Capítulo 32

1281 Words
A noite continuou leve… como se o tempo tivesse decidido desacelerar só para eles. O som do mar, a brisa batendo de leve, as risadas ecoando na areia. Tudo parecia no lugar certo. Lucas puxou uma música no celular, deixando o clima ainda mais descontraído. — Agora sim… — disse, se jogando na areia. Jéssica sentou ao lado dele. — Você nunca para, né? — Só quando precisa — ele respondeu, olhando pra ela. — E agora precisa? Ele sorriu. — Nem um pouco. Eles riram juntos. Cada vez mais próximos. Mais afastados, Carla e Roberto caminhavam perto da água. De mãos dadas. Sem pressa. — Engraçado como tudo mudou rápido… — Carla disse. — Ainda bem que mudou — Roberto respondeu. — Porque eu não quero mais te perder. Ela apertou a mão dele. — Nem eu. Sentados na areia, Rafael e Rebeca estavam abraçados. — Eu gosto disso… — ela disse, encostando a cabeça no ombro dele. — Do quê? — Da gente… da paz… de todo mundo junto. Rafael olhou ao redor. — É raro… mas quando acontece… vale a pena. Daniel e Camila também estavam mais próximos. Ela encostada nele, tranquila. — Eu senti sua falta — disse, baixinho. Dessa vez… Daniel respondeu sem hesitar. — Eu também senti. E, pela primeira vez desde que voltou… parecia verdadeiro. Eles ficaram em silêncio por um tempo. Só curtindo o momento. Até que Lucas levantou de repente. — Seguinte! Todos olharam. — A gente precisa repetir isso. Leandro riu. — Já tá marcando outro? — Claro — Lucas respondeu. — Não pode esperar dar problema pra reunir. Carla concordou. — Ele tem razão. Rebeca completou: — Próximo final de semana? — Fechado — Roberto disse. Jéssica olhou pra Lucas. — Mas dessa vez na minha casa. — Opa… gostei — ele Camila entrou na conversa: — Ou a gente pode fazer algo maior… tipo um dia inteiro. Rafael assentiu. — Churrasco, piscina… todo mundo junto de novo. — Então pronto — Lucas disse. — Já virou tradição. Todos riram. E ali, naquele momento… não era só um encontro. Era um grupo que tinha se encontrado de verdade. Amizade. Conexão. Laços ficando mais fortes. Sem medo. Sem peso. Daniel olhou ao redor. Viu todos rindo. Felizes. E, por um instante… desejou que aquilo fosse suficiente. Que aquela vida fosse a única. Mas, no fundo… ele sabia. Que não era. Mesmo assim… naquela noite… ele decidiu apenas viver. Sem pensar no depois. Porque, às vezes… a felicidade vem assim. Simples. Leve. E intensa. E todos ali… estavam exatamente onde queriam estar. Juntos. A noite foi chegando ao fim devagar. O clima ainda era leve, mas o cansaço começou a bater. Um por um, eles foram se levantando da areia. — Já deu por hoje — Roberto disse, espreguiçando. — Foi bom demais — Carla completou. Despedidas começaram. Abraços demorados. Promessas de repetir. Lucas puxou Jéssica pela mão. — Eu te levo. Ela sorriu. — Eu deixo. Rafael abraçou Rebeca. — Vamos? — Vamos. Daniel ficou por último com Camila. Ela encostou nele. — Hoje foi perfeito. Ele passou o braço por ela. — Foi. E assim… cada um seguiu seu caminho. Com alguém ao lado. Com a sensação de que tudo estava no lugar. Mas o dia seguinte… não deu tempo nem de sentir saudade. O rádio do quartel já começou a tocar cedo. PRIMEIRA OCORRÊNCIA — Incêndio em residência! Rafael, Roberto e Daniel já estavam no caminhão. Sirene ligada. Coração acelerado. Chegando lá, o cenário era tenso. Fumaça saindo pelas janelas. Vizinhos desesperados. — Tem gente dentro! — alguém gritou. Rafael não pensou duas vezes. — Equipamento! Vamos! Eles entraram. Calor intenso. Visibilidade baixa. Daniel foi direto. Rápido. Precisão total. Encontrou uma senhora presa em um dos cômodos. — Calma… eu tô aqui. Ele a carregou para fora. Sem hesitar. Do lado de fora, aplausos. Alívio. Mas não havia tempo. SEGUNDA OCORRÊNCIA Acidente na rodovia. O caminhão já seguiu direto. Um carro capotado. Outro destruído na lateral. Roberto assumiu a frente. — Vamos tirar eles daí! Uma vítima presa nas ferragens. Consciente… mas em choque. Daniel pegou as ferramentas. Começou o trabalho. Corte preciso. Rápido. — Fica comigo — Rafael dizia para a vítima. Minutos de tensão. Até conseguirem retirar. Ambulância levou. Mais uma vida salva. Mas o dia não parava. TERCEIRA OCORRÊNCIA Queda em área de construção. Um trabalhador preso entre estruturas. Leandro e Lucas chegaram para ajudar. Equipe completa. — Cuidado com a base! — Daniel alertou. Dessa vez, ele estava mais atento. Mais estratégico. O resgate foi delicado. Mas bem-sucedido. No fim… todos estavam exaustos. Sentados no quartel, respirando fundo. — Que dia… — Roberto disse. Rafael passou a mão no rosto. — Não deu nem pra pensar. Lucas riu. — E ontem a gente na praia… Daniel ficou em silêncio. Mas, diferente do que parecia… aquilo ali era mais fácil pra ele. Salvar vidas. Agir certo. Ser quem ele queria ser. Era simples. O difícil… era o que vinha depois. Porque, mesmo ali… com o uniforme… com os amigos… o outro lado ainda existia. E estava só esperando o momento de aparecer de novo. Enquanto o dia dos meninos foi corrido e cheio de adrenalina… na loja, o ritmo era outro. Mas não menos intenso. Rebeca chegou primeiro, como de costume. Abriu a loja, organizou o caixa e deu uma olhada geral. Tudo no lugar. Pouco depois, Carla apareceu. — Bom dia! — Bom dia — Rebeca respondeu. — Hoje vai ser puxado, tô sentindo. Camila chegou logo em seguida, já animada. — Trouxe café! — Agora você virou minha pessoa favorita — Carla brincou. As três riram. O movimento começou cedo. Clientes entrando, olhando vitrines, experimentando peças. — Posso te ajudar? — Camila perguntou, já entrando no ritmo. — Quero ver algo pro final de semana — uma cliente respondeu. Rebeca trouxe algumas opções. Carla organizava o provador. Tudo funcionando em sintonia. — Essa aqui ficou perfeita — Carla disse para uma cliente, ajustando o vestido. — Eu amei — a cliente respondeu, sorrindo. Venda fechada. Entre uma cliente e outra, elas conversavam. — Eu ainda tô pensando na noite de ontem — Camila comentou. — Foi bom demais — Rebeca respondeu. — A gente precisava disso — Carla completou. O clima entre elas estava cada vez melhor. Leve. Natural. Em um momento mais tranquilo, Camila comentou: — Eu nunca pensei que fosse gostar tanto de trabalhar em loja. Rebeca sorriu. — Aqui é diferente. Carla completou: — A gente se ajuda… faz acontecer. Camila assentiu. — Dá pra sentir. Mais clientes entraram. Uma adolescente procurando algo para uma festa. Uma senhora querendo renovar o guarda-roupa. E as três atendiam cada uma com atenção. — Você tem bom gosto — uma cliente disse para Camila. Ela sorriu. — Tô aprendendo com as melhores. Rebeca e Carla trocaram um olhar orgulhoso. No meio da tarde, a loja estava cheia. Sacolas sendo entregues. Máquina de cartão sem parar. — Depois do desfile… isso aqui mudou — Carla disse, olhando o movimento. — Mudou mesmo — Rebeca respondeu. Camila observava tudo. E, pela primeira vez em muito tempo… se sentia no lugar certo. No fim do expediente, as três estavam cansadas. Mas satisfeitas. — Hoje foi bom — Camila disse, sentando um pouco. — Foi ótimo — Rebeca respondeu. Carla se encostou no balcão. — E amanhã tem mais. As três riram. Rotina simples. Trabalho. Parceria. Mas era justamente isso… que estava construindo algo forte entre elas. Uma amizade de verdade. E, mesmo sem saber… aquele lugar… aquela rotina… logo seria impactada por coisas muito maiores. Mas, por enquanto… era só mais um dia. E estava tudo bem.
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