Rafael chegou rápido, estacionando na frente da casa de Lucas e descendo apressado.
— Cadê?
Lucas abriu o portão ainda nervoso.
— Aqui… entra.
Rafael entrou e já foi direto.
— Mostra.
Lucas entregou o envelope.
— Tava no chão… alguém bateu e saiu.
Rafael abriu, viu a foto e leu o recado.
— Isso não é brincadeira.
— Eu falei… isso tá estranho demais.
Rafael olhou a foto com atenção.
— Essa foto foi na parte de dentro da sua casa.
Lucas passou a mão na cabeça.
— Então tinha alguém olhando…
Silêncio pesado.
— Isso tá planejado — Rafael disse.
— Igual o Daniel falou… — Lucas respondeu baixo.
Rafael pegou o celular.
— Vou ligar pra eles.
— Melhor mesmo.
Alguns minutos depois, Roberto atendeu.
— O que foi?
— Vai pra casa do Lucas agora.
— Deu problema?
— Deu… e não é pequeno.
Carla ouviu do fundo.
— O que aconteceu?
— Depois eu explico, só vem — Roberto respondeu já pegando a chave.
Na loja, o celular de Rebeca tocou.
— Oi…
— Vem pra casa do Lucas agora — Rafael disse direto.
— Aconteceu o quê?
— Só vem… por favor.
Rebeca olhou para Carla e Camila.
— A gente precisa ir.
— Já entendi — Carla respondeu.
— Vamos juntas — Camila completou.
De volta à casa, Rafael e Lucas continuavam olhando a foto.
— Isso aqui foi alguém que tava de olho — Lucas disse.
— E não é de hoje — Rafael completou.
Daniel chegou logo depois, mais sério que o normal.
— O que aconteceu?
Rafael mostrou a foto.
Daniel pegou, analisando em silêncio.
— Como isso chegou aqui?
— Deixaram no portão — Lucas respondeu.
Daniel virou a foto, leu o recado e respirou fundo.
— Isso tá escalando.
Rafael olhou direto pra ele.
— Você já sabia disso, né?
— Eu suspeitava — Daniel respondeu.
Nesse momento, o restante do grupo chegou.
— O que tá acontecendo? — Rebeca perguntou, já nervosa.
— Olha isso — Lucas disse, entregando a foto.
Rebeca leu e ficou pálida.
— Não… agora não sou só eu…
Carla segurou o braço dela.
— Isso tá indo longe demais.
Camila olhou ao redor, tensa.
— Isso significa que ele tá vendo todo mundo.
Roberto falou mais firme.
— Isso não é mais brincadeira nenhuma.
Silêncio tomou conta do lugar.
Rafael passou a mão no rosto.
— Agora é com todo mundo.
Daniel, mais afastado, falou baixo.
— Ele tá fazendo exatamente o que eu pensei.
Rafael olhou pra ele.
— Quem?
Daniel demorou um segundo.
— Alguém que sabe o que tá fazendo.
Rebeca olhou assustada.
— A gente tá em perigo?
Daniel respondeu direto.
— Tá.
O silêncio ficou ainda mais pesado.
Do lado de fora, em um carro parado na esquina, Marcelo observava a casa.
— Todos reunidos… perfeito.
Um dos homens perguntou:
— Quer fazer mais alguma coisa hoje?
Marcelo respondeu calmo.
— Não… por enquanto é só pressão.
— Eles já estão com medo.
Marcelo sorriu de leve.
O clima na casa de Lucas estava pesado, todos reunidos na sala, tentando entender o que estava acontecendo.
— Isso não pode continuar assim — Carla disse, nervosa.
— A gente precisa fazer alguma coisa — Camila completou.
Rebeca ainda segurava o papel, visivelmente abalada.
— Ele tá seguindo a gente… isso é sério.
Roberto cruzou os braços.
— Pra mim isso já passou do limite faz tempo.
Lucas andava de um lado pro outro.
— A questão é… quem é esse cara?
Rafael respondeu firme.
— Não importa quem é… importa o que ele quer.
Daniel, mais quieto, observava tudo.
— Ele quer controle… quer deixar a gente com medo.
Todos olharam pra ele.
— Então ele tá conseguindo — Rebeca disse baixo.
Silêncio.
Camila quebrou o clima.
— A gente devia ir na polícia.
Carla concordou.
— Também acho… isso já é ameaça.
Roberto assentiu.
— Com prova então… melhor ainda.
Lucas olhou para Rafael.
— E aí?
Rafael pensou por alguns segundos.
— Ir na polícia pode ajudar… mas também pode piorar.
Rebeca franziu a testa.
— Como assim piorar?
— Se for alguém que realmente sabe o que tá fazendo… ele pode sumir por um tempo e depois voltar pior.
Daniel completou, mais sério.
— Ou pode acelerar as coisas.
Silêncio novamente.
Carla falou preocupada.
— Então a gente não faz nada?
— Faz — Rafael respondeu. — Mas com cuidado.
Camila insistiu.
— Eu não quero esperar até acontecer algo pior.
Roberto concordou.
— Nem eu.
Rebeca respirou fundo.
— Eu tô com medo… de verdade.
Rafael se aproximou dela.
— Você não tá sozinha.
Lucas parou de andar.
— A gente pode ir na polícia… pelo menos registrar.
Carla assentiu.
— Sim, deixar documentado.
Daniel ficou em silêncio por um momento, depois falou.
— Pode ser uma boa… mas não confiem só nisso.
Rafael olhou pra ele.
— Você tá pensando em quê?
— Em ficar atento… mudar rotina… não andar sozinho.
Camila concordou.
— Isso faz sentido.
Rebeca olhou ao redor.
— Então a gente faz os dois?
— Faz — Rafael respondeu.
Roberto completou.
— Polícia e cuidado redobrado.
Lucas assentiu.
— Fechado então.
Carla ainda parecia tensa.
— Eu só quero que isso acabe logo.
Daniel falou baixo.
— Não vai acabar rápido.
Silêncio pesado novamente.
Rebeca segurou a mão de Rafael.
— Então a gente enfrenta.
Rafael apertou a mão dela.
— Juntos.
Do lado de fora, dentro do carro, Marcelo observava a movimentação pela janela.
— Com certeza eles vão na polícia.
Um dos homens comentou.
— Isso complica?
Marcelo sorriu de leve.
— Não isso melhora.
— Como?
— Agora eles vão ficar mais nervosos… mais expostos.
Eles decidiram não esperar mais. Saíram todos juntos, ainda tensos, em direção à delegacia.
— Melhor a gente registrar logo isso — Roberto disse.
— Quanto mais rápido, melhor — Carla completou.
Rebeca estava em silêncio, segurando o celular com força.
— Vai dar certo — Camila falou, tentando acalmar.
Rafael dirigia sério.
— A gente vai resolver isso.
Na delegacia, foram atendidos e explicaram tudo: os bilhetes, a foto, as suspeitas. O policial ouviu com atenção, anotando.
— Isso já configura ameaça — ele disse.
— Então vocês podem ajudar? — Rebeca perguntou.
— Vamos registrar e iniciar uma averiguação.
— Mas isso demora? — Lucas questionou.
— Depende… mas vocês fizeram certo em vir.
Depois de algum tempo, saíram de lá com o registro feito, mas sem muita garantia imediata.
Do lado de fora, o grupo se olhou.
— Eu esperava mais — Carla disse.
— Pelo menos agora tá registrado — Roberto respondeu.
— E agora? — Camila perguntou.
Lucas falou:
— Vamos sair um pouco… esfriar a cabeça.
Todos concordaram.
Algum tempo depois, estavam sentados em um bar, mais afastado, tentando relaxar. Bebidas na mesa, mas o clima ainda era pesado.
— Isso tudo tá estranho demais — Rebeca disse.
— A gente vai dar um jeito — Rafael respondeu.
— Eu só queria voltar ao normal — Carla comentou.
Lucas levantou o copo.
— Pelo menos a gente tá junto.
— Sempre — Roberto completou.
Camila tentou sorrir.
— Isso já ajuda muito.
Daniel estava mais quieto, olhando o copo.
— Você tá calado demais — Rafael comentou.
Daniel respirou fundo.
— Tô pensando.
— Em quê? — Lucas perguntou.
Ele levantou o olhar.
— Que isso não é aleatório.
Silêncio.
Rebeca falou baixo:
— Você ainda acha que é algo maior?
Daniel respondeu direto.
— Acho.
Rafael franziu a testa.
— Então fala.
Daniel hesitou por um segundo.
— Ainda não tenho certeza.
O clima ficou estranho.
Depois de um tempo, Daniel se levantou.
— Eu vou embora.
Camila olhou surpresa.
— Já?
— Preciso pensar.
— Eu vou com você — ela disse.
Daniel negou.
— Não… fica com eles.
Rafael observou.
— Qualquer coisa avisa.
— Aviso — Daniel respondeu.
Ele saiu sozinho.
Já em casa, o silêncio parecia mais pesado ainda. Daniel andava de um lado pro outro, inquieto. Finalmente pegou o celular e ligou.
Fabiano atendeu.
— Fala.
— Deu problema.
— Eu já esperava.
Daniel passou a mão no rosto.
— Estão mexendo com eles… com todo mundo.
— Eu te avisei — Fabiano respondeu frio.
— Isso tá indo longe demais.
— Isso não é contra eles.
Silêncio.
— É contra você — Fabiano completou.
Daniel fechou os olhos.
— Eu sabia…
— Você apareceu demais — o irmão continuou. — Agora alguém te reconheceu.
— E tá vindo atrás de mim usando eles.
— Exatamente.
Daniel ficou em silêncio por alguns segundos.
— Quem?
Fabiano respondeu sem hesitar.
— Se for quem eu tô pensando… você tá com um problema grande.
— Fala logo.
— Marcelo.
O nome caiu como um peso.
Daniel apertou o celular.
— Não…
— Ele não morreu… só ficou fora do radar.
— E agora voltou pra mim.
— Voltou pra se vingar — Fabiano disse.
Silêncio pesado.
— E você trouxe isso pra vida deles — Fabiano completou.
Daniel respirou fundo.
— Eu vou resolver.
— Cuidado — o irmão respondeu. — Porque dessa vez… não é só você que tá em jogo.
A ligação terminou.
Daniel ficou parado, olhando pro nada.
Sabia exatamente o que aquilo significava.
E pela primeira vez…
o perigo tinha nome.