Capítulo 41

1350 Words
Daniel ficou parado por alguns segundos, o celular ainda na mão. A respiração pesada, o olhar perdido. — Marcelo… Ele andou pela sala, tentando organizar os pensamentos. — Tinha que ser você… Pegou o celular novamente, pensando em ligar para alguém… mas parou. — Não… ainda não. Sentou no sofá, passando a mão no rosto. — Eu trouxe isso pra eles… Silêncio. — Não… eu vou resolver isso. Enquanto isso, no bar, o grupo ainda tentava relaxar, mas o clima continuava estranho. — Ele saiu muito sério — Camila disse. — Daniel sempre foi mais fechado — Lucas respondeu. Rafael não parecia convencido. — Não é só isso. Rebeca olhou pra ele. — Você também tá achando estranho? — Tô… desde ontem. Carla suspirou. — Gente… a gente já tem problema demais pra começar a desconfiar um do outro. Roberto concordou. — Ela tem razão. Camila olhou para a porta. — Eu vou mandar mensagem pra ele. — Manda — Rafael disse. Ela pegou o celular. — “Chegou bem?” Na casa de Daniel, o celular vibrou. Ele olhou a mensagem… mas não respondeu. — Desculpa… Levantou e foi até a janela, olhando a rua escura. — Você quer guerra… então vai ter. Do outro lado da cidade, Marcelo estava em um galpão, olhando algumas fotos espalhadas. — Ele já sabe… Um dos homens perguntou: — Como você tem certeza? Marcelo sorriu de leve. — Porque eu conheço ele. — E isso muda alguma coisa? — Muda tudo… agora o jogo fica interessante. Ele pegou a foto de Rebeca. — E ela… já tá com medo. — Próximo passo? Marcelo respondeu sem hesitar. — Aumentar a pressão. — Como? Ele olhou para outra foto… dessa vez de Rafael. — Agora a gente mexe com ele. — O bombeiro? — Sim… o herói. Marcelo guardou as fotos. — Quero ver até onde ele aguenta. De volta ao bar, Camila olhou o celular. — Ele não respondeu. Rafael falou na hora. — Estranho. Rebeca ficou mais tensa. — Será que aconteceu alguma coisa? Lucas tentou acalmar. — Deve estar só pensando… ele disse que precisava disso. Rafael não tirava os olhos da porta. — Espero que seja só isso. Na casa de Daniel, ele já pegava as chaves. — Não dá pra esperar. Saiu decidido. — Eu vou acabar com isso antes que chegue neles de verdade. E, naquele momento… duas coisas começaram ao mesmo tempo. Marcelo preparando o próximo ataque. E Daniel… indo direto ao encontro do passado que ele tentou deixar pra trás. Daniel saiu de casa sem rumo certo, entrou no carro e ficou alguns segundos parado antes de ligar. — Eu não sei onde você tá… Deu um soco leve no volante. — Mas eu sei como você pensa. Ligou o carro e começou a rodar pela cidade, mente acelerada. — Você não ia aparecer assim do nada… você quer jogo… quer tempo. Respirou fundo. — Então eu vou te dar… mas do meu jeito. Enquanto dirigia, começou a pensar em tudo que podia fazer. — Proteger eles primeiro… sempre. Pegou o celular e mandou mensagem no grupo. — “Fiquem juntos hoje. Não se separem.” Lucas respondeu rápido. — “A gente já tá junto.” Rafael mandou logo depois. — “O que tá acontecendo?” Daniel ficou olhando a tela… mas não respondeu. — Ainda não… Guardou o celular. — Quanto menos eles souberem… melhor. No galpão, Marcelo também pensava. Andava de um lado pro outro, analisando cada detalhe. — Ele já entendeu. Um dos homens perguntou: — Vai mudar o plano? — Não… vou melhorar. Ele parou e olhou as fotos novamente. — Ele vai tentar proteger eles… é isso que ele faz. — Então a gente separa. Marcelo sorriu de leve. — Exatamente. — Como? — Criando situações… obrigando eles a se dividir. Silêncio. — E quando ele não conseguir estar em todos os lugares… Marcelo completou frio: — Eu entro. No bar, o grupo ainda conversava, mas o clima estava longe de ser leve. — Ele mandou mensagem — Lucas disse. — O que ele falou? — Camila perguntou. — Pra gente não se separar. Rafael franziu a testa. Rebeca ficou mais tensa. Carla segurou a mão dela. — A gente vai ficar junto… como ele falou. Roberto concordou. — Hoje ninguém se afasta de ninguém. No galpão, Marcelo recebeu uma ligação. — Fala. — Eles estão todos juntos. — A gente devia fazer alguma coisa agora. Marcelo pensou por um segundo. — Não… ainda não. — Então quando? Ele sorriu de leve. — Vamos fazer oque eu disse atingir agora o bombeiro. Daniel parou o carro em um ponto alto da cidade, olhando as luzes ao longe. — Você quer brincar com a mente deles… Respirou fundo. — Então eu vou entrar no seu jogo. Do outro lado, Marcelo olhava a mesma cidade de outro ponto. — Vem, Daniel… Um leve sorriso surgiu. — Eu tô esperando. E, naquele momento… sem se verem… os dois já estavam jogando. Um tentando proteger. O outro tentando destruir. E nenhum dos dois… ia recuar. O dia amanheceu com uma sensação estranha, como se algo pudesse acontecer a qualquer momento. Mesmo assim, todos tentavam seguir a rotina. Na loja, as três chegaram juntas. — Hoje ninguém sai sozinha — Carla disse. — Nem pra ir no banheiro — Camila completou, tentando brincar. Rebeca deu um leve sorriso. — Eu tô falando sério… eu não vou me afastar de vocês. O celular dela vibrou. Era o grupo. — “Já chegaram?” — Lucas mandou. — “Sim, juntas” — Rebeca respondeu. — “Qualquer coisa chama” — Roberto escreveu. Camila comentou: — A gente virou escolta agora. — Melhor assim — Carla respondeu. — No quartel, Rafael e os outros também estavam mais atentos que o normal. — Hoje o dia vai ser longo — Roberto disse. — E a gente vai ficar ligado em tudo — Rafael respondeu. O celular dele vibrou. — “Já estamos na loja” — mensagem de Rebeca. Ele respondeu na hora. — “Qualquer coisa me liga.” Daniel estava mais afastado, pensativo. — Ele não vai repetir o mesmo padrão… Rafael olhou pra ele. — O que você quer dizer? — Que ele vai mudar o alvo. Silêncio. — Quem? — Roberto perguntou. Daniel respondeu direto: — Você… ou ele. E olhou para Rafael. Do outro lado da cidade, Marcelo já estava em movimento. Dentro do carro, observando o quartel à distância. — Hoje é o dia dele. Um dos homens perguntou: — Vai fazer o quê? — Algo simples… mas eficiente. Ele pegou o celular e mostrou uma foto recente de Rafael. — Ele é protetor… impulsivo… vai reagir. — Então a gente usa isso. Marcelo assentiu. — Exatamente. No quartel, o rádio estourou. — “Ocorrência de acidente grave, possível vítima presa nas ferragens!” Rafael já levantou. — Vamos! A equipe correu, entrando no caminhão. Daniel olhou por um segundo antes de entrar. — Isso tá rápido demais… O caminhão saiu em alta velocidade. Dentro do carro, Marcelo sorriu ao ouvir a sirene ao longe. — Pegou a isca. — Você armou isso? Marcelo respondeu frio. — Eu só empurrei as peças. No local, o acidente parecia real. Um carro destruído, fumaça leve, gente ao redor. Rafael desceu rápido. — Isola a área! Roberto foi para um lado, Daniel para outro. Rafael se aproximou do carro. — Tem alguém aí dentro? Silêncio. Ele forçou a porta… vazia. — Não tem ninguém… Daniel chegou rápido. — Isso tá errado. Rafael olhou ao redor. — Muito errado. Do outro lado da rua, dentro de um carro escuro, Marcelo observava. — Agora… Dentro do carro tinha um papel com uma mensagem. Ele pegou. Uma mensagem desconhecida. — “Você deixou ela sozinha.” O sangue gelou. — Não… Daniel viu na hora. — O que foi? Rafael mostrou a mensagem. — Ele tá jogando com a gente. No carro, Marcelo sorriu. — Corre, herói… Rafael já pegava o celular, ligando. — Rebeca… atende…
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