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679 Words
Os dias foram passando, e Mia ficava cada vez mais abatida. O peso da notícia parecia crescer dentro dela, consumindo sua rotina, seus pensamentos e até sua esperança. Ela evitava sair, evitava olhar no espelho. Tudo parecia estranho, como se a vida tivesse sido tirada do próprio controle. Até que um dia, Mateus apareceu para vê-la. Ele entrou na casa com o rosto fechado, tentando parecer calmo, mas era visível a tensão no olhar. Mia, assim que o viu, já sabia que aquele momento seria difícil. Ela respirou fundo… e contou tudo. Desde o exame, o erro da clínica, até a confirmação da gravidez. Quando terminou, o silêncio tomou conta do ambiente. Mateus passou a mão no rosto, andando de um lado para o outro, claramente abalado. E então falou, sem rodeios: — Não… não, Mia. Você precisa abortar esse bebê. Ela arregalou os olhos, como se tivesse levado um golpe. — Não, Mateus… eu sou virgem… eu não posso passar por esse procedimento… eu não posso… Ele se aproximou, a voz mais firme, quase fria: — Então a gente fica junto… e depois você faz o procedimento. Ela deu um passo para trás, em choque. — Você tá se ouvindo, Mateus? Você quer tirar minha virgindade e depois me submeter a uma cirurgia dessas? Ele respirou fundo, visivelmente frustrado. — Mia… você é minha noiva. Eu não vou criar um filho de outro homem. Eu nunca toquei em você… eu queria você grávida de mim, não de outro. As palavras dele cortaram fundo. Os olhos dela se encheram de lágrimas imediatamente. — Mateus… Ele passou a mão no cabelo, irritado e magoado ao mesmo tempo. — Não, Mia. Tá tudo acabado entre a gente. O mundo dela desabou de novo. — Mateus, não… — ela correu atrás dele, segurando seu braço, chorando. — Por favor… Ele parou por um instante, mas não virou completamente. — Eu já disse o que tinha que ser feito. Se você não quer… então adeus. E saiu. Mia ficou parada no meio da sala, tremendo, sentindo o peito apertar como se não conseguisse respirar. O choro veio forte, desesperado, enquanto ela via o amor da sua vida ir embora… e tudo que restava era um futuro que ela nunca escolheu. A mãe correu até ela assim que ouviu o choro se intensificar. Mia estava caída no sofá, encolhida, tremendo, como se não conseguisse mais segurar nada dentro de si. O rosto molhado de lágrimas, a respiração falha, o corpo inteiro em choque. — Mamãe… — ela soluçou, agarrando a roupa da mãe. — Ele me deixou… mamãe… ele me deixou… A mãe a envolveu nos braços imediatamente, apertando-a contra o peito, tentando protegê-la do que já não tinha mais como impedir. — Calma, minha filha… calma… eu tô aqui… — ela dizia baixinho, passando a mão no cabelo dela. Mas Mia não conseguia parar de chorar. — Eu não fiz nada errado… mamãe… eu não fiz nada… — a voz saía quebrada, quase sem força. — Eu não escolhi isso… eu não queria isso… ele não quis me ouvir… A mãe fechou os olhos por um instante, sentindo a dor da filha como se fosse sua. — Eu sei… eu sei, meu amor… Mia se apertou ainda mais contra ela, como se tivesse medo de ser deixada também. — Ele disse que acabou… que não quer mais… mamãe… eu ia casar… eu ia ser feliz… A mãe segurou o rosto dela com cuidado, fazendo ela olhar. — Olha pra mim, Mia… você não tá sozinha. Você me entende? Você não tá sozinha. Mia soluçou mais forte, balançando a cabeça. — Eu perdi tudo… A mãe a abraçou de novo, firme, sem soltar. — Não perdeu não… você só tá vivendo uma dor muito grande agora. E eu vou te ajudar a passar por isso. Um passo de cada vez. A casa ficou em silêncio, quebrado apenas pelo choro de Mia, enquanto a mãe permanecia ali, segurando a filha como se aquilo fosse a única coisa que ainda a mantinha de pé naquele momento.
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