Depois que todos foram embora…
a casa de Lucas finalmente ficou em silêncio.
Só restavam os dois.
Jéssica terminou de secar as mãos e olhou ao redor.
— Agora sim… missão cumprida.
Lucas encostou na parede, observando ela.
— Nem parece que mais cedo isso aqui tava lotado.
— Pois é… — ela respondeu, sorrindo de leve. — Agora ficou bem melhor.
O silêncio que veio não foi desconfortável.
Foi… diferente.
Mais íntimo.
Lucas se aproximou devagar.
— Você podia ter ido embora com o pessoal.
Jéssica cruzou os braços, inclinando a cabeça.
— Podia.
— Mas ficou.
Ela deu um passo na direção dele.
— Fiquei.
Os dois ficaram frente a frente.
Próximos o suficiente pra sentir a respiração um do outro.
— Eu gosto disso… — Lucas disse, baixo.
— Disso o quê?
— De você aqui.
Jéssica sorriu… mas não desviou o olhar.
— Você fala bonito.
— Eu falo o que eu sinto.
Ela analisou ele por um segundo.
Como se estivesse decidindo algo.
— E se eu disser que também tô gostando? — perguntou.
Lucas não respondeu.
Só diminuiu ainda mais a distância.
E então…
ele a beijou.
Um beijo intenso.
Sem pressa.
Como se já estivesse guardado há tempo demais.
Jéssica correspondeu na mesma hora.
Segurando a camisa dele, se aproximando ainda mais.
Cada vez o clima esquentava mais o beijo ficava mais intenso e os toques das mãos do Lucas no corpo dela ficava mais ousado.
Jessica levantou e tirou a blusa deixando Lucas ainda mais e******o.
É ali eles se entregaram completamente um para o outro.
O tempo parecia parar ali.
Sem interrupções.
Sem distrações.
Só os dois.
Quando se afastaram, ainda ficaram próximos.
Respiração acelerada.
Olhares presos.
— Acho que isso não é só diversão… — ela disse, mais baixa.
Lucas passou a mão pelo rosto dela.
— Eu também acho.
Eles se sentaram no sofá.
Mais calmos… mas ainda conectados.
A conversa começou a fluir.
Sobre coisas simples.
Sobre a vida dela na faculdade.
Sobre o jeito dele, as histórias, os planos.
— Meu irmão vai surtar — Jéssica disse, rindo.
Lucas riu também.
— Já tá surtando.
— E você?
— Eu não ligo.
Ela olhou pra ele.
— Nem um pouco?
Lucas pensou por um segundo.
— Eu só ligo pra uma coisa.
— O quê?
Ele segurou a mão dela.
— Se isso aqui é de verdade.
Jéssica ficou em silêncio…
e apertou a mão dele de volta.
— Então a gente descobre.
E, como se fosse natural…
ela se aproximou de novo.
E o beijo veio outra vez.
Mais calmo.
Mais profundo.
Naquela noite…
não era só atração.
Não era só impulso.
Era o começo de algo que nenhum dos dois queria evitar.
E, pela primeira vez…
Lucas não estava só se divertindo.
A noite já estava avançada quando Lucas pegou a chave do carro.
Jéssica estava ao lado dele, mais quieta agora… mas com aquele sorriso que não escondia nada.
— Eu te levo — ele disse.
— Eu aceito — ela respondeu, simples.
O caminho foi tranquilo.
Sem música alta.
Sem pressa.
Só conversas leves e olhares que se cruzavam de vez em quando.
Quando chegaram na casa dela, o carro parou… mas nenhum dos dois saiu na hora.
— Eu gostei de hoje — Jéssica disse, olhando pra frente.
Lucas virou o rosto pra ela.
— Eu também.
Ela respirou fundo… e então olhou pra ele.
— Isso pode complicar um pouco as coisas.
— Eu sei.
— Meu irmão…
— Eu sei — ele repetiu, com um leve sorriso.
Ela ficou em silêncio por um segundo.
Depois se inclinou.
E beijou ele de novo.
Um beijo mais calmo dessa vez.
Mas cheio de intenção.
Quando se afastou, abriu a porta.
— Boa noite, Lucas.
— Boa noite…
Ele ficou olhando ela entrar… até a porta se fechar.
Na volta pra casa, ele dirigiu em silêncio.
Mas, diferente de outras vezes…
não era vazio.
Era cheio.
Chegou, tomou um banho rápido… e caiu na cama.
Com um sorriso que nem ele tentou esconder.
No dia seguinte…
a rotina voltava.
Mas com novidades.
Carla finalmente estava liberada para voltar ao trabalho.
Ainda com alguns cuidados… mas pronta.
Quando chegou na loja, encontrou Rebeca já organizando tudo.
— Você chegou! — Rebeca disse, animada.
— Voltei! — Carla respondeu, abrindo os braços.
As duas se abraçaram forte.
Mas bastou um olhar ao redor…
pra entender a situação.
Pilhas de roupas.
Caixas.
Pedidos acumulados.
— Meu Deus… você ficou sozinha com isso tudo? — Carla perguntou.
Rebeca deu um meio sorriso.
— Não quis colocar ninguém… preferi segurar.
Carla balançou a cabeça, rindo.
— Você é maluca.
— Mas deu certo — Rebeca respondeu. — Depois do desfile… a loja explodiu.
E era verdade.
As vendas tinham aumentado muito.
Pedidos novos chegando o tempo todo.
Clientes procurando pelas peças do desfile.
— Então bora trabalhar — Carla disse, animada. — Porque agora eu tô de volta.
As duas começaram a organizar tudo.
Separando pedidos.
Arrumando vitrines.
Repondo peças.
Entre uma tarefa e outra, conversavam.
— E você… e o Rafael? — Carla perguntou, com um sorriso.
Rebeca sorriu na hora.
— Tá… cada vez melhor.
— Eu sabia — Carla respondeu. — Dá pra ver.
— E você e o Roberto? — Rebeca devolveu.
Carla ficou levemente tímida… mas sorriu.
— A gente tá tentando fazer dar certo… de verdade.
O dia passou rápido.
Cansativo.
Mas produtivo.
E no meio de tanta correria…
Rebeca nem imaginava…
que, enquanto sua vida profissional crescia…
e seu relacionamento se fortalecia…
alguém começava a se aproximar.
Com intenções que iam muito além do que ela poderia imaginar.
E dessa vez…
o perigo não vinha de fora.
Vinha de perto.
O movimento na loja não parava.
Clientes entrando e saindo, pedidos sendo separados, o som constante de conversas e embalagens.
Rebeca estava no caixa, concentrada, enquanto Carla organizava algumas peças novas na vitrine.
— A gente vai precisar contratar alguém — Carla comentou.
— Eu sei… — Rebeca respondeu, sem tirar os olhos do que fazia. — Mas eu queria ver até onde a gente aguenta.
A porta da loja se abriu novamente.
O sino tocou.
Mas, dessa vez…
não era um cliente comum.
Daniel entrou.
Discreto.
Observando tudo ao redor.
Ele demorou um segundo a mais do que o normal na porta.
Como se estivesse analisando o ambiente.
Mas, na verdade…
estava procurando por ela.
E encontrou.
Rebeca.
Ela levantou o olhar por reflexo.
E sorriu, educada.
— Oi… posso te ajudar?
Daniel se aproximou devagar.
— Pode sim.
O tom dele era calmo.
Controlado.
Carla, ao fundo, percebeu.
Mas não disse nada.
Só observou.
— Eu tava passando por perto… — Daniel começou. — e resolvi conhecer a loja.
Rebeca sorriu.
— Que bom! Fica à vontade.
Ele caminhou pelo espaço, olhando as peças.
Mas, na verdade…
prestava atenção nela.
Nos movimentos.
No jeito.
— O desfile foi seu, né? — ele perguntou, pegando uma peça.
— Foi sim — ela respondeu, se aproximando. — Gostou?
— Muito — ele disse, olhando pra ela… não pra roupa.
Rebeca não percebeu o peso daquele olhar.
Pra ela, era só educação.
— Essas peças aqui foram as que mais venderam — ela explicou, mostrando algumas.
Daniel se aproximou mais.
Perto demais.
Mas ainda dentro do limite.
— Dá pra entender o porquê — ele disse.
Carla, de longe, franziu levemente a testa.
Algo ali… não parecia tão comum.
— Você trabalha com isso há muito tempo? — Daniel perguntou.
— Já tem um tempo — Rebeca respondeu. — É algo que eu amo.
— Dá pra ver.
O silêncio que veio depois foi curto… mas carregado.
Daniel decidiu avançar um pouco mais.
— Você tem muito talento… — disse. — Não é só a loja.
Rebeca sorriu, um pouco sem jeito.
— Obrigada…
Ele sustentou o olhar por mais um segundo.
Mais do que o necessário.
— E você? — ela perguntou, tentando manter a conversa normal. — Trabalha com o Rafael, né?
— Trabalho — ele respondeu. — Tô no lugar do Roberto por enquanto.
Ela assentiu.
— Ele falou de você.
Daniel deu um leve sorriso.
— Espero que tenha sido bem.
— Foi sim.
Carla se aproximou nesse momento.
— Oi — disse, entrando na conversa. — Quer ajuda com alguma coisa?
O tom dela era educado… mas atento.
Daniel percebeu.
E respondeu na mesma linha.
— Tô só conhecendo.
Rebeca olhou entre os dois… sem entender totalmente o clima.
— Se precisar de algo, é só chamar — Carla completou.
Daniel assentiu.
Mas antes de sair…
olhou mais uma vez para Rebeca.
— Foi um prazer te conhecer melhor — disse.
O “melhor” veio com um peso sutil.
Rebeca sorriu.
— Igualmente.
Ele saiu.
Mas deixou algo no ar.
Assim que a porta se fechou, Carla virou na hora.
— Esse novato é oque tem de bonito tem de estranho.
— Porque você está falando isso?
Carla cruzou os braços.
— Sei lá… achei ele meio… diferente.
— Diferente como?
— Não sei explicar… só… fica atenta.
Rebeca deu um leve riso.
— Você tá vendo coisa.
Mas, mesmo dizendo isso…
algo naquele encontro…
ficou na cabeça dela.
E do lado de fora…
Daniel parou por um momento.
Olhou para a vitrine.
E sorriu de leve.
Porque, pra ele…
aquilo não tinha sido só uma visita.
Tinha sido o começo de algo que