Capítulo 40

1564 Words
Rafael chegou rápido, estacionando na frente da casa de Lucas e descendo apressado. — Cadê? Lucas abriu o portão ainda nervoso. — Aqui… entra. Rafael entrou e já foi direto. — Mostra. Lucas entregou o envelope. — Tava no chão… alguém bateu e saiu. Rafael abriu, viu a foto e leu o recado. — Isso não é brincadeira. — Eu falei… isso tá estranho demais. Rafael olhou a foto com atenção. — Essa foto foi na parte de dentro da sua casa. Lucas passou a mão na cabeça. — Então tinha alguém olhando… Silêncio pesado. — Isso tá planejado — Rafael disse. — Igual o Daniel falou… — Lucas respondeu baixo. Rafael pegou o celular. — Vou ligar pra eles. — Melhor mesmo. Alguns minutos depois, Roberto atendeu. — O que foi? — Vai pra casa do Lucas agora. — Deu problema? — Deu… e não é pequeno. Carla ouviu do fundo. — O que aconteceu? — Depois eu explico, só vem — Roberto respondeu já pegando a chave. Na loja, o celular de Rebeca tocou. — Oi… — Vem pra casa do Lucas agora — Rafael disse direto. — Aconteceu o quê? — Só vem… por favor. Rebeca olhou para Carla e Camila. — A gente precisa ir. — Já entendi — Carla respondeu. — Vamos juntas — Camila completou. De volta à casa, Rafael e Lucas continuavam olhando a foto. — Isso aqui foi alguém que tava de olho — Lucas disse. — E não é de hoje — Rafael completou. Daniel chegou logo depois, mais sério que o normal. — O que aconteceu? Rafael mostrou a foto. Daniel pegou, analisando em silêncio. — Como isso chegou aqui? — Deixaram no portão — Lucas respondeu. Daniel virou a foto, leu o recado e respirou fundo. — Isso tá escalando. Rafael olhou direto pra ele. — Você já sabia disso, né? — Eu suspeitava — Daniel respondeu. Nesse momento, o restante do grupo chegou. — O que tá acontecendo? — Rebeca perguntou, já nervosa. — Olha isso — Lucas disse, entregando a foto. Rebeca leu e ficou pálida. — Não… agora não sou só eu… Carla segurou o braço dela. — Isso tá indo longe demais. Camila olhou ao redor, tensa. — Isso significa que ele tá vendo todo mundo. Roberto falou mais firme. — Isso não é mais brincadeira nenhuma. Silêncio tomou conta do lugar. Rafael passou a mão no rosto. — Agora é com todo mundo. Daniel, mais afastado, falou baixo. — Ele tá fazendo exatamente o que eu pensei. Rafael olhou pra ele. — Quem? Daniel demorou um segundo. — Alguém que sabe o que tá fazendo. Rebeca olhou assustada. — A gente tá em perigo? Daniel respondeu direto. — Tá. O silêncio ficou ainda mais pesado. Do lado de fora, em um carro parado na esquina, Marcelo observava a casa. — Todos reunidos… perfeito. Um dos homens perguntou: — Quer fazer mais alguma coisa hoje? Marcelo respondeu calmo. — Não… por enquanto é só pressão. — Eles já estão com medo. Marcelo sorriu de leve. O clima na casa de Lucas estava pesado, todos reunidos na sala, tentando entender o que estava acontecendo. — Isso não pode continuar assim — Carla disse, nervosa. — A gente precisa fazer alguma coisa — Camila completou. Rebeca ainda segurava o papel, visivelmente abalada. — Ele tá seguindo a gente… isso é sério. Roberto cruzou os braços. — Pra mim isso já passou do limite faz tempo. Lucas andava de um lado pro outro. — A questão é… quem é esse cara? Rafael respondeu firme. — Não importa quem é… importa o que ele quer. Daniel, mais quieto, observava tudo. — Ele quer controle… quer deixar a gente com medo. Todos olharam pra ele. — Então ele tá conseguindo — Rebeca disse baixo. Silêncio. Camila quebrou o clima. — A gente devia ir na polícia. Carla concordou. — Também acho… isso já é ameaça. Roberto assentiu. — Com prova então… melhor ainda. Lucas olhou para Rafael. — E aí? Rafael pensou por alguns segundos. — Ir na polícia pode ajudar… mas também pode piorar. Rebeca franziu a testa. — Como assim piorar? — Se for alguém que realmente sabe o que tá fazendo… ele pode sumir por um tempo e depois voltar pior. Daniel completou, mais sério. — Ou pode acelerar as coisas. Silêncio novamente. Carla falou preocupada. — Então a gente não faz nada? — Faz — Rafael respondeu. — Mas com cuidado. Camila insistiu. — Eu não quero esperar até acontecer algo pior. Roberto concordou. — Nem eu. Rebeca respirou fundo. — Eu tô com medo… de verdade. Rafael se aproximou dela. — Você não tá sozinha. Lucas parou de andar. — A gente pode ir na polícia… pelo menos registrar. Carla assentiu. — Sim, deixar documentado. Daniel ficou em silêncio por um momento, depois falou. — Pode ser uma boa… mas não confiem só nisso. Rafael olhou pra ele. — Você tá pensando em quê? — Em ficar atento… mudar rotina… não andar sozinho. Camila concordou. — Isso faz sentido. Rebeca olhou ao redor. — Então a gente faz os dois? — Faz — Rafael respondeu. Roberto completou. — Polícia e cuidado redobrado. Lucas assentiu. — Fechado então. Carla ainda parecia tensa. — Eu só quero que isso acabe logo. Daniel falou baixo. — Não vai acabar rápido. Silêncio pesado novamente. Rebeca segurou a mão de Rafael. — Então a gente enfrenta. Rafael apertou a mão dela. — Juntos. Do lado de fora, dentro do carro, Marcelo observava a movimentação pela janela. — Com certeza eles vão na polícia. Um dos homens comentou. — Isso complica? Marcelo sorriu de leve. — Não isso melhora. — Como? — Agora eles vão ficar mais nervosos… mais expostos. Eles decidiram não esperar mais. Saíram todos juntos, ainda tensos, em direção à delegacia. — Melhor a gente registrar logo isso — Roberto disse. — Quanto mais rápido, melhor — Carla completou. Rebeca estava em silêncio, segurando o celular com força. — Vai dar certo — Camila falou, tentando acalmar. Rafael dirigia sério. — A gente vai resolver isso. Na delegacia, foram atendidos e explicaram tudo: os bilhetes, a foto, as suspeitas. O policial ouviu com atenção, anotando. — Isso já configura ameaça — ele disse. — Então vocês podem ajudar? — Rebeca perguntou. — Vamos registrar e iniciar uma averiguação. — Mas isso demora? — Lucas questionou. — Depende… mas vocês fizeram certo em vir. Depois de algum tempo, saíram de lá com o registro feito, mas sem muita garantia imediata. Do lado de fora, o grupo se olhou. — Eu esperava mais — Carla disse. — Pelo menos agora tá registrado — Roberto respondeu. — E agora? — Camila perguntou. Lucas falou: — Vamos sair um pouco… esfriar a cabeça. Todos concordaram. Algum tempo depois, estavam sentados em um bar, mais afastado, tentando relaxar. Bebidas na mesa, mas o clima ainda era pesado. — Isso tudo tá estranho demais — Rebeca disse. — A gente vai dar um jeito — Rafael respondeu. — Eu só queria voltar ao normal — Carla comentou. Lucas levantou o copo. — Pelo menos a gente tá junto. — Sempre — Roberto completou. Camila tentou sorrir. — Isso já ajuda muito. Daniel estava mais quieto, olhando o copo. — Você tá calado demais — Rafael comentou. Daniel respirou fundo. — Tô pensando. — Em quê? — Lucas perguntou. Ele levantou o olhar. — Que isso não é aleatório. Silêncio. Rebeca falou baixo: — Você ainda acha que é algo maior? Daniel respondeu direto. — Acho. Rafael franziu a testa. — Então fala. Daniel hesitou por um segundo. — Ainda não tenho certeza. O clima ficou estranho. Depois de um tempo, Daniel se levantou. — Eu vou embora. Camila olhou surpresa. — Já? — Preciso pensar. — Eu vou com você — ela disse. Daniel negou. — Não… fica com eles. Rafael observou. — Qualquer coisa avisa. — Aviso — Daniel respondeu. Ele saiu sozinho. Já em casa, o silêncio parecia mais pesado ainda. Daniel andava de um lado pro outro, inquieto. Finalmente pegou o celular e ligou. Fabiano atendeu. — Fala. — Deu problema. — Eu já esperava. Daniel passou a mão no rosto. — Estão mexendo com eles… com todo mundo. — Eu te avisei — Fabiano respondeu frio. — Isso tá indo longe demais. — Isso não é contra eles. Silêncio. — É contra você — Fabiano completou. Daniel fechou os olhos. — Eu sabia… — Você apareceu demais — o irmão continuou. — Agora alguém te reconheceu. — E tá vindo atrás de mim usando eles. — Exatamente. Daniel ficou em silêncio por alguns segundos. — Quem? Fabiano respondeu sem hesitar. — Se for quem eu tô pensando… você tá com um problema grande. — Fala logo. — Marcelo. O nome caiu como um peso. Daniel apertou o celular. — Não… — Ele não morreu… só ficou fora do radar. — E agora voltou pra mim. — Voltou pra se vingar — Fabiano disse. Silêncio pesado. — E você trouxe isso pra vida deles — Fabiano completou. Daniel respirou fundo. — Eu vou resolver. — Cuidado — o irmão respondeu. — Porque dessa vez… não é só você que tá em jogo. A ligação terminou. Daniel ficou parado, olhando pro nada. Sabia exatamente o que aquilo significava. E pela primeira vez… o perigo tinha nome.
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