Capítulo 42

1265 Words
Rafael tentava ligar, o telefone chamando sem parar. — Atende… atende… Rebeca atendeu alguns segundos depois. — Oi… — Você tá onde? — Na loja… com as meninas… por quê? Rafael respirou aliviado por um segundo. — Fica aí… não sai pra nada. — O que aconteceu? — Depois eu explico… só não sai. Daniel observava tudo. — Ele só quer te tirar do lugar. Rafael respondeu tenso. — Ele quase conseguiu. Horas depois, o dia parecia seguir, mas o grupo estava ainda mais atento. No celular, mensagens o tempo todo. — “Todo mundo bem?” — Carla mandou. — “Sim” — Camila respondeu. — “Aqui também” — Rebeca escreveu. — “Qualquer coisa avisa na hora” — Lucas respondeu. Lucas estava em casa, mexendo no celular, tentando se distrair. — Isso tá ficando cansativo… Uma mensagem chegou de um número desconhecido. — “Entrega pra você. Portão.” Lucas franziu a testa. — Entrega? Eu não pedi nada. Foi até o portão, olhando com cuidado. — Quem é? Ninguém respondeu. Ele abriu devagar… Uma caixa no chão. — Que merda é essa… Pegou a caixa, ainda desconfiado. — Deve ser alguma coisa errada… Levou pra dentro. Do outro lado da cidade, Marcelo observava através de um carro estacionado. — Ele pegou. — Tem certeza que vai funcionar? Marcelo respondeu calmo. — Vai assustar mais que os outros. Dentro da casa, Lucas colocou a caixa na mesa. — Eu não tô gostando disso… Mandou mensagem no grupo. — “Recebi uma caixa aqui em casa… alguém sabe disso?” Rafael respondeu na hora. — “Não abre.” Daniel também mandou. — “Espera.” Lucas olhou a caixa. — Já era… Abriu. Dentro… uma outra caixa menor. E dentro dela… um celular quebrado. Tela trincada. Ainda sujo… como se tivesse sido retirado de algum lugar. E um papel. Lucas pegou, mãos tremendo. — “O próximo pode ser você.” — Não… não… Ele recuou. — Isso não é brincadeira… Pegou o celular, ligando na hora. — Rafael! No outro lado, Rafael atendeu. — O que foi? — Ele mandou outra coisa… tá pior. — O que tem aí? — Um celular quebrado… e um recado. Silêncio pesado. Daniel ouviu e falou. — Ele tá aumentando a pressão. Rafael respondeu firme. — Fica aí, não sai. Tô indo. No carro, Marcelo sorria satisfeito. — Agora sim… — Ele assustou? — Muito mais. Marcelo olhou para frente, tranquilo. — Agora eles começam a perder o controle. Na casa, Lucas andava de um lado pro outro. — Ele tá dentro da nossa vida… isso não é normal… Não demorou muito e todos começaram a chegar na casa de Lucas. O clima já era outro, pesado, cheio de tensão. — Cadê a caixa? — Rafael perguntou ao entrar. — Tá aqui — Lucas respondeu, apontando para a mesa. Carla se aproximou. — Meu Deus… Camila ficou parada, olhando de longe. — Eu não tô gostando disso… Rebeca chegou por último, já preocupada. — O que aconteceu agora? Lucas entregou o papel. — Lê isso. Ela leu… e o rosto mudou na hora. — Não… isso tá piorando… Rafael pegou o celular quebrado, analisando. — Isso aqui não foi por acaso. Roberto concordou. — Ele quer mostrar que pode chegar perto. Silêncio pesado. — Isso não é mais só ameaça — Carla disse. — É aviso — Camila completou. Rafael respirou fundo. — A gente precisa agir. Lucas andava de um lado pro outro. — Como? A gente não sabe nem quem é esse cara. Rebeca falou baixo. — Ele sabe tudo da gente… Todos olharam para Daniel, que estava mais afastado, encostado na parede. — Daniel… fala alguma coisa — Rafael disse. Ele levantou o olhar devagar. — Ele tá controlando o ritmo. — Como assim? — Lucas perguntou. — Ele escolhe quando aparece… como aparece… e quem atinge. Silêncio. Carla perguntou: — E o que a gente faz então? Daniel respondeu calmo. — Não reage do jeito que ele quer. — E qual é o jeito que ele quer? — Rafael insistiu. — Que a gente se desespere… se separe… erre. Roberto cruzou os braços. — Então a gente faz o contrário. Daniel assentiu levemente. — Fica junto… observa… espera ele errar. Rebeca estava visivelmente abalada. — Mas até quando? Daniel olhou para ela. — Até a gente ter algo concreto. Lucas balançou a cabeça. — Isso tá parecendo jogo… Daniel respondeu baixo. — Porque é. Rafael olhou direto pra ele. — Você fala como se conhecesse isso. Silêncio por um segundo. — Eu só tô analisando — Daniel respondeu. Daniel desviou o olhar. — Não tô tranquilo… só tô pensando. Carla voltou o olhar para a caixa. — Eu só quero que isso pare. Roberto colocou a mão no ombro dela. — Vai parar… a gente vai dar um jeito. Rafael falou firme: — A partir de agora… ninguém fica sozinho. — Ninguém — Lucas repetiu. Rebeca segurou a mão de Rafael. — Eu tô com medo… — Eu sei — ele respondeu. — Mas eu tô aqui. Daniel observava tudo em silêncio. O olhar atento. Como se estivesse vendo além do que os outros conseguiam. E, no fundo… ele sabia. Aquilo não ia parar tão cedo. A noite já estava avançando quando Daniel saiu da casa de Lucas sem chamar atenção. O grupo continuou lá dentro, conversando, mas ele precisava de respostas. Já do lado de fora, pegou o celular e ligou. — Fala. — É ele. — Eu já sabia. — Tá confirmado. — Tá. Silêncio por um segundo. — Ele tá na cidade. — Tem certeza? — Fui atrás… puxei informação. Ele foi visto rodando por aí. Daniel fechou os olhos por um instante. — Então começou de verdade. — Já começou faz tempo — Fabiano respondeu. — Eu não sei onde ele tá. — E nem vai saber fácil. Daniel respirou fundo. — Ele tá mexendo com eles… um por um. — É o estilo dele. — Eu sei… Silêncio pesado. — Você quer que eu resolva isso? — Fabiano perguntou. — Não. — Tem certeza? — Isso é comigo. Fabiano riu baixo. — Ainda acha que consegue controlar? — Eu tenho que conseguir. — Então escuta… ele não vai aparecer fácil. — Eu sei. — Ele vai brincar… testar… pressionar. Daniel apertou o celular. — Até quando? — Até ele achar que você quebrou… ou até você errar. Silêncio. — E eu não vou fazer nenhum dos dois. Fabiano respondeu sério. — Então você vai ter que esperar. — Esperar o quê? — O próximo movimento. — A próxima vítima… Daniel olhou para a rua escura. — Eu não vou deixar isso acontecer. — Você não controla isso agora — Fabiano disse direto. Silêncio. — Ele controla o tempo. Daniel respirou fundo. — Então eu viro o jogo. — Cuidado… porque ele quer exatamente isso. — Eu não vou ficar parado. — Não é ficar parado… é saber a hora de agir. Mais silêncio. — Fica atento — Fabiano completou. — Porque essa brincadeira de esconde-esconde… Pausa. — Vai ficar mais pesada. A ligação terminou. Daniel ficou parado, olhando a rua vazia. — Você quer brincar… Respirou fundo. — Então vamos ver até onde você vai. Dentro da casa, o grupo ainda conversava, tentando se acalmar. Mas do lado de fora… Daniel já sabia. Agora não era mais dúvida. Era guerra. E, por enquanto… a única coisa que ele podia fazer… era esperar. Esperar o próximo movimento. E torcer… para não ser tarde demais.
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