Capítulo 34

1187 Words
A casa ainda estava cheia de risadas quando Roberto e Carla estavam se preparando para ir embora. — Não vale sumir no meio da festa! — Lucas gritou. — Hoje pode! — Roberto respondeu, puxando Carla, que ainda sorria com o anel no dedo. O clima continuava leve. Música, conversa, gente na piscina. Até que… algo mudou. Lucas, distraído, olhou para o celular. As câmeras da casa. E congelou. — Ei… — chamou, mais baixo. — Tem alguém no fundo. Daniel foi o primeiro a reagir. — Deixa eu ver. Três homens. Pulando o muro. Se movendo rápido. O clima mudou na hora. — Todo mundo fica aqui — Daniel disse, firme. As meninas já começaram a ficar nervosas. — O que tá acontecendo? — Camila perguntou. — Só fiquem calmas — Rafael respondeu, puxando Rebeca pra perto. Daniel saiu sem fazer alarde. Foi direto até o carro. Quando voltou… estava diferente. Mais sério. Mais frio. Na mão… um revólver. — Fiquem em silêncio — disse baixo. Ninguém questionou. Ele olhou mais uma vez pelas câmeras. Calculando. E então… foi. Rafael e Lucas ficaram. Protegendo. — Vai ficar tudo bem — Rafael disse, tentando acalmar. Mas até ele estava tenso. As meninas estavam juntas. Assustadas. Camila segurava a mão de Rebeca. — Meu Deus… No fundo da casa… silêncio. Passos leves. Movimento calculado. Daniel se aproximou. Como alguém que já fez aquilo antes. Os homens estavam distraídos. E então… aconteceu. Um disparo. Depois outro. O som ecoou pela casa. — Abaixa! — Rafael gritou. Todos se jogaram no chão. Corações acelerados. Respiração presa. Segundos que pareceram eternos. Silêncio. Mais alguns movimentos. Até que… Daniel apareceu. Andando firme. Sem pressa. — Tá tudo bem — disse. As meninas levantaram devagar. — Já resolvi. Lucas e Rafael foram até o fundo. Os três homens estavam no chão. Imobilizados. Mãos presas com correias plásticas. Lucas olhou. Sem acreditar. — Cara… Rafael ficou em silêncio. Observando Daniel. A forma como ele agiu. A precisão. Não era comum. Não era só instinto. Era experiência. Lá na frente, as meninas já ligavam para a polícia. Minutos depois, a viatura chegou. — O que aconteceu aqui? — o policial perguntou. Lucas explicou. Ainda meio em choque. Os homens foram levados. Um dos policiais olhou para Daniel. — Você reagiu rápido. Daniel deu de ombros. — Tive que agir. Nada mais. Lucas acompanhou a polícia até a delegacia para registrar tudo. Enquanto isso… o silêncio tomou conta da casa. A festa tinha acabado. As meninas ainda estavam assustadas. Camila olhou para Daniel. — Você tá bem? Ele assentiu. — Tô. Mas Rafael… ainda observava. Porque, no fundo… algo não encaixava. A forma como tudo aconteceu. Rápido demais. Frio demais. E, pela primeira vez em muito tempo… uma dúvida voltou. Quem era, de verdade… Daniel? O silêncio tomou conta da casa. A música já não fazia sentido. A piscina vazia. O clima… pesado. As meninas estavam juntas no sofá, ainda tremendo. Camila abraçada com Rebeca, enquanto Carla tentava se recompor. — Meu Deus… — Carla repetia. — Eu achei que a gente ia morrer… Rafael foi até o bar. Pegou uma garrafa de uísque. Serviu algumas doses. — Toma… vai ajudar a acalmar — disse, entregando primeiro para Rebeca. Ela segurou o copo com a mão ainda trêmula. — Obrigada… Carla também pegou. Camila hesitou, mas acabou aceitando. — Respira… já passou — Rafael disse, tentando manter todos firmes. Daniel estava mais afastado. Calado. Mas sentia os olhares. Principalmente um. Rafael. Lucas voltou pouco depois da delegacia. Ainda impressionado. — Já resolvi tudo lá… os caras vão ficar presos. Ele olhou para Daniel. — Cara… você foi rápido demais. Silêncio. Todos agora prestavam atenção. Rafael cruzou os braços. — Eu também achei. Daniel respirou fundo. Já esperando por aquilo. — Eu já passei por um assalto antes — disse, com calma. — Não quis ficar parado de novo. Lucas assentiu, tentando entender. — Mas… armado? Daniel respondeu sem mudar o tom: — Eu ando com arma em casa… segurança. Carla franziu a testa. — Mas você nunca falou isso… — Não achei que precisava — ele respondeu. O clima ficou estranho. Rafael deu um passo à frente. — E saber agir daquele jeito? Daniel olhou direto pra ele. — Treinamento. — De bombeiro não é — Rafael rebateu. Silêncio pesado. Camila olhou de um para o outro. — Ei… — disse, tentando quebrar. — Ele salvou a gente. Rebeca concordou, ainda abalada. — Se não fosse ele… Carla assentiu. — É… isso é verdade. Lucas passou a mão na cabeça. — Independente de como… ele resolveu. Rafael desviou o olhar por um momento. Pensando. Ele não queria criar problema. Não ali. Não naquele momento. Mas a dúvida… não saiu. Daniel percebeu. — Eu só fiz o que precisava — disse, mais baixo. O silêncio voltou. As meninas terminaram de beber. Mais calmas. Mas ainda sensíveis. Camila se levantou e foi até Daniel. — Obrigada… de verdade. Ele olhou pra ela. E assentiu. Mas, mesmo com o agradecimento… mesmo com o alívio… algo tinha mudado. Rafael sabia. Lucas sentia. E até Carla… já não parecia tão certa. A explicação estava ali. Mas não era suficiente. E, pela primeira vez… a máscara de Daniel… deu uma pequena rachada. Quase invisível. Mas perigosa. Mas Daniel decidiu quebrar aquilo de vez. Ele se levantou devagar. Olhou para todos. — Vocês queriam que eu fizesse o quê? — disse, firme, mas sem agressividade. O silêncio caiu na hora. — Eu já fiz artes marciais… nunca levei até o fim, mas sei me defender. Ele deu de ombros, tentando parecer simples. — E o revólver… eu tenho porque sempre gostei. É meu, registrado. Falou com naturalidade. Sem hesitar. Rebeca foi a primeira a reagir. — Você tá certo, Daniel… — disse, ainda com o copo na mão. — A gente só tem a te agradecer. Carla assentiu. — É… você salvou a gente. Camila olhava pra ele com orgulho. Rafael respirou fundo. A tensão ainda estava ali… mas ele cedeu. — É… Daniel… desculpa tantas perguntas. Pausa. — E… obrigado. Lucas, já tentando trazer o clima de volta, deu um sorriso. — Rapaz… depois dessa, eu virei teu fã. A tensão foi quebrando aos poucos. Lucas bateu palma. — Seguinte! Todos olharam. — Hoje não é dia de ficar nisso… nossos amigos ficaram noivos! Um pequeno sorriso voltou aos rostos. — Então vamos fazer assim… — ele continuou. — Mais uma rodada de cerveja! — Agora sim! — E vamos tentar se distrair… — Lucas completou. — Afinal… a gente tem um casamento pra organizar. Carla sorriu, emocionada. — Verdade… Rebeca levantou o copo. — Aos noivos! — Aos noivos! — todos repetiram. As garrafas se encontraram novamente. A música voltou, mais baixa. As conversas retomaram. E, pouco a pouco… o clima foi ficando leve de novo. Mas, mesmo com as risadas… mesmo com a tentativa de seguir em frente… Rafael ainda lançou um último olhar para Daniel. Rápido. Discreto. Como quem guarda algo. E Daniel percebeu. Mas, dessa vez… apenas ignorou. Porque, por enquanto… ele tinha conseguido. Desviar. Mas não apagar.
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