Capítulo 7

1457 Words
Tirei meu capacete, observando as expressões chocadas de Denny e mais duas pessoas que não reconheci. "Harley, merda. Você está bem?" O medo em sua voz era quase lamentável. Ele começou a me examinar, procurando os ferimentos que causaram o sangue a me cobrir. Ele está sofrendo mais com as mortes do que eu. "Não é meu sangue, Den. Havia seis renegados a cerca de quinze milhas daqui. Sua patrulha é uma merda, senão eu não teria que cuidar de três deles sozinha. Os outros fugiram. Talvez você queira ampliar suas patrulhas para ter uma visão melhor antes que eles se aproximem demais." Ele apertou a mandíbula, mas assentiu, e quando seus olhos ficaram vidrados, indicando uma conexão mental sendo formada. Respirei um pouco mais aliviada, sabendo que ele tinha seguido meu conselho. Nos últimos dez anos, Denny, mais do que meus pais, sabia minha posição na alcateia de Byron e tinha alguma ideia do que eu era capaz. Nem ele nem meus pais sabiam que meu lobo estava adormecido, porém,  temo que isso possa causar problemas aqui. "Vou para a casa, Den." Enquanto eu estava colocando meu capacete de volta, ele me interrompeu. "Harls, a casa foi incendiada no ataque. Eu tenho um espaço para você no andar beta da casa da alcateia." Ele não conseguia fazer contato visual comigo porque sabia da magnitude que eu carregaria. Não. De jeito nenhum. Eu NÃO vou dormir sob o mesmo teto que eles. "Denny... Você está brincando comigo? Não. Vou alugar um quarto." Cruzei os braços na tentativa de me manter firme. Sinto como se pudesse explodir. Um cansaço repentino me atingiu, meu corpo dolorido pelo ataque dos renegados, meu estômago roncando pela janta que deixei para trás na festa de Amari, a raiva da situação simplesmente demais para engolir. Inspire. Um. Dois. Três. "Isso também não é uma opção." Denny finalmente encontrou coragem e encontrou meus olhos. Ele parece decidido em sua decisão, e isso me deixa ainda mais irritada. "Apenas alguns dias, Harls... por favor! Preciso da minha irmã." Denny pode ser meu irmão mais velho, além de ser o beta durão de Clearwater. Mas ele herdou o lado emocional de minha mãe, algo do qual eu fui felizmente poupada. "Tudo bem. Vamos." Acenei para o caminhão que presumi ser dele. Meu peito estava prestes a desmoronar ao pensar em estar perto deles. Eu era tão malditamente estúpida e fraca naquela época que nem sequer consegui aceitar a rejeição deles. No momento em que completaram dezoito anos e perceberam que eu era a companheira deles, eles imediatamente me rejeitaram para me "poupar" da perda do vínculo. Lidei com essa perda todos os malditos dias desde então. É meu combustível, minha motivação. Eu sabia que seria forte o suficiente para aceitar essa rejeição um dia. Mas não esperava que fosse hoje. Vim planejar um funeral. Em vez disso, tenho que aceitar a rejeição deles, parecendo a Carrie. Deixei o Denny nos liderar mesmo conhecendo este lugar como a palma da minha mão. O Denny nos levou para uma garagem, desliguei a moto, desci e joguei minha mochila nele. "Eu sei que isso não é ideal", ele murmurou, me ajudando a tirar a jaqueta que tinha secado na minha pele. Não, Harley. Você é mais forte do que isso. Engoli as emoções crescentes. "Eu preciso de um banho, Den." Seus olhos percorreram tudo embebido de sangue em mim, e um sorriso se formou. "Acho que você está bem durona, Harls." Sua risada era animada e familiar, e me deixava feliz. "Eu estou horrível, Denny. Me leva para o meu quarto para que eu possa lavar essa sujeira de rebelde do meu cabelo." Um sorriso brincou nos meus lábios enquanto atravessamos uma porta que nos levou à cozinha, onde subimos uma escada que nos permitiu evitar todos. Exceto a equipe da cozinha, que estava encarando bastante. Denny me puxou para um elevador, apertou o botão número 2 e depois passou um cartão que virou e me entregou. "Isso vai te dar acesso ao andar beta enquanto você estiver aqui. Sempre é o dois. O um é o andar do alfa, e o terceiro é o gama." Um silêncio envolveu nós dois. A realidade da minha visita afundou. "Eles sofreram?" Eu queria tanto manter minha voz firme. Eu precisava parecer mais forte. Ele balançou a cabeça negativamente, mas não conseguiu me encarar. Isso me fez questionar se ele estava sendo sincero ou não. A dor no meu peito voltou quando o elevador abriu, nos permitindo entrar. Este andar era como uma casa com quatro quartos e três banheiros, com tudo menos uma cozinha. O quarto que o Den preparou para mim era em tons de creme e branco, e embora eu prefira coisas mais escuras, vai servir por alguns dias. Sem mencionar que tinha uma das camas king mais bonitas que já vi. Denny ficou na porta, me observando dar uma volta pelo quarto, sorrindo com minha aprovação. Peguei minha mochila e corri para o banheiro privativo. O vapor subindo do chuveiro de mármore me deixou animada. Esfreguei as sujeiras de rebelde e sangue de mim, observando-as girar pelo ralo. Agora que mamãe e papai se foram, tenho que encontrar uma maneira de estar na vida do Den. Lavei e esfreguei até minha pele ficar limpa e meu cabelo cheirar a céu novamente. Quando fiquei satisfeita de estar limpa, me envolvi em uma toalha felpuda enorme e peguei um short preto de dormir e uma regata na minha bolsa. Deixei meu cabelo solto para secar naturalmente e corri para fora do banheiro para encontrar o Denny na sala de estar com várias comidas para viagem, bebidas e minha katana da minha moto. "COMIDAAA!" Corri em direção à mesa de café, peguei uma caixa e relaxei com o sabor da comida chinesa r**m. "Droga, vai devagar, irmã." Denny riu, mergulhando em suas caixas e me lançando um olhar irritado quando acertei ele com um rolinho primavera. Satisfeita com a barriga cheia, peguei uma garrafa do uísque caro dele, um copo de shot e algumas outras coisas necessárias, e me acomodei no chão em frente à lareira para limpar minha katana. Tomei um gole e comecei a trabalhar na minha arma. "Por que você não se transformou?" Denny me observou, mas eu estava apenas olhando para minha lâmina. Eu adoro essa espada e a trato melhor do que a mim mesma. "Não precisei." Dei de ombros. "Sabe que está deixando toda a matilha falando, né? Entre a equipe da cozinha me vendo subir as escadas com uma criança ensanguentada e a bagunça, alguns homens saíram para limpar. Os rumores estão circulando de que eu contrabandeei uma criança ninja." Seu sorriso infantil fez com que suas olheiras parecessem menos dramáticas. Não preciso chamar atenção para mim enquanto estou aqui. "Ah é? Isso não é bom." Sorri, tomando outro gole. As pessoas me confundindo com uma criança não é tão surpreendente ou lisonjeiro como costumava ser. Agora é apenas irritante. Mesmo tendo um b***o tamanho 36/38 e uma b***a grande, minha estatura de um metro e meio estraga tudo para mim. Denny tem um metro e noventa e oito, pelo amor de Deus. Eu realmente pareço uma criança perto dele. Uma batida repentina na porta me tirou da tranquilidade, e meu coração parecia querer saltar pela minha camisa. "Se acalme. É só o nosso Gamma Nathan. Relaxe." As mãos de Denny estavam estendidas como se ele estivesse tentando convencer um gato vadio de que era seguro com ele. Sinceramente, eu me sentia como um vira-lata agora. Tomei mais um gole e continuei limpando minha lâmina. Um assobio baixo ecoou da entrada, e esse cara classicamente bonito entrou, me olhando de cima a baixo. Den sussurrou algo em seu ouvido, e seu sorriso desapareceu. Ele limpou a garganta e se apresentou formalmente. Entregou algumas pastas para Denny e sentou-se no sofá, revisando o conteúdo. "Eu participei da limpeza esta noite. Não consigo acreditar que você causou todo esse estrago com uma espada sozinha." Seus olhos estavam cheios de empolgação, como se ele realmente achasse que eu era uma ninja ou algo assim. Sorri para ele, mas foi mais por educação do que qualquer outra coisa. "Bem, na verdade, eu sou... Eu." Minhas palavras ficaram presas na garganta. Como explicar minha posição para um estranho? "Se não fosse pelo vínculo inquebrável dela com esta matilha, Harls aqui seria a guerreira principal da matilha do Alpha Byron." Denny disse, soando quase... orgulhoso de mim. "Ela nem se transformou, Nate. Acredita nisso?" Eles estavam realmente me encarando agora. "Nesse caso, vou para a cama." Levantei-me, arrumando minha bagunça e troquei boas noites com meu irmão e o gamma. Rapidamente me afundei nas cobertas da cama, mergulhando na escuridão.
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