Primeira conversa

1292 Words
A semana passou como um borrão para Betty. Ela dividiu seu tempo entre consulta médica com Polly; organização da festa que Verônica e Kevin planejaram; a edição do the blue and gold: o jornal da escola no qual ela foi convidada para ser editora; cafés da manhã com os pais e jantares com seus amigos; sem falar nos encontros com JellyBean pelos corredores e por fim nos ensaios das river vixes. Verônica deu um jeito de encaixar Betty no time das torcedoras. Na sexta feira a noite, Betty estava exausta e mesmo assim escolheu uma roupa para a festa de JB. Ela optou por um vestido verde de mangas com botões dourados e um cinto também dourado, a sapatilha era da cor do vestido. Ela pegou o presente e colocou dentro de sua bolsa, logo depois saiu do quarto. Alice estava bastante concentrada em seu notebook, porém levantou o olhar assim que Betty passou por ela. –Onde é que você vai mesmo? – Ela perguntou para a filha, avaliando sua expressão com seu olhar rígido. –Vou jantar na casa do Kevin com a Verônica e o Archie, eu já tinha falado com a senhora. –Sim, eu me lembro. Acontece que eu estou achando que você está saindo de mais, Betty. –Mãe, sair com meus amigos não está atrapalhando em nada nas minhas atividades. –Ainda não, Betty. Mas é só a primeira semana. Daqui a pouco começam as provas e eu não quero saber de notas baixas. –Quando começarem as provas, eu fico em casa estudando. Até lá, vou recuperar o tempo perdido com os meus amigos – Betty beijou o rosto da mãe. – Amo a senhora, até mais tarde. –00:00 é o horário que eu vou ligar pro xerife se você não estiver em casa. Não esquece! –Não vou esquecer. E com isso Betty saiu de casa e encontrou Kevin a esperando no carro. –Olha só pra você, está linda. Se eu fosse hétero, talvez te desse uma chance. –Me sinto lisonjeada – Betty sorriu – É sério mesmo que nós vamos no carro do seu pai pra festa? –Não. Mas eu precisava pegar o carro para depois, vou deixar ele estacionado um pouco perto de lá e o Joaquin vai estar esperando a gente. –Entendi. Assim que chegaram no local marcado, o tal Joaquin esperava por eles. Betty só conseguiu ver ele quando o mesmo se aproximou da luz. Ele se camuflava com seus cabelos negros e roupas escuras. Assim que os dois garotos se encontraram, deram um beijo bastante íntimo, daqueles que as pessoas dão só quando estão sozinhas. Betty se perguntou se tinha algum talento para segurar vela. Eles pararam quando lhes faltou ar. Kevin limpou o canto da boca e se virou para Betty, finalmente notando a presença da garota. –Betty, esse é o meu namorado, Joaquin. –Joaquin, essa é a minha melhor amiga, Betty. –Prazer – Os dois se cumprimentaram. –Então vamos né. – Kevin sugeriu. –Venham por aqui – E assim Joaquim guiou os dois amigos para o lado sul de Riverdale. O bar Whyte Wyrm estava lotado de motoqueiros, todos com uma jaqueta com o simbolo da serpente, é claro. Betty se agarrou a Kevin, quando alguns olhares curiosos lhe foram lançados. Uma música alta tocava e ela presumiu que fosse algum rock antigo. Kevin estava tão com medo quanto Betty, mas queria manter a postura diante daquelas pessoas. –Você tá vendo a JB em algum lugar? – Betty perguntou. –Não. Já podemos ir embora? – Kevin perguntou baixinho. –Vamos beber – Joaquim puxou Kevin e sumiu no meio da multidão, deixando uma Betty sozinha e apavorada. Ela estava dando volta e indo em direção a saída, quando esbarrou em um cara. Ele a segurou para não cair. Era um jovem pálido, alto, com cabelos pretos um pouco grandes e olhos azul-verde. Seu estilo de roupa era o mesmo que o de Joaquin, roupas escuras com o símbolo das serpentes. O que era peculiar em seu vestuário, era uma toca cinza que ele usava. Eles passaram alguns segundos com o olhar fixado, até que ele deu um sorrisinho de lado para ela, fazendo Betty olhar para o lado, constrangida. –Desculpa – Betty se afastou. –Sem problemas – Ele respondeu, ainda sorrindo e sem tirar os olhos dela. –É melhor eu ir andando – Betty tentou se afastar, mas ele segurou na mão dela, fazendo uma eletricidade percorrer os corpos deles. –Não acho que uma garota como você deveria andar sozinha por aqui. Mesmo com o efeito diferente e excitante que ele provocou nela, aquela frase irritou Betty profundamente. Ela apertou a mão que estava livre. –O que você quer dizer com uma garota como eu? – Ela se virou para ele. Ele sorriu, contente que tinha conseguido a atenção dela. –Você sabe, a garota perfeitinha que não deveria estar desse lado da cidade. Tá na cara que você não é daqui. Betty respirou fundo. –Você não sabe nada de mim. –Na verdade não é difícil deduzir. –Talvez eu não seja daqui mesmo, mas estou longe de ser perfeita. –Duvido. –Cala a boca – Betty se alterou. Estava ficando realmente estressada com ele – Você é um babaca. –Sabia que você fica mais linda ainda estressada? Betty revirou os olhos e foi embora, para longe dele. Ela acabou esbarrando em outra pessoa, mas para a felicidade dela, era JellyBean. –Betty, oi, você veio.– JB abraçou a garota. –Estava te procurando. Abafado aqui né? JB riu. –Você se acostuma. –Toma. Meus parabéns – Betty tirou a pequena caixinha da bolsa e entregou para a amiga. –O que é isso? –Seu presente ora – JellyBean começou a rir – Algum problema? –Desculpa, obrigada pelo presente. Acontece que você foi a única a trazer presente. Não somos do tipo que presenteia dessa forma. –Ah, entendi – Betty se sentia cada vez mais i****a ali. –Obrigada mesmo – JB guardou o presente dentro da jaqueta – Você veio sozinha? –Não, vim com um amigo meu e o namorado dele. Joaquin, você conhece? –E como conheço. Não sabia que ele namorava o seu amigo. –Mundo pequeno. –Cidade pequena –JB comentou – Você quer beber alguma coisa? –Tem suco? – Betty perguntou. JB teve outro ataque de riso. –Você é engraçada, Betty. Se você não bebe bebida alcoólica, vai ficar com sede. É só isso que temos por aqui. Betty assentiu, desejando ir embora o mais rápido possível. Precisava encontrar Kevin. –Então não. Você bebe? –Não, mas hoje são meus 18 anos. Preciso comemorar em grande estilo – JB admitiu. Betty percebeu como ela estava diferente da garota que ela tinha conhecido no banheiro. Ali naquele bar JellyBean parecia mais adulta, nada frágil e desprotegida. Betty imaginou que agora ela parecia a garota que precisava de proteção. –Você viu o Joaquin? – Não. Mas acho que sei onde eles devem estar – Ela deu um sorriso sacana. Betty entendeu o que ela quis dizer e percebeu que teria que esperar a transa do seu amigo acabar para eles poderem ir embora – Vem comigo, quero te apresentar umas pessoas. JellyBean levou Betty para um local mais calmo do bar, onde tinha uma mesa com alguns cara e uma mulher, bem no centro estava o cara bacaba que tinha tirado sarro da cara de Betty. -Betty, esse é o meu irmão, Jughead Jones. – JB informou, apontando para o moreno, que não escondeu a felicidade em ver a garota loira.
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