Capítulo Sete

1568 Words
Quando Eleanor chegou em casa ela foi direto para seu quarto, seu porto seguro tinha se transformando em um cômodo branco com vários pôsters pela parede e uma cama kig sized. Ela jogou sua mochila no chão e deitou-se na cama ainda com a roupa da escola. Aquilo era um pesadelo. Rae estava estranha com ela desde domingo a noite e a professora pensando que estava mudando a vida dos alunos com arte (não que a arte não mudasse a vida das pessoas, até porque era algo que Eleanor adorava) colocou as duas para encenarem juntas. Não ia ser agradável ter que fingir um romance com Rae, seus sentimentos por ela já estavam à flor da pele. — Elea? — Rae bateu três vezes na porta embora ela estivesse entreaberta. — Pois não? — Eleanor se sentou na cama e Rae adentrou o quarto, ela já tinha tomado banho e cheirava a orquídea n***a. — Acho que começamos as coisas da forma errada hoje. Desculpe por não ter de acordado mais cedo, por culpa minha levamos uma ocorrência. — A culpa também foi minha de não colocar o celular pra despertar. Está tudo bem. — A gente nem conversou direito hoje. — Rae sentou ao lado de Eleanor. — Adoro a Blake, mas ela não larga do meu pé. — É. — Eleanor não queria falar m*l de Blake, por mais que sua língua estivesse coçando para isso. — Como foi o seu dia? — Não muito empolgante. — Eleanor sorriu sem graça. — E o seu? — Nada legal. As duas ficaram em silêncio, por que elas estavam agindo daquela forma? A conversa parecia forçada e obrigatória, como John fazia na mesa do jantar todos os dias. Elas eram melhores amigas, mas agora era como se uma invisível estivesse se formando entre elas, a barreira ficava maior a cada segundo e ambas não sabiam como a romper. — Dorme aqui hoje? — Eleanor quebrou o silêncio. — Como quiser, capitã. *** Eleanor deitou em sua cama e ficou encarando a televisão desligada, enquanto Rae não chegava. Tinha sido uma boa ideia a chamar para dormir ali? Não, ela concluiu. Na verdade, tinha sido péssimo, mas quando Rae chegou no quarto e deitou ao seu lado em silêncio, ela teve que suportar seu arrependimento. Aquele clima de casamento em criae pairava no ar, como se tudo estivesse indo por água abaixo e o divórcio era a melhor opção. — Você nem me viu chegar. — Rae disse quase sussurrando e Eleanor virou de lado para a encarar, a clavícula exposta debaixo da camisola, aqueles lábios tão bem definidos e os olhos de cansaço a encarando. — Eu estava pensando. — Em quê? — Em nada especificamente. Sabe aqueles pensamentos variáveis que uma coisa leva a outra e quando você percebe, nem sabe mais o que deu início a eles? — Posso compreender. — Rae deu um sorriso de leve. As duas se encararam por um instante e depois se viraram de barriga para cima. Um casamento em colapso, Eleanor pensou. — Boa noite, Elea. — Boa noite, Rae. *** O despertador de Eleanor a acordou ao som de "Her" da banda "The American Dawn", ela levantou e encarou a cama vazia. Rae não dormiu a noite toda ao seu lado, ela saiu do quarto às três da manhã, Eleanor a viu sair, mas fingiu não ter visto. Era melhor assim. Afinal, nada poderia estragar o seu dia, porque ela tinha treino de natação depois da aula e isso sempre foi a sua paixão. Ela gostava da sensação dos pulmões ardendo quando faltava oxigênio e do relaxamento no corpo todo quando respirava novamente, era uma ótima forma de saber que estava viva. Eleanor saiu arrumada do quarto e foi até à cozinha pegar algo para comer, mas para a sua surpresa ou não, Colette e John estavam fazendo o café da manhã. — Já estou indo, amor. — John beijou a testa de Colette. — Bom dia, Eleanor! — Bom dia, John. — Eleanor sorriu da forma menos assustadora que podia. John saiu de casa e Eleanor se sentou em uma cadeira de frente para a bancada da cozinha, ela se apoiou na bancada e ficou olhando sua mãe preparar waffles. Ela lembrou que um ano antes de seus pais se separarem, Colette começou a sair mais cedo para o trabalho usando com a desculpa de que tinha que chegar antes do horário no hospital, mas ela sabia muito bem que era para evitar contato com seu pai. — Bom dia! — Rae surgiu na cozinha. — Bom dia, meninas. — Colette colocou os waffles em cima da bancada, finalizando com chantilli e alguns mirtilos. Aquilo revirou o estômago de Eleanor. Rae pegou dois waffles e uma xícara de café e sentou na cadeira ao lado de Eleanor. — Filha, tome seu café, não quer chegar atrasada de novo, quer? — Estou sem fome. — Ah, não tem essa. Você tem treino hoje e precisa se alimentar bem, pega pelo menos um copo de suco. — Não consigo. — Leva uma fruta para comer no caminho então. Tudo bem? — Tá bom. Colette saiu da cozinha e deixou Rae e Eleanor na cozinha. — Você está bem? — Rae perguntou preocupada. — Estou, só acordei sem fome. — Você também não jantou direito ontem. Jura que não está sentindo nada? — Juro. — Então tá. — Rae respondeu sem muita convicção. *** Eleanor deixou sua mochila no armário, pegou sua roupa de natação e foi para o ginásio. Finalmente havia chegado a hora mais esperada do dia, ela tinha sentido muita falta daquele lugar. Assim que chegou ao ginásio, foi para o vestiário colocar sua roupa de banho, a única coisa negativa de nadar na escola era ter que se trocar na frente de outras garotas. Por sorte, só havia duas meninas asiáticas vendo algo muito engraçado no celular. Eleanor se trocou rapidamente e foi para a piscina. De longe ela viu Jane com um maiô amarelo e os cabelos presos em um coque. ─ Boa tarde alunas. ─ A professora de educação física chegou no ginásio, ela era linda, seu corpo era esguio, tinha a pele escura e os olhos profundamente verdes, e por esse motivo muitos meninos se interessavam em fazer aulas de natação. ─ Hoje vamos fazer uma mini competição entre vocês, só para ver quem aqui está mais apto a competir no mês que vem, semana que vem teremos os treinos normais. Espero que tenham treinado durante as férias. ─ A professora olhou para as garotas. ─ Primeiro vão ser vocês, Selene, Lili e Eleanor. As três assentiram e começaram a se alongar. Eleanor não estava se sentindo muito preparada, ela não tinha treinado praticamente nada durante as férias, mesmo que ela já tivesse ganhado várias competições, nadar não é algo que se sabe ao nascer. É algo que exige muita prática e ser a melhor exigia ainda mais esforço. As meninas se colocaram em posição e esperaram pelo som do apito da professora, quando ouviram o barulho, pularam na água em sincronia. Eleanor liderava a competição, mas quando estava se aproximando da borda sua cabeça começou a latejar de dor e seu ritmo desacelerou, Selene e Lili passaram por ela. — Eleanor, você está bem? — A professora perguntou preocupada, Eleanor tentou continuar, mas era impossível. — Não, preciso de ajuda. — Tudo em volta dela estava girando como um ioiô, ela não conseguia enxergar nada fixamante, apenas vultos frenéticos em sua frente. Quanto mais ela tentava se mexer, maior ficava a dor de cabeça. Eleanor fechou os olhos e deixou seu corpo boiar, depois de alguns segundos, ela sentiu alguém a puxando da água, quando chegaram à borda, ela conseguiu abrir os olhos, era Jane. — Consegue andar? — Jane perguntou preocupada. — Acho que sim. — Eleanor disse fraca, a professora ajudou Jane a tirá-la da água e finalmente ela conseguiu se estabilizar. A cabeça ainda doía muito, mas pelo menos conseguia enxergar quem estava ao seu redor. — Vamos nos sentar naquele banquinho, consegue caminhar? — Jane apontou para um banco de metal que as nadadoras costumavam chamar de banco reserva da natação. — Sim. As duas se sentaram no banco e a professora trouxe uma toalha branca para Eleanor. — Obrigada, Stella. — Eleanor a agradeceu e colocou a toalha sobre os ombros. — O que está sentindo? Você quase se afogou. — Stella sentou ao lado dela. — Minha cabeça está doendo muito, mas acho que é só porque não me alimentei muito bem hoje. — Jane vá para a enfermaria com ela e depois a acompanhe até em casa, ok? — Pode deixar, Stella. — Jane ajudou Eleanor a se levantar. — Cuide-se, Eleanor! — Stella gritou quando elas já estavam adentrando o vestiário, Eleanor fez joia com dedo e entrou no local. Ela vestiu suas roupas rapidamente e saiu do ginásio com Jane ao seu lado. — Não vou à enfermaria, foi só um m*l estar, Jane. — Vou acreditar em você, Eleanor, porque isso nunca tinha acontecido. Mas se precisar, estarei aqui. — Jane abriu seu armário e pegou uma caixinha de suco.p — Bebe isso aqui enquanto esperamos o treino da Rae acabar. — Tudo bem. — Eleanor pegou a caixinha de suco e as duas caminharam juntas rumo ao campo de futebol da escola.
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