Axel:
"Por favor, querido!" a loira gritou debaixo de mim.
"Cala a boca." Rosnei, trazendo minha mão sobre sua b***a com um estalo doentio, fazendo-a chorar de dor.
Não consigo tirar ela da minha cabeça, passarinho. A forma como ela atravessou aqueles portões montada naquela Ducati. Encharcada no sangue dos meus inimigos. Não diria que gosto daquela pirralha. Ou talvez isso fosse apenas mais uma mentira que eu continuava contando a mim mesmo para tornar a situação mais suportável. De qualquer maneira, vê-la assim esta noite e saber que ela está sob o meu teto me deixa em uma fúria induzida pela luxúria que está me sufocando, torcendo lentamente cada pensamento exceto aqueles olhos azuis e aqueles lábios rosados e cheios.
"Merda." Gemi, encontrando meu alívio no pensamento da boca dela. Essa v***a está esparramada na minha cama, quase chorando.
"Sai fora." Amarrando a camisinha e jogando-a fora. Joguei suas roupas nela, arrastando-a para fora da minha cama e empurrando-a em direção à porta.
"FORA!" Gritei.
Harley nem deveria estar aqui. Se não fosse pela morte de seus pais e Denny sendo um bom amigo e meu Beta, ela não estaria. Nunca mais deveríamos nos ver depois da rejeição. Prometemos a ela que ela não teria que nos ver novamente, e agora eu quero arrastá-la para este chão e para a minha cama, onde ela pertence.
"Imagino que isso também não tenha ajudado você?" meu irmão perguntou da porta, onde ele acabara de empurrar a morena que ele arrastou para fora da porta da mesma forma que eu fiz.
"Não." Respondi secamente.
Ambos somos incrivelmente amargos por natureza, mas esta noite nos sentimos mais perigosos do que qualquer coisa. Eu incendiaria o mundo agora mesmo se me permitisse sair desta casa da matilha.
Uma batida na porta me tirou dos meus pensamentos furiosos. Depois de passar na casa de Denny, Nathan deveria subir para revisar os renegados com quem Harley se deparou. Ainda não vi a prova, mas a Harley Ashwood que eu conhecia nem conseguia correr sem tropeçar. Não há como ela ter enfrentado um renegado, muito menos três. Então minha mente voltou à imagem dela atravessando os portões parecendo uma pequena criatura milagrosa da morte.
"Desculpe por ter demorado tanto. Esperei até que a Harley fosse dormir para falar com o Denny sobre os renegados. Mais ou menos no meio, ela começou a ter um ataque. Ou eu pensei que fosse um pesadelo. Escuta só. Ela disse ao Den, depois que acabou, que tinha encontrado seu companheiro e que ele a rejeitou, e toda vez que ele transa com uma garota, isso acontece porque ela não consegue aceitar a rejeição dele. Foi uma loucura total. Acho que nunca vou esquecer os gritos dela, cara. Nem sei como alguém poderia rejeitá-la mesmo. Ela é incrível pra caramba e..." Não consigo mais ouvi-lo falar sobre ela.
"Chega." Dissemos Atlas e eu em uníssono.
"Vamos aos negócios." Atlas estava com os punhos cerrados debaixo da mesa. Suas pernas tremiam de raiva. Seu rosto estava marcado por linhas duras, fazendo-o parecer tão inquieto e irritado quanto eu.
"Caramba, tudo bem. Foi m*l. De qualquer forma, ela os encontrou aproximadamente quinze milhas do ponto de entrada de Clearwater. Ela lutou contra três, matou três, e eles fugiram quando ela partiu para cima dos outros. Ela entrou em contato com o Beta, informando a situação. Ele a encontrou na fronteira e ela exigiu que ele avançasse a patrulha alguns quilômetros para diminuir as chances dos renegados restantes se aproximarem o suficiente para romper a patrulha. Após discutir isso com Drake e comigo, concordamos. Não apenas avançamos o perímetro, mas Drake chamou mais alguns guerreiros para reforçar a linha e outros para se agruparem e limparem a bagunça que a Harley deixou, que estava nojenta pra caramba, aliás. Depois eles se moveram para a floresta, onde correram para procurá-los e eliminá-los. A Harley não se transformou, ela os derrotou com uma espada que tinha consigo. Um dos guerreiros identificou dois dos que ela matou como dois dos renegados que escaparam após o ataque de ontem à noite." Ficamos em silêncio por um minuto, absorvendo o relatório do Nathan.
"O Drake ficou muito impressionado com suas habilidades e pelo fato de ela nem mesmo ter se transformado... O Beta Denny mencionou que se não fosse pelos laços que ela ainda tem com esta alcateia, ela seria a guerreira-chefe do Alpha Byron." Eu ri daquilo. Bobagem. A pequena passarinha nunca poderia ser uma guerreira. Ela nem conseguia nos olhar quando estávamos com raiva sem chorar. A risada sombria de Atlas me fez acreditar que ele estava pensando a mesma coisa que eu.
"Bobagem." Ele riu.
"Olha, o Den me disse que convenceu ela a treinar na alcateia pela manhã antes de fazerem os arranjos para seus pais, e eu convenci o Drake a fazer a Trilha do d***o. Um de vocês deveria ir lá vê-la fazer a trilha, já que vocês dois têm que estar lá de qualquer maneira. Ela parece habilidosa, e se ela já está ligada a esta alcateia..." ele deu de ombros, deixando-nos preencher as lacunas.
Não. Ela não vai ficar aqui... Ela não pode. Concordamos em seguir caminhos separados, e depois do funeral dos pais dela, ela não voltará. Não importa o que aconteça.
Depois que Atlas deixou Nathan sair, ficamos em silêncio na sala de estar, revezando-se com uma garrafa de bourbon.
"Não há como Harley Ashwood ser uma guerreira. Claro, ela era apenas uma criança da última vez que a vimos, mas ela era tão tímida que ninguém poderia imaginar que ela tinha sangue beta. O negócio dela eram os livros. Ela é brilhante. Mas ela não é uma guerreira." Atlas rosnou, olhando para o bourbon como se ele contivesse as respostas que ele buscava. Eu sabia que ele também podia sentir isso. A amargura do passado fazia o bourbon ter um gosto repugnante.
"Você acha que ela sabe quando dormimos com outras mulheres?" Sua voz estava baixa, mas eu podia ver a raiva girando em seus olhos como olhar para meu próprio reflexo.
"Eu não sei. Nunca tive nenhum ataque que me fizesse acreditar que ela estava transando com outra pessoa." Respondi, exalando minhas frustrações.
Ela teve esse 'ataque' enquanto eu estava transando para aliviar minhas frustrações. Odeio que o pensamento de causar dor a ela tenha me afetado dessa maneira, e queria rasgar a garganta do meu gamma por seus comentários sobre a aparência dela.
O sono estava longe de alcançar-me esta noite, e Atlas estava na mesma página que eu. Começamos a trabalhar em equipe nos papéis de hoje, já que, em algum momento, iríamos desmaiar. Quanto mais perto chegava das 4:30, mais eu queria fazer exatamente o que Nate sugeriu e participar do treinamento hoje. A forma como Atlas olha para o relógio me diz que ele pode estar pensando na mesma coisa... Talvez pudéssemos visitar nossa pequena passarinha antes que ela precise voar novamente.
"Troque de roupa, irmão."