Rafael tentava ligar, o telefone chamando sem parar.
— Atende… atende…
Rebeca atendeu alguns segundos depois.
— Oi…
— Você tá onde?
— Na loja… com as meninas… por quê?
Rafael respirou aliviado por um segundo.
— Fica aí… não sai pra nada.
— O que aconteceu?
— Depois eu explico… só não sai.
Daniel observava tudo.
— Ele só quer te tirar do lugar.
Rafael respondeu tenso.
— Ele quase conseguiu.
Horas depois, o dia parecia seguir, mas o grupo estava ainda mais atento. No celular, mensagens o tempo todo.
— “Todo mundo bem?” — Carla mandou.
— “Sim” — Camila respondeu.
— “Aqui também” — Rebeca escreveu.
— “Qualquer coisa avisa na hora” — Lucas respondeu.
Lucas estava em casa, mexendo no celular, tentando se distrair.
— Isso tá ficando cansativo…
Uma mensagem chegou de um número desconhecido.
— “Entrega pra você. Portão.”
Lucas franziu a testa.
— Entrega? Eu não pedi nada.
Foi até o portão, olhando com cuidado.
— Quem é?
Ninguém respondeu.
Ele abriu devagar…
Uma caixa no chão.
— Que merda é essa…
Pegou a caixa, ainda desconfiado.
— Deve ser alguma coisa errada…
Levou pra dentro.
Do outro lado da cidade, Marcelo observava através de um carro estacionado.
— Ele pegou.
— Tem certeza que vai funcionar?
Marcelo respondeu calmo.
— Vai assustar mais que os outros.
Dentro da casa, Lucas colocou a caixa na mesa.
— Eu não tô gostando disso…
Mandou mensagem no grupo.
— “Recebi uma caixa aqui em casa… alguém sabe disso?”
Rafael respondeu na hora.
— “Não abre.”
Daniel também mandou.
— “Espera.”
Lucas olhou a caixa.
— Já era…
Abriu.
Dentro… uma outra caixa menor.
E dentro dela…
um celular quebrado.
Tela trincada.
Ainda sujo… como se tivesse sido retirado de algum lugar.
E um papel.
Lucas pegou, mãos tremendo.
— “O próximo pode ser você.”
— Não… não…
Ele recuou.
— Isso não é brincadeira…
Pegou o celular, ligando na hora.
— Rafael!
No outro lado, Rafael atendeu.
— O que foi?
— Ele mandou outra coisa… tá pior.
— O que tem aí?
— Um celular quebrado… e um recado.
Silêncio pesado.
Daniel ouviu e falou.
— Ele tá aumentando a pressão.
Rafael respondeu firme.
— Fica aí, não sai. Tô indo.
No carro, Marcelo sorria satisfeito.
— Agora sim…
— Ele assustou?
— Muito mais.
Marcelo olhou para frente, tranquilo.
— Agora eles começam a perder o controle.
Na casa, Lucas andava de um lado pro outro.
— Ele tá dentro da nossa vida… isso não é normal…
Não demorou muito e todos começaram a chegar na casa de Lucas. O clima já era outro, pesado, cheio de tensão.
— Cadê a caixa? — Rafael perguntou ao entrar.
— Tá aqui — Lucas respondeu, apontando para a mesa.
Carla se aproximou.
— Meu Deus…
Camila ficou parada, olhando de longe.
— Eu não tô gostando disso…
Rebeca chegou por último, já preocupada.
— O que aconteceu agora?
Lucas entregou o papel.
— Lê isso.
Ela leu… e o rosto mudou na hora.
— Não… isso tá piorando…
Rafael pegou o celular quebrado, analisando.
— Isso aqui não foi por acaso.
Roberto concordou.
— Ele quer mostrar que pode chegar perto.
Silêncio pesado.
— Isso não é mais só ameaça — Carla disse.
— É aviso — Camila completou.
Rafael respirou fundo.
— A gente precisa agir.
Lucas andava de um lado pro outro.
— Como? A gente não sabe nem quem é esse cara.
Rebeca falou baixo.
— Ele sabe tudo da gente…
Todos olharam para Daniel, que estava mais afastado, encostado na parede.
— Daniel… fala alguma coisa — Rafael disse.
Ele levantou o olhar devagar.
— Ele tá controlando o ritmo.
— Como assim? — Lucas perguntou.
— Ele escolhe quando aparece… como aparece… e quem atinge.
Silêncio.
Carla perguntou:
— E o que a gente faz então?
Daniel respondeu calmo.
— Não reage do jeito que ele quer.
— E qual é o jeito que ele quer? — Rafael insistiu.
— Que a gente se desespere… se separe… erre.
Roberto cruzou os braços.
— Então a gente faz o contrário.
Daniel assentiu levemente.
— Fica junto… observa… espera ele errar.
Rebeca estava visivelmente abalada.
— Mas até quando?
Daniel olhou para ela.
— Até a gente ter algo concreto.
Lucas balançou a cabeça.
— Isso tá parecendo jogo…
Daniel respondeu baixo.
— Porque é.
Rafael olhou direto pra ele.
— Você fala como se conhecesse isso.
Silêncio por um segundo.
— Eu só tô analisando — Daniel respondeu.
Daniel desviou o olhar.
— Não tô tranquilo… só tô pensando.
Carla voltou o olhar para a caixa.
— Eu só quero que isso pare.
Roberto colocou a mão no ombro dela.
— Vai parar… a gente vai dar um jeito.
Rafael falou firme:
— A partir de agora… ninguém fica sozinho.
— Ninguém — Lucas repetiu.
Rebeca segurou a mão de Rafael.
— Eu tô com medo…
— Eu sei — ele respondeu. — Mas eu tô aqui.
Daniel observava tudo em silêncio.
O olhar atento.
Como se estivesse vendo além do que os outros conseguiam.
E, no fundo…
ele sabia.
Aquilo não ia parar tão cedo.
A noite já estava avançando quando Daniel saiu da casa de Lucas sem chamar atenção. O grupo continuou lá dentro, conversando, mas ele precisava de respostas.
Já do lado de fora, pegou o celular e ligou.
— Fala.
— É ele.
— Eu já sabia.
— Tá confirmado.
— Tá.
Silêncio por um segundo.
— Ele tá na cidade.
— Tem certeza?
— Fui atrás… puxei informação. Ele foi visto rodando por aí.
Daniel fechou os olhos por um instante.
— Então começou de verdade.
— Já começou faz tempo — Fabiano respondeu.
— Eu não sei onde ele tá.
— E nem vai saber fácil.
Daniel respirou fundo.
— Ele tá mexendo com eles… um por um.
— É o estilo dele.
— Eu sei…
Silêncio pesado.
— Você quer que eu resolva isso? — Fabiano perguntou.
— Não.
— Tem certeza?
— Isso é comigo.
Fabiano riu baixo.
— Ainda acha que consegue controlar?
— Eu tenho que conseguir.
— Então escuta… ele não vai aparecer fácil.
— Eu sei.
— Ele vai brincar… testar… pressionar.
Daniel apertou o celular.
— Até quando?
— Até ele achar que você quebrou… ou até você errar.
Silêncio.
— E eu não vou fazer nenhum dos dois.
Fabiano respondeu sério.
— Então você vai ter que esperar.
— Esperar o quê?
— O próximo movimento.
— A próxima vítima…
Daniel olhou para a rua escura.
— Eu não vou deixar isso acontecer.
— Você não controla isso agora — Fabiano disse direto.
Silêncio.
— Ele controla o tempo.
Daniel respirou fundo.
— Então eu viro o jogo.
— Cuidado… porque ele quer exatamente isso.
— Eu não vou ficar parado.
— Não é ficar parado… é saber a hora de agir.
Mais silêncio.
— Fica atento — Fabiano completou. — Porque essa brincadeira de esconde-esconde…
Pausa.
— Vai ficar mais pesada.
A ligação terminou.
Daniel ficou parado, olhando a rua vazia.
— Você quer brincar…
Respirou fundo.
— Então vamos ver até onde você vai.
Dentro da casa, o grupo ainda conversava, tentando se acalmar.
Mas do lado de fora…
Daniel já sabia.
Agora não era mais dúvida.
Era guerra.
E, por enquanto…
a única coisa que ele podia fazer…
era esperar.
Esperar o próximo movimento.
E torcer…
para não ser tarde demais.