Lívia Narrando Rapaz, juro que eu não esperava que o Gabriel fosse me meter num carro e me levar direto pro lugar dele. Achei que, sei lá, a gente ia passar num shopping, comer alguma coisa ou, no máximo, tomar um sorvete. Mas não. Ele dirigia focado, como se tivesse um destino pré-definido, e eu ali, sentindo meu coração bater no compasso do motor. Em certo momento, toquei no braço dele: — Tá indo pra onde, Gabriel? Cê não vai se perder, não? Ele deu uma risadinha sacana, sem tirar o olho da rua: — Relaxa, loirinha. Tô indo pro meu canto, mas não fica aí achando coisa. Agora cê vai ver onde eu durmo às vezes, quando não tô na correria. Arqueei a sobrancelha, meio desconfiada, lembrando da p***a toda de ontem: “Ai, não posso te levar no meu lugar”, “sou muito ocupado”, “motel não rola

