A noite ainda parecia jovem quando Roberto estacionou o carro em frente ao prédio de Rebeca. O silêncio da rua contrastava com a energia que ainda pulsava entre eles depois de tudo que tinham vivido no pagode.
— Chegamos — disse ele, virando levemente o rosto para trás.
Rebeca sorriu, ajeitando o cabelo enquanto trocava um olhar cúmplice com Carla.
— Obrigada pela noite… foi perfeita.
Carla abriu a porta, mas antes de sair, olhou para Roberto com aquele brilho provocante nos olhos.
— Você ainda vai me levar em casa, né?
— Claro — respondeu ele, com um sorriso que já dizia tudo.
Rebeca desceu, acenando enquanto entrava no prédio. Assim que a porta se fechou atrás dela, o clima dentro do carro mudou completamente. O silêncio agora era carregado de intenção.
Minutos depois, Roberto estacionava em frente à casa de Carla. Ela saiu devagar, olhando para trás.
— Você não vai entrar?
Ele nem respondeu com palavras. Apenas saiu do carro e fechou a porta com firmeza, seguindo-a até a entrada. O beijo veio antes mesmo de a chave girar na fechadura.
Dentro da casa, o mundo parecia desaparecer. Risadas, provocações e toques se misturavam enquanto eles se deixavam levar pelo desejo que já vinha sendo construído desde o primeiro olhar. A noite foi intensa, sem pressa, como se quisessem aproveitar cada segundo.
Na manhã seguinte, o despertador de Rebeca tocou cedo. Ela abriu os olhos ainda com um leve sorriso no rosto, lembrando da noite anterior. Mas rapidamente se levantou — aquele era um dia importante.
Na loja, o cheiro de roupa nova tomava conta do ambiente. Caixas estavam abertas, tecidos espalhados, cores vibrantes chamando atenção.
Rebeca colocou uma música animada e começou a organizar tudo com energia. Ela pegava peça por peça, imaginando combinações, montando looks na cabeça.
— Esse vídeo precisa ser perfeito… — murmurou para si mesma.
O concurso do shopping não era apenas uma oportunidade qualquer. Era a chance de colocar sua loja em outro nível, de mostrar seu talento, de conquistar um espaço em um grande desfile. Era o tipo de oportunidade que ela sempre sonhou.
Ela posicionou o celular, testou ângulos, ajustou a iluminação natural que entrava pela vitrine. Vestiu uma das peças novas e começou a gravar, desfilando com confiança, fazendo transições, mostrando detalhes.
Depois de algumas tentativas, ela parou, respirando fundo.
— Vai dar certo… tem que dar.
—
Enquanto isso, Carla acordava lentamente, ainda envolvida nos lençóis. Ao seu lado, Roberto dormia tranquilo. Ela observou por alguns segundos, sorrindo sozinha.
Pegou o celular e viu uma mensagem de Rebeca:
"Amiga, tô na loja já! Depois me conta TUDO 😏"
Carla riu baixinho.
Roberto começou a se mexer, abrindo os olhos devagar.
— Bom dia…
— Bom dia… — respondeu ela, passando a mão no peito dele.
Os dois trocaram um beijo lento, preguiçoso.
— Hoje à noite… — começou ele — a gente se vê de novo?
Carla arqueou a sobrancelha, provocando:
— Você aguenta?
Ele riu.
— Depois de ontem? Quero mais.
— Então tá combinado — disse ela, levantando da cama. — Mas dessa vez… eu escolho o lugar.
—
De volta à loja, Rebeca finalmente conseguiu gravar um vídeo que a deixou satisfeita. Assistiu várias vezes, analisando cada detalhe.
Ela sorriu, orgulhosa.
— Esse é o meu momento.
Com o coração acelerado, ela postou o vídeo para o concurso.
Agora era esperar… mas, pela primeira vez em muito tempo, ela sentia que estava no caminho certo — no amor, na amizade e nos seus sonhos.
A manhã já estava movimentada na loja quando Rebeca terminava de ajustar os últimos detalhes da vitrine. As peças novas estavam perfeitamente posicionadas, criando uma combinação moderna e chamativa. Ela se afastou alguns passos, analisando o resultado com um olhar crítico… e satisfeito.
— Agora sim… — disse baixinho, sorrindo.
Foi nesse momento que a porta se abriu às pressas.
— AMIGA! — a voz de Carla ecoou pela loja.
Rebeca virou, cruzando os braços com um sorriso desconfiado.
— Olha só quem resolveu aparecer… e atrasada!
Carla entrou rindo, ainda com óculos escuros e um ar de quem teve uma noite — ou melhor, uma madrugada — bem intensa.
— Nem começa… você não faz ideia!
Rebeca arqueou a sobrancelha, curiosa.
— Então fala logo, porque eu tô doida pra saber.
Carla largou a bolsa no balcão e foi direto até ela, falando mais baixo, como se fosse contar um segredo.
— Eu e o Roberto… — ela fez uma pausa dramática — ficamos juntos lá em casa.
Rebeca abriu um sorriso largo.
— Eu sabia! Tava na cara!
— E não foi pouca coisa não… — disse Carla, rindo — o homem é… enfim, amiga, perfeito.
As duas caíram na risada.
— Depois você me conta os detalhes — respondeu Rebeca, se virando novamente para a vitrine — porque eu também tenho novidades.
Carla se aproximou, olhando o trabalho da amiga com atenção.
— Uau… ficou linda! Você arrasou nisso aqui.
— Tô tentando, né? — disse Rebeca — é pro concurso do shopping. Gravei o vídeo cedo… tô apostando tudo nisso.
Carla cruzou os braços, admirando.
— Você merece ganhar. Sua loja tá cada vez mais incrível.
Rebeca sorriu, mas logo mudou de assunto:
— E o resto da noite? Como foi depois que eu fui embora?
Carla deu de ombros, com um sorriso malicioso.
— Foi só melhorando.
— Imagino… — respondeu Rebeca, rindo.
Carla então lembrou de algo e olhou diretamente para a amiga.
— Ah, e tem mais uma coisa… o Leandro.
Rebeca fez uma careta leve.
— O que tem ele?
— Ele ficou super a fim de você, sabia? Comentou isso depois que você saiu.
Rebeca soltou um suspiro, já negando com a cabeça.
— Ah, não… ele até é bonito e tal, mas não faz meu tipo.
Carla riu.
— Eu percebi. Você tava mais interessada em outro…
Rebeca desviou o olhar por um segundo, tentando disfarçar o sorriso.
— Para de graça.
— Rafael, né? — provocou Carla.
Rebeca não respondeu de imediato, mas o silêncio já dizia tudo.
— Amiga… cuidado, viu? — disse Carla, agora com um tom mais leve, porém sincero — essas coisas começam assim.
— Eu sei… — respondeu Rebeca — mas vamos ver no que dá.
O clima ficou leve novamente, e as duas continuaram organizando a loja por mais algum tempo.
—
No fim da tarde, já cansadas, decidiram fechar mais cedo.
— Eu vou pra casa me arrumar — disse Carla, pegando a bolsa — porque hoje tem mais.
Rebeca riu.
— Outro encontro?
— Claro — respondeu Carla, confiante — e dessa vez vai ser ainda melhor.
Rebeca balançou a cabeça, divertida.
— Você não perde tempo mesmo.
— E você devia fazer o mesmo — rebateu Carla, piscando — para de fugir.
Rebeca apenas sorriu, fechando a loja.
As duas saíram juntas, caminhando pela rua enquanto o sol começava a se pôr.
Cada uma com seus pensamentos…
Carla, ansiosa pelo que a noite prometia.
E Rebeca, dividida entre focar no seu sonho… e se permitir sentir algo que começava a crescer dentro dela.
E, sem perceber, a vida das duas estava prestes a entrar em uma nova fase — cheia de emoções, decisões e encontros que poderiam mudar tudo.