POV DE JÚLIA MONTSERRAT
[CONTINUAÇÃO DO FLASHBACK — 8/9 ANOS ATRÁS]
Eu o agarrei de vez. Meus dedos se embrenharam com desespero nos cabelos escuros dele, puxando seu rosto para baixo.
Não havia mais espaço para o maldito "não". A lógica havia virado cinzas. O fantasma frio e metódico do Arthur, que ainda assombrava a minha pele insatisfeita, foi aniquilado no mesmo segundo.
Minha boca grudou na dele em um choque de pura eletricidade estática. O impacto fez meus dentes baterem contra os dele. Gabriel não apenas me beijou. O desgraçado me devorou viva, provando o meu gosto com uma voracidade assassina.
O beijo era uma batalha sangrenta e territorial. Nossas línguas se entrelaçaram com uma urgência selvagem, brigando por domínio. O gosto inebriante de madeira, sândalo e puro macho invadiu cada sentido meu, tomando posse absoluta do meu sistema nervoso central.
As mãos gigantes e calejadas dele se fecharam no meu corpo com uma força bruta e implacável. Ele apertou minha cintura quase me machucando, mas era exatamente daquela dor lancinante que eu precisava para me sentir viva.
Ele me apertava contra o peito largo como se quisesse me fundir aos seus ossos e músculos. Ele estava me marcando. A pressão quente dos seus dedos deixaria hematomas escuros na minha pele clara no dia seguinte. E eu não me importava.
Eu estava em chamas. Queimando de dentro para fora sob as mãos do Alfa.
Instintivamente, como um animal no cio, inclinei o quadril para frente. Impulsionei meu corpo, esfregando minha i********e úmida, quente e pulsante diretamente contra a dureza absoluta que latejava grossa por baixo da calça pesada dele. O atrito obsceno me fez perder a razão.
— Uhm... Gabriel... — o gemido pecaminoso escapou da minha garganta arranhada, sendo imediatamente engolido e abafado pela boca possessiva dele.
Eu estava completamente sem fôlego. O ar noturno se tornou um luxo caro que os meus pulmões não podiam mais pagar.
Cada movimento agressivo dele contra mim, cada roçar pesado e insistente daquele volume rígido contra o meu centro sensível, fazia meu sangue ferver. Meu corpo inteiro queimava em uma combustão espontânea e impossível de apagar.
O Arthur tinha me deixado encalhada no auge do desejo, me forçando a engolir a frustração. Mas o Gabriel? O Gabriel estava me arrastando violentamente para além de todos os meus limites. Ele estava me puxando para o abismo, e eu estava mergulhando de cabeça.
Me sentia uma predadora tão faminta quanto ele. Minhas unhas afiadas se enterraram fundo nos ombros largos dele, arranhando através do tecido da camisa.
Eu me esfregava contra ele com cada vez mais força, impulsionando o quadril. Eu buscava desesperadamente, com lágrimas de t***o nos olhos, o alívio carnal que só aquele homem sombrio, quebrado e totalmente proibido poderia me dar.
O mármore de pedra gelada da bancada sob a minha b***a nua era o único contraste físico com o inferno que subia rasgando pelas minhas coxas trêmulas.
Estávamos completamente sozinhos, isolados na escuridão perigosa daquela cozinha. O silêncio da madrugada foi rasgado apenas pelo som das nossas respirações entrecortadas e pesadas. O estalo úmido, sujo e desesperado dos nossos lábios e línguas se devorando ecoava nas paredes de azulejo.
O clima carregado na cozinha deixou de ser um simples flerte perigoso. A atração se transformou rapidamente em um verdadeiro campo de guerra sensorial, suor e feromônios espalhados pelo ar.
Gabriel não estava ali para ser gentil ou romântico. E, graças aos céus, eu não queria a p***a da gentileza de ninguém. Eu queria ser completamente consumida e destruída por ele.
Mas uma parte racional do meu cérebro humano, aquela maldita consciência frágil que ainda tentava desesperadamente se agarrar à lealdade ao Arthur, gritava por socorro em meio ao caos da minha luxúria. A culpa tentava frear o t***o, mas estava perdendo a batalha miseravelmente.
O Alfa desceu os beijos com agressividade. A boca úmida dele fazia um rastro de fogo e eletricidade pela extensão do meu pescoço sensível, despertando nervos ocultos que eu nem sabia que existiam.
A barba dele raspou na minha clavícula. Ele passou pelos meus s***s com uma fome animal e brutal. Gabriel mordeu, lambeu e sugou a carne macia com tanta força possessiva que o prazer beirava a dor excruciante.
Ele chupou os dois b***s inchados até deixá-los vermelhos, rígidos e absurdamente sensíveis. O choque elétrico me fez quase perder o chão ali mesmo em cima da pia.
Enterrei minhas unhas sem dó no couro cabeludo escuro dele para abafar o próprio grito. Eu não podia uivar de t***o no meio da casa silenciosa. Minha blusa de moletom estava totalmente erguida, repuxada no pescoço. Meus m*****s úmidos de saliva estavam expostos ao contraste violento do frio cortante do ar noturno e ao calor infernal da língua áspera dele girando sobre eles.
Mas o choque letal de realidade veio como um balde de gelo na minha nuca.
A mão gigante e calejada dele desceu, possessiva e inflexível, roçando na pele lisa da minha barriga. Os dedos grossos agarraram o tecido fino e afastaram a minha calcinha para o lado com um solavanco brusco.
O toque direto nos meus lábios úmidos foi firme.
Faminto. Absoluto.
O choque de adrenalina me paralisou por um segundo. Eu soube, com a clareza de um raio cortando o céu, que se ele me tocasse e me possuísse daquela forma tão crua agora, não haveria mais caminho de volta para mim.
A linha do abismo seria cruzada.
Eu seria dele para todo o sempre. Uma traidora suja, manchada e marcada pelo erro.
Agarrei a mão dele no ar. Segurei o pulso grosso do Alfa com as minhas duas mãos trêmulas, travando os músculos dele.
— Gabriel... para... — eu arfei implorando. A voz saiu falha, fraca e totalmente sem fôlego. Eu tentava empurrar seus ombros largos e rígidos como muralhas de concreto para longe do meu corpo quente.
Minha respiração estava descontroladamente acelerada, o peito subindo e descendo frenético. Meus olhos castanhos ardiam de lágrimas contidas, geradas por uma mistura insana de desejo incontrolável e puro pânico moral.
Mesmo com a minha recusa frouxa, eu sentia a ereção monstruosa dele continuar a pulsar contra a pele sensível da minha coxa nua. Era uma promessa pesada de destruição absoluta. Uma ruína que eu ansiava e temia na exata mesma medida.
— p***a, Júlia... — ele rosnou, o som animalesco batendo contra a pele fina do meu pescoço. A voz gutural vibrando de uma frustração que parecia sólida e física. O uivo contido do lobo dele enviou ondas de choque direto para a base da minha espinha dorsal.
Ele parou os dedos a centímetros da minha i********e molhada. Mas não se afastou um milímetro sequer do meu corpo.
Ele encostou a testa suada na minha. O hálito quente, cheirando a álcool e sândalo, se misturando ao meu.
As mãos dele largaram o tecido da minha calcinha e subiram. Elas apertaram minha cintura com tanta força desmedida que eu tive absoluta certeza que ele quebraria minhas costelas e deixaria marcas arroxeadas.
Os olhos azuis elétricos dele chispavam. Ele parecia estar travando sua própria e sangrenta batalha interna. O Alfa racional lutando com unhas e dentes contra a necessidade biológica e primitiva de arrancar a minha roupa, me tomar e f***r tudo ali mesmo, rasgando-me naquele mármore frio.
— Isso não tá certo... a gente não pode fazer isso... a Jade... o Arthur... — eu murmurei, a voz embargada.
Eu balançava a cabeça, tentando desesperadamente recuperar a sanidade que escorria por entre meus dedos como água no ralo.
Mas era tudo uma grande e hipócrita mentira. Minhas palavras pediam para parar, mas minhas pernas ainda estavam rigidamente travadas e entrelaçadas ao redor da cintura fina dele, recusando-se veementemente a soltar o corpo musculoso do Alfa.
Gabriel levantou o rosto. Ele me olhou fundo nos olhos, perfurando a minha alma. As orbes azuis elétricas estavam completamente borradas e escurecidas por uma necessidade sombria, antiga e profunda. O demônio da linhagem Blackwolf encarava a minha fraqueza.
— Júlia, por favor... — ele sussurrou, raspando os lábios inchados nos meus.
E foi exatamente aquela súplica vulnerável. Aquela quebra inesperada, aquela falta absoluta de arrogância momentânea no tom do homem que mandava em tudo, que quase me fez desarmar de vez e mandar o resto do mundo para o inferno.
— Eu preciso de você. Só um pouco, caralho... eu estou morrendo sem isso.
Minha mão direita soltou o pulso dele e subiu, trêmula, para o rosto rígido e quente. Meus dedos acariciaram a mandíbula tensa dele. Meu coração batendo tão forte que parecia preso na minha garganta, me sufocando.
Eu estava no meu limite. Prestes a ceder. Prestes a puxá-lo para mim, a arrancar aquela calça, esquecer o mundo inteiro e me entregar de corpo e alma àquele pecado doce e letal que me chamava pelo nome na escuridão…
E então, no exato auge da nossa hesitação mortal, a realidade cobrou o seu preço. O estalo seco, mecânico e frio cortou a atmosfera pesada e interrompeu tudo.
O interruptor foi acionado. A luz fluorescente e potente da cozinha acendeu de uma vez só, dissipando as sombras que nos protegiam.
O clarão branco, clínico e absurdo feriu meus olhos dilatados como uma facada. O feitiço foi quebrado em um milissegundo de horror absoluto.
E um grito estridente de puro horror cortou o ar gelado, esmagando os nossos tímpanos e tirando o nosso fôlego:
— MAS QUE p***a ESTÁ ACONTECENDO AQUI?!