio que veio não foi desconfortável. Foi… diferente. Mais íntimo. Lucas se aproximou devagar. — Você podia ter ido embora com o pessoal. Jéssica cruzou os braços, inclinando a cabeça. — Podia. — Mas ficou. Ela deu um passo na direção dele. — Fiquei. Os dois ficaram frente a frente. Próximos o suficiente pra sentir a respiração um do outro. — Eu gosto disso… — Lucas disse, baixo. — Disso o quê? — De você aqui. Jéssica sorriu… mas não desviou o olhar. — Você fala bonito. — Eu falo o que eu sinto. Ela analisou ele por um segundo. Como se estivesse decidindo algo. — E se eu disser que também tô gostando? — perguntou. Lucas não respondeu. Só diminuiu ainda mais a distância. E então… ele a beijou. Um beijo intenso. Sem pressa. Como se já estivesse guardado há tempo demais. Jéssica correspondeu na mesma hora. Segurando a camisa dele, se aproximando ainda mais. Cada vez o clima esquentava mais o beijo ficava mais intenso e os toques das mãos do Lucas no corpo dela ficava mais ousado. Jessica levantou e tirou a blusa deixando Lucas ainda mais e******o. É ali eles se entregaram completamente um para o outro. O tempo parecia parar ali. Sem interrupções. Sem distrações. Só os dois. Quando se afastaram, ainda ficaram próximos. Respiração acelerada. Olhares presos. — Acho que isso não é só diversão… — ela disse, mais baixa. Lucas passou a mão pelo rosto dela. — Eu também acho. Eles se sentaram no sofá. Mais calmos… mas ainda conectados. A conversa começou a fluir. Sobre coisas simples. Sobre a vida dela na faculdade. Sobre o jeito dele, as histórias, os planos. — Meu irmão vai surtar — Jéssica disse, rindo. Lucas riu também. — Já tá surtando. — E você? — Eu não ligo. Ela olhou pra ele. — Nem um pouco? Lucas pensou por um segundo. — Eu só ligo pra uma coisa. — O quê? Ele segurou a mão dela. — Se isso aqui é de verdade. Jéssica ficou em silêncio… e apertou a mão dele de volta. — Então a gente descobre. E, como se fosse natural… ela se aproximou de novo. E o beijo veio outra vez. Mais calmo. Mais profundo. Naquela noite… não era só atração. Não era só impulso. Era o começo de algo que nenhum dos dois queria evitar. E, pela primeira vez… Lucas não estava só se divertindo. A noite já estava avançada quando Lucas pegou a chave do carro. Jéssica estava ao lado dele, mais quieta agora… mas com aquele sorriso que não escondia nada. — Eu te levo — ele disse. — Eu aceito — ela respondeu, simples. O caminho foi tranquilo. Sem música alta. Sem pressa. Só conversas leves e olhares que se cruzavam de vez em quando. Quando chegaram na casa dela, o carro parou… mas nenhum dos dois saiu na hora. — Eu gostei de hoje — Jéssica disse, olhando pra frente. Lucas virou o rosto pra ela. — Eu também. Ela respirou fundo… e então olhou pra ele. — Isso pode complicar um pouco as coisas. — Eu sei. — Meu irmão… — Eu sei — ele repetiu, com um leve sorriso. Ela ficou em silêncio por um segundo. Depois se inclinou. E beijou ele de novo. Um beijo mais calmo dessa vez. Mas cheio de intenção. Quando se afastou, abriu a porta. — Boa noite, Lucas. — Boa noite… Ele ficou olhando ela entrar… até a porta se fechar. Na volta pra casa, ele dirigiu em silêncio. Mas, diferente de outras vezes… não era vazio. Era cheio. Chegou, tomou um banho rápido… e caiu na cama. Com um sorriso que nem ele tentou esconder. No dia seguinte… a rotina voltava. Mas com novidades. Carla finalmente estava liberada para voltar ao trabalho. Ainda com alguns cuidados… mas pronta. Quando chegou na loja, encontrou Rebeca já organizando tudo. — Você chegou! — Rebeca disse, animada. — Voltei! — Carla respondeu, abrindo os braços. As duas se abraçaram forte. Mas bastou um olhar ao redor… pra entender a situação. Pilhas de roupas. Caixas. Pedidos acumulados. — Meu Deus… você ficou sozinha com isso tudo? — Carla perguntou. Rebeca deu um meio sorriso. — Não quis colocar ninguém… preferi segurar. Carla balançou a cabeça, rindo. — Você é maluca. — Mas deu certo — Rebeca respondeu. — Depois do desfile… a loja explodiu. E era verdade. As vendas tinham aumentado muito. Pedidos novos chegando o tempo todo. Clientes procurando pelas peças do desfile. — Então bora trabalhar — Carla disse, animada. — Porque agora eu tô de volta. As duas começaram a organizar tudo. Separando pedidos. Arrumando vitrines. Repondo peças. Entre uma tarefa e outra, conversavam. — E você… e o Rafael? — Carla perguntou, com um sorriso. Rebeca sorriu na hora. — Tá… cada vez melhor. — Eu sabia — Carla respondeu. — Dá pra ver. — E você e o Roberto? — Rebeca devolveu. Carla ficou levemente tímida… mas sorriu. — A gente tá tentando fazer dar certo… de verdade. O dia passou rápido. Cansativo. Mas produtivo. E no meio de tanta correria… Rebeca nem imaginava… que, enquanto sua vida profissional crescia… e seu relacionamento se fortalecia… alguém começava a se aproximar. Com intenções que iam muito além do que ela poderia imaginar. E dessa vez… o perigo não vinha de fora. Vinha de perto. O movimento na loja não parava. Clientes entrando e saindo, pedidos sendo separados, o som constante de conversas e embalagens. Rebeca estava no caixa, concentrada, enquanto Carla organizava algumas peças novas na vitrine. — A gente vai precisar contratar alguém — Carla comentou. — Eu sei… — Rebeca respondeu, sem tirar os olhos do que fazia. — Mas eu queria ver até onde a gente aguenta. A porta da loja se abriu novamente. O sino tocou. Mas, dessa vez… não era um cliente comum. Daniel entrou. Discreto. Observando tudo ao redor. Ele demorou um segundo a mais do que o normal na porta. Como se estivesse analisando o ambiente. Mas, na verdade… estava procurando por ela. E encontrou. Rebeca. Ela levantou o olhar por reflexo. E sorriu, educada. — Oi… posso te ajudar? Daniel se aproximou devagar. — Pode sim. O tom dele era calmo. Controlado. Carla, ao fundo, percebeu. Mas não disse nada. Só observou. — Eu tava passando por perto… — Daniel começou. — e resolvi conhecer a loja. Rebeca sorriu. — Que bom! Fica à vontade. Ele caminhou pelo espaço, olhando as peças. Mas, na verdade… prestava atenção nela. Nos movimentos. No jeito. — O desfile foi seu, né? — ele perguntou, pegando uma peça. — Foi sim — ela respondeu, se aproximando. — Gostou? — Muito — ele disse, olhando pra ela… não pra roupa. Rebeca não percebeu o peso daquele olhar. Pra ela, era só educação. — Essas peças aqui foram as que mais venderam — ela explicou, mostrando algumas. Daniel se aproximou mais. Perto demais. Mas ainda dentro do limite. — Dá pra entender o porquê — ele disse. Carla, de longe, franziu levemente a testa. Algo ali… não parecia tão comum. — Você trabalha com isso há muito tempo? — Daniel perguntou. — Já tem um tempo — Rebeca respondeu. — É algo que eu amo. — Dá pra ver. O silêncio que veio depois foi curto… mas carregado. Daniel decidiu avançar um pouco mais. — Você tem muito talento… — disse. — Não é só a loja. Rebeca sorriu, um pouco sem jeito. — Obrigada… Ele sustentou o olhar por mais um segundo. Mais do que o necessário. — E você? — ela perguntou, tentando manter a conversa normal. — Trabalha com o Rafael, né? — Trabalho — ele respondeu. — Tô no lugar do Roberto por enquanto. Ela assentiu. — Ele falou de você. Daniel deu um leve sorriso. — Espero que tenha sido bem. — Foi sim. Carla se aproximou nesse momento. — Oi — disse, entrando na conversa. — Quer ajuda com alguma coisa? O tom dela era educado… mas atento. Daniel percebeu. E respondeu na mesma linha. — Tô só conhecendo. Rebeca olhou entre os dois… sem entender totalmente o clima. — Se precisar de algo, é só chamar — Carla completou. Daniel assentiu. Mas antes de sair… olhou mais uma vez para Rebeca. — Foi um prazer te conhecer melhor — disse. O “melhor” veio com um peso sutil. Rebeca sorriu. — Igualmente. Ele saiu. Mas deixou algo no ar. Assim que a porta se fechou, Carla virou na hora. — Esse novato é oque tem de bonito tem de estranho. — Porque você está falando isso? Carla cruzou os braços. — Sei lá… achei ele meio… diferente. — Diferente como? — Não sei explicar… só… fica atenta. Rebeca deu um leve riso. — Você tá vendo coisa. Mas, mesmo dizendo isso… algo naquele encontro… ficou na cabeça dela. E do lado de fora… Daniel parou por um momento. Olhou para a vitrine. E sorriu de leve. Porque, pra ele… aquilo não tinha sido só uma visita. Tinha sido o começo de algo que
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