As últimas 48 horas passaram rápido demais e eu já não sabia ao certo o que estava acontecendo. “Não depende só de mim”, pensei, enquanto encarava o rosto abatido do meu namorado, sentado à minha frente, olhando para o chão.
— Eu não estou aguentando mais, não foi minha intenção te magoar — disse ele, virando-se para mim.
— Não podemos falar sobre isso agora — falei, conferindo o relógio com a passagem na mão. — Eu preciso ir para casa, não posso me atrasar.
Peguei a bolsa na cama, puxei a mala e caminhei até a sala. Ouvi seus passos atrás de mim e, quando cheguei à porta, ele disse:
— Tudo bem, então.
Pelo tom da voz, percebi que ele não estava bem. Eu também não, com tudo o que tinha acontecido. Por mais doloroso que fosse, partir era o certo. Precisava estar no trabalho no dia seguinte. Sentimentos ainda existiam dos dois lados, mas sabíamos que algo havia mudado — e só amor não era suficiente.
— Eu te amo — murmurei, sem coragem de encará-lo, tentando segurar as lágrimas.
Senti suas mãos em meus ombros, a voz quente ao meu ouvido:
— Eu também te amo.
As mãos dele deslizaram devagar pelas minhas costas. Ele me puxou e me beijou lentamente; o gosto do beijo se misturou ao das nossas lágrimas.
Abri a porta e segui até a rua, onde o táxi me aguardava. Um senhor gentil colocou a mala no bagageiro e abriu a porta. Assim que entrei, recebi a mensagem: “Eu amo você”. Virei-me a tempo de vê-lo secar as lágrimas com o punho da camisa e acenar antes de guardar o celular no bolso. Não consegui olhar para trás enquanto o carro se afastava, mas sei que ele permaneceu parado ali até me perder de vista.
Aquele seria nosso fim?