Lívia Narrando Acordei sentindo um alívio que eu não experimentava havia dias. Talvez fosse o efeito de finalmente ter dormido sem pesadelo, ou a simples esperança de que tudo poderia mudar. Desenrolei o corpo devagar, ajeitando o lençol de cetim que meu pai insistia em comprar — sempre exagerado com o meu conforto. Virei pro lado e peguei o celular na mesinha, conferindo as horas: passava das dez da manhã. “Droga, dormi muito”, pensei. Levantei, pisei no tapete felpudo e fui direto pro banheiro. O friozinho de ar-condicionado me fez arrepiar enquanto jogava uma água no rosto, tentando limpar as olheiras que me espreitavam no espelho. Passei o sabão de rosto, dei uma esfoliadinha rápida e murmurei, quase rindo de mim mesma: — Deve tá parecendo que levei dez tapas na cara, depois de t

