Mais tarde, já pelos corredores da escola, Beatriz, Luana e Julia vieram em minha direção sorrindo.
Éramos o quarteto, mas entre as quatro, Beatriz era a pior. Pensa numa solteira maluca, que nunca liga para nada.
Falando em não ligar para nada, ela também nunca perdia tempo quando se tratava de me provocar...
— O que houve, gata? — sussurrou ela já sorrindo. — Deixou de ser tapada e deu, né?
— Ai, nojenta! — gritei abraçando elas.
— Acredita que um louco bateu o carro em mim e nem desceu? Ficou parado dentro do carro, depois buzinou e arrancou com o carro.
— Eita, é assim que as melhores histórias começam — sussurrou Luana.
— Melhor história, não sei da onde. Minha perna está doendo demais, vocês não têm noção.
Mas logo se aproximaram os meninos do nosso grupo. Vitor era ficante da Beatriz, mas pensa naqueles ficantes que agem como namorados... então, era eles. Beatriz pulou no colo de Vitor, beijando ele sem se importar com ninguém.
— Ai, esses dois... — sussurrou Julia.
— Poderia ser a gente, né? Estou doido para te comer, mas você não facilita — disse Douglas, o típico bad boy, o sonho de qualquer menina, quarterback do time de beisebol da escola.
— Ai, desiste, Douglas — Julia falava sorrindo, mas no fundo ela adorava ser venerada por ele.
Douglas sorriu, puxando ela pela cintura.
— Ainda vamos nos casar, gostosa — disse ele, beijando o rosto dela.
Ela sorria, mas não negava.
Mas logo veio Eron. Todos pensavam que a gente tinha alguma coisa, mas, sério, eu só via ele como meu amigo. Embora ele sempre tenha sido lindo, alto, forte, sorridente e inteligente, além de ser de uma ótima família, eu só o via como um amigo.
O sinal tocou e entramos para a aula. Eu tentava me concentrar, mas minha perna doía demais e depois ainda teríamos aula de ginástica.
— Está doendo muito, amiga? — perguntou Luana com um tom preocupado.
— Sim, demais — sussurrei quase chorando.
— O que houve? — perguntou Vitor.
Beatriz respondeu:
— Um i****a bateu o carro na bicicleta dela e ela caiu, batendo a coxa.
— Vamos na enfermaria, lobinha — disse Eron já se levantando e segurando minha mão.
Na enfermaria, tirei a calça jeans e vesti o short que tinha levado para a ginástica. Minha perna estava muito inchada e vermelha demais. Eu sou literalmente branca...
— Ai... — sussurrei quando a enfermeira passou um analgésico para aliviar.
— Vanessa, vou te dar o papel para você ficar ausente da aula de ginástica por três dias, mas se a dor persistir, vá ao médico e pegue mais um atestado.
— Obrigada, enfermeira — sussurrei saindo da sala.
Todos já estavam na quadra. eron foi comigo até lá, e entreguei o papel para a professora, já me sentando.
— Eu vou buscar uma pizza para você comer, tá?
— Não, Eron, não precisa...
O Eron sempre foi assim comigo desde o ensino fundamental. Ele sempre foi como um amigo para mim, sempre me protegeu, comprava lanche para mim ou dividia comigo quando eu não tinha.
— Não é uma pergunta, lobinha — disse ele, beijando minha testa e saindo.
Ele é o único que me chama de lobinha. Uma vez, um valentão arrumou problema com Eron, e ele, embora não fosse do tipo de garoto que sabia se proteger, naquele dia...
Eu não sei o que deu em mim. Eu nunca fui brigona, mas quando vi aquele valentão indo para cima dele, eu não pensei. Apenas fui.
Parti para cima do valentão, arranhando ele, mordendo, mesmo sendo magrinha e baixinha. Depois daquele dia, Eron passou a me chamar de lobinha.
Hoje em dia não é mais assim. Eu tenho 18 anos e Eron tem 19 anos, mas hoje ele sabe se defender e também me defende.
Minutos depois, ele veio com duas pizzas e dois refrigerantes. Sentou do meu lado e comemos tranquilos, enquanto os outros faziam ginástica.
— Você deveria estar fazendo ginástica — disse olhando para ele.
Ele sorriu me olhando.
— Ué, minha lobinha machucou a perna e ela é minha parceira, então nada de ginástica para mim hoje.
Sorri espontaneamente, encostando a cabeça no ombro dele, e ele apenas me olhava.