Capítulo 28

1143 Words
A noite foi chegando ao fim. As conversas diminuíram, os copos foram esvaziando… e, aos poucos, cada um começou a se despedir. — Foi bom demais — Roberto disse, se levantando. — A gente repete — Carla respondeu. Rebeca abraçou Camila. — Amanhã cedo a gente se vê. — Tô dentro — ela disse, sorrindo. Rafael cumprimentou Daniel com um aperto de mão firme. — Boa noite. — Boa — Daniel respondeu, no mesmo tom. Mas o olhar dos dois… ainda dizia mais do que as palavras. Um por um, foram saindo. Até que sobraram apenas Daniel e Camila. — Vamos? — ela perguntou. — Vamos — ele respondeu. Na casa dele, o clima era diferente. Silencioso. Íntimo. Camila entrou tirando os sapatos, mais à vontade. — Eu gostei de hoje… — disse, se virando pra ele. Daniel fechou a porta… e ficou olhando por um segundo. — Eu também. Ela se aproximou devagar. — Você tava meio quieto… — Cansado só — ele respondeu. Camila não insistiu. Apenas encostou nele. — Vem cá… Ele a abraçou. E, por um momento… ele se entregou ao momento sua mão começou a tirar as roupas da Camila como se tivesse pressa,e seus lábios começou a percorrer seu pescoço e deslizar em seus s***s,Camila se entregou por completo para aquele desejo. Ao que tinha ali. Daniel correspondeu. O beijo foi intenso. Quente. Sexo sem pressa. Sem interrupção. Mas, no meio daquele momento… algo mudou dentro dele. Por um segundo… o rosto que vinha à mente… não era o de Camila. Era o de Rebeca. O sorriso. O jeito. O olhar. Ele fechou os olhos com mais força. Como se tentasse afastar aquilo. Mas não conseguiu. Camila, envolvida, não percebeu. Para ela… era real. Presente. Mas, para ele… começava a se misturar. E aquilo… tornava tudo ainda mais perigoso. Depois, já mais calmos, deitados… Camila apoiou a cabeça no peito dele. — Eu gosto de estar com você… — disse, tranquila. Daniel passou a mão no cabelo dela. Mas o olhar estava distante. — Eu também… — respondeu. Mas, dessa vez… nem ele acreditou totalmente no que disse. Porque, mesmo ali… com tudo aparentemente certo… a mente dele ainda estava em outro lugar. E esse sentimento… só estava crescendo. A madrugada estava silenciosa. Camila já dormia tranquila, deitada ao lado de Daniel, com a respiração leve. Mas ele… não conseguia dormir. O olhar perdido no teto. A mente inquieta. O celular vibrou sobre o criado-mudo. Uma ligação. Número conhecido. Daniel franziu a testa na hora. Atendeu rápido… mas se levantou imediatamente. — Já volto — sussurrou, saindo do quarto sem fazer barulho. Camila nem se mexeu. Ele foi até a sala. Fechou a porta com cuidado. Só então falou: — Fala. Do outro lado… uma voz firme. Fria. — Demorou pra atender. Daniel passou a mão no rosto. — Tava ocupado. — Sempre ocupado… — respondeu o homem. — Ou tentando fugir? O nome dele era Fabiano. Irmão de Daniel. E não era qualquer irmão. Fabiano era o chefe de uma grande organização. Um homem respeitado… e temido. — O que você quer? — Daniel perguntou, direto. — Você. Silêncio. Pesado. — Faz tempo que você tá sumido — Fabiano continuou. — E eu não gosto disso. Daniel fechou os olhos por um segundo. — Eu tô trabalhando. — Bombeiro? — o tom veio carregado de ironia. — Desde quando você se contenta com pouco? Daniel apertou o celular. — Desde que eu quis sair disso. Fabiano riu baixo. — Você pode até tentar… mas isso nunca sai de você. E era verdade. Porque, por trás do bombeiro correto… disciplinado. existia alguém que já tinha vivido outra realidade. Mais escura. Mais perigosa. E que, muitas vezes… ainda era puxado de volta. — Eu não quero me envolver — Daniel disse, firme. — Você já está envolvido — Fabiano respondeu. — Sempre esteve. O silêncio voltou. — Eu preciso de você — Fabiano completou. — Tem coisa acontecendo… e eu não confio em mais ninguém. Daniel respirou fundo. Conflito. Raiva. Mas também… lealdade. — Eu vou pensar — disse. — Não demora — Fabiano respondeu. — Porque quando eu precisar… eu vou chamar de novo. A ligação caiu. Daniel ficou parado. O celular ainda na mão. O olhar mais pesado. Mais frio. Aquele lado… que ele tentava esconder… estava ali. Vivo. Ele passou a mão no rosto. Tentando se recompor. Mas sabia. Por mais que tentasse viver outra vida… ser outra pessoa… aquilo fazia parte dele. E agora… estava voltando. Quando voltou pro quarto, Camila ainda dormia. Tranquila. Sem saber de nada. Daniel deitou ao lado dela. Mas dessa vez… não havia paz. Porque o passado tinha batido à porta. E, cedo ou tarde… ele teria que atender. O dia amanheceu… mas Daniel não descansou de verdade. Mesmo deitado ao lado de Camila, ele praticamente não dormiu. A ligação ainda ecoava na cabeça. A voz de Fabiano. A pressão. O passado. Quando o despertador tocou, Camila se mexeu devagar. — Bom dia… — disse, ainda sonolenta. Daniel já estava sentado na beira da cama. — Bom dia. O tom… diferente. Mais seco. Ela percebeu na hora. — Você nem dormiu, né? — Dormi sim — ele respondeu, sem olhar pra ela. Mentira. Camila se levantou, se aproximando. — Tem certeza que tá tudo bem? Ele respirou fundo. — Tá. Curto. Encerrando o assunto. Ela não insistiu. Mas sentiu. Algo tinha mudado. No quartel, mais tarde, Rafael também percebeu. Daniel estava mais quieto. Mais tenso. Durante um atendimento, ele foi direto demais. Frio. Sem a mesma leveza de antes. — Ei… calma — Roberto disse, em um momento. — Eu tô calmo — Daniel respondeu, firme demais. Rafael observava tudo. Sem falar nada. Mas guardando. Depois, já no intervalo, ele se aproximou. — Aconteceu alguma coisa? Daniel nem olhou. — Não. — Tá estranho desde ontem. — Impressão sua. Rafael cruzou os braços. — Não é. Daniel levantou. — Eu tenho coisa pra fazer. E saiu. Rafael ficou olhando. Desconfiado. Enquanto isso, na loja… Camila também não conseguia ignorar. — Ele tá diferente — disse, dobrando uma peça. Carla olhou. — Eu percebi ontem. Rebeca tentou manter leve. — Deve ser coisa do trabalho. Camila balançou a cabeça. — Não… é mais que isso. Ela lembrou da noite. Da distância. Do olhar perdido. — Parece que ele tá em outro lugar — completou. Carla e Rebeca trocaram um olhar. Agora… mais sérias. Porque aquilo começava a se repetir. E do outro lado… Daniel estava sozinho. Encostado na parede do quartel. O celular na mão. O olhar distante. Uma mensagem de Fabiano: "Não esquece quem você é." Ele travou o maxilar. Guardou o celular. E naquele momento… algo dentro dele começou a mudar. Menos controle. Mais impulsividade. Mais frieza. O tipo de mudança… que não passa despercebida por muito tempo.
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