CAPÍTULO 2 — A ARMADILHA

934 Words
Luna Carvalho não era o tipo de mulher que se intimidava facilmente. Mas naquele momento… o coração dela estava batendo rápido demais. Aleksandr Volkov. O homem que comandava um dos impérios empresariais mais poderosos da Europa. O homem que ela estava investigando há meses. E agora ele estava diante dela… olhando diretamente nos olhos dela como se já soubesse tudo. Luna manteve o rosto neutro. — Você deve estar me confundindo com outra pessoa — respondeu calmamente. Aleksandr soltou um pequeno riso. Baixo. Quase divertido. — Não. Ele deu um gole no uísque. — Eu raramente me confundo. Droga. Ela precisava sair dali. Agora. Luna forçou um sorriso educado. — Foi um prazer conhecê-lo, senhor Volkov. Ela deu um passo para o lado. Mas ele se moveu primeiro. Bloqueando o caminho. Não de forma agressiva. Mas de forma impossível de ignorar. Alto demais. Grande demais. Presença demais. — Com tanta pressa? — ele perguntou. — Eu tenho compromissos. — Engraçado. Ele inclinou levemente a cabeça. — Porque minha equipe verificou a lista de convidados… e você não tem compromisso algum aqui. Luna respirou fundo. — Talvez eu esteja no evento errado. Aleksandr sorriu de lado. — Isso é exatamente o que estou tentando descobrir. Silêncio. Por alguns segundos, eles apenas se encararam. Uma tensão estranha pairava entre os dois. Ela devia odiá-lo. Ele era o alvo da investigação dela. Mas havia algo naquele homem… Algo perigoso. Magnético. Então o celular de Luna vibrou dentro da bolsa. O coração dela disparou. Era o contato. Ela precisava atender. Agora. — Com licença — disse rapidamente. Ela se afastou antes que Aleksandr pudesse responder. Caminhou em direção ao corredor lateral do hotel. Mais silencioso. Mais vazio. Ela tirou o celular da bolsa. Mensagem. Número desconhecido. Mas era o código combinado. “Garagem. Agora.” Luna olhou rapidamente ao redor. Ninguém. Perfeito. Ela começou a andar rápido pelo corredor. Elevador. Térreo. Porta de serviço. Cinco minutos depois… Luna entrou na garagem subterrânea do hotel. O lugar estava quase vazio. Apenas alguns carros de luxo estacionados. O eco dos passos dela reverberava no concreto. — Olá? — ela chamou. Nenhuma resposta. Estranho. Ela caminhou mais alguns metros. — Eu estou aqui. Silêncio. Então ela viu. Um carro preto parado perto da coluna. Porta aberta. Luna aproximou-se devagar. — Você está aí? Nenhuma resposta. Algo estava errado. Muito errado. Ela deu mais um passo. E então viu. Um homem caído no chão ao lado do carro. Imóvel. Sangue espalhado pelo concreto. O ar desapareceu dos pulmões dela. — Meu Deus… Era ele. O contato. Os olhos dele estavam abertos. Sem vida. Luna deu um passo para trás. O pânico subiu como um choque elétrico. Isso era uma armadilha. Alguém sabia. Alguém descobriu. E se descobrissem que ela estava ali… Passos ecoaram na garagem. Firmes. Pesados. Luna virou rapidamente. Aleksandr Volkov estava parado a poucos metros. As mãos nos bolsos. O olhar frio analisando a cena. Depois… analisando ela. — Interessante — ele disse calmamente. O sangue dela gelou. — Isso não é o que você está pensando. Aleksandr caminhou lentamente até o corpo. Agachou-se. Observou. Depois levantou novamente. — Um homem morto na garagem do meu hotel… Ele olhou diretamente para Luna. — …e uma jornalista investigativa brasileira ao lado dele. O coração dela parou. — Como você— — Eu sempre faço pesquisa antes de falar com alguém. Droga. Droga. Droga. — Eu não matei ele — Luna disse rapidamente. Aleksandr ficou em silêncio por alguns segundos. Observando. Analisando. Então falou algo inesperado. — Eu sei. Ela piscou. — O quê? — Você não matou ele. Ele apontou discretamente para o corpo. — O tiro foi feito de longe. Ele levantou os olhos para o teto da garagem. — Provavelmente do andar superior. Luna sentiu um arrepio. — Então você acredita em mim? Aleksandr deu um pequeno sorriso. — Acredito que você não é burra o suficiente para cometer um assassinato dentro da minha propriedade. Não era exatamente um elogio. Mas servia. Sirene. Ao longe. Polícia. Luna sentiu o pânico voltar. — Eu preciso ir. Ela começou a se afastar. Mas Aleksandr segurou o braço dela. A mão forte envolvendo o pulso dela. Firme. Quente. Impossível de ignorar. — Não. — Me solta. — Se você sair agora… Ele aproximou o rosto. Os olhos cinza brilhando de forma perigosa. — …a polícia vai te encontrar correndo de uma cena de crime. O estômago dela revirou. Ele estava certo. — Então o que você sugere? — ela perguntou. Aleksandr soltou o pulso dela lentamente. Pensativo. Então pegou o celular. — Ivan. Pausa. — Traga o carro. Luna franziu a testa. — O que você está fazendo? Ele guardou o celular no bolso. — Salvando você. — Eu não preciso— — Precisa. Ele se inclinou um pouco mais perto. A voz baixa. Controlada. — Porque alguém matou esse homem para silenciar uma investigação. O coração dela disparou. — E? — E você claramente era parte dessa investigação. Ele abriu um pequeno sorriso. — O que significa que agora… ele fez uma pausa dramática. — …você provavelmente é o próximo alvo. Silêncio. Sirene mais próxima. Aleksandr estendeu a mão para ela. — Venha comigo, Luna. Ela olhou para a mão dele. Depois para o corpo. Depois para as luzes vermelhas da polícia que começavam a aparecer na entrada da garagem. Ela não tinha escolha. Quando segurou a mão dele… Luna ainda não sabia. Mas naquele momento… sua vida tinha acabado de se ligar para sempre à família mais perigosa da Rússia. E Aleksandr Volkov… não tinha intenção alguma de deixá-la ir.
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