POV DE JÚLIA MONTSERRAT
De olhos fechados sentindo a mão de Gabriel no meu peito e a respiração dele no meu pescoço mergulhei em lembranças do passado.
[FLASHBACK — 8/9 ANOS ATRÁS]
As coisas esquentaram rápido demais dentro daquele carro.
Eu rebolava devagar no colo do Arthur, sentindo o p*u dele latejar, duro como um tronco, contra a minha calcinha. Ele era grande em todos os sentidos; o volume por baixo do tecido da calça dele era intimidador, e eu gostava daquilo. Eu o desejava preenchendo cada centímetro de mim, me fazendo esquecer a dor que eu carregava no peito.
Minha respiração era um arfar constante, meus dedos enterrados com força no cabelo loiro e curto da nuca dele.
— Você... quer entrar? — perguntei, sentindo o calor entre minhas pernas se tornar um incêndio.
Mas ele parou. O controle do Arthur era a minha maior tortura.
— Eu vou me atrasar, amor. Pro serviço, é sério — ele sussurrou contra meus lábios, a voz rouca de desejo. — Eu estou louco para entrar, mas amanhã eu juro que te compenso, tá? Amanhã a gente fica no meu apartamento vê um filme pede alguma coisa pra comer e dorme agarradinhos.
Quase soltei um grunhido de frustração.
Assenti, mas por dentro eu estava gritando. O beijei novamente, minha língua buscando a dele com uma urgência que ele não parecia capaz de retribuir. Eu estava quente, molhada, pegando fogo. Não sei como eu conseguia resistir àquela calma dele.
Gabriel já teria colocado o p*u para fora ali mesmo. Ele teria rasgado a minha calcinha, me prendido contra o banco e me usado com a brutalidade que o meu corpo implorava.
Droga, não era para eu estar pensando naquele desgraçado agora, pensei, sentindo um ódio mortal da minha própria mente.
Me despedi e entrei em casa. Corri para o banho, deixando a água gelada castigar minha pele.
Frustrada.
Eu encostava a cabeça no azulejo frio enquanto tentava me aliviar sozinha, mas não era a mesma coisa.
Ele nem para me aliviar o t***o de alguma forma...
"Meu Deus, o Arthur é muito frio", pensei,sentindo o vazio no meu baixo ventre arder mais que a água gelada.
Desliguei o chuveiro, me enrolei numa toalha e coloquei apenas uma blusa larga e uma calcinha. Eu precisava de açúcar. Precisava de qualquer coisa que preenchesse o buraco que o Arthur deixou aberto.
Desci as escadas na penumbra, meus pés descalços não fazendo som algum no piso frio, até chegar na cozinha escura.
Não me dei ao trabalho de ligar as luzes. Meus pais estavam viajando e minhas irmãs ou estavam com os namorados, ou dormindo profundamente. Eu me sentia segura na minha própria casa.
Mas eu me sentia, acima de tudo, frustrada. O sangue ainda latejava no meu baixo ventre, uma promessa não cumprida pelo Arthur que me deixava inquieta.
Abri a geladeira. A luz pálida do eletrodoméstico foi a única coisa que cortou a escuridão da cozinha. Ali estava: a torta de limão com suspiros que minha mãe tinha feito. Meu doce predileto. Só de olhar para o merengue dourado, me senti um pouco melhor, quase animada.
Coloquei a torta em cima da ilha da cozinha e me virei para o armário alto. Eu precisava de um prato, de um pote, de qualquer coisa que servisse de desculpa para aquela ceia da madrugada.
Abri a porta do armário e me estiquei, ficando na ponta dos pés. A blusa larga subiu, mas eu não me importei eu pensava que estava só. Foi exatamente nesse segundo, com os braços erguidos e o corpo vulnerável, que senti alguém encostar em mim por trás.
Eu não precisei me virar. Era Gabriel.
Eu saberia que era ele mesmo se estivesse cega, surda e muda. O cheiro de madeira e sândalo invadiu meus pulmões, e o calor que emanava dele era um território conhecido para cada centímetro da minha pele.
Meu corpo inteiro correspondeu ao dele no mesmo instante. Um arrepio violento percorreu minha espinha, fazendo meus m*****s endurecer sob o tecido fino da blusa.
Gabriel se afastou o suficiente apenas para que eu me virasse, e logo prensou seu corpo ao meu novamente, me encurralando contra a pia. Os olhos dele, que costumavam ser de um azul elétricos, estavam quase pretos de desejo. Sombrios. Famintos.
Meu coração acelerou tanto que parecia querer rasgar o peito. Eu não o esperava ali. Não depois daquela festa, não depois de tudo o que tinha acontecido naquele banheiro.
— Gabriel... — eu sussurrei.
Minha voz saiu quebrada, um fio de som que ele devorou com o olhar. Ele não se afastou. Pelo contrário, colou seu quadril ao meu. Como eu era mais baixa que ele, senti a ereção dele, pulsante e rígida como uma pedra, pressionando diretamente a minha barriga.
Gabriel soltou um rosnado baixo, um som que vibrou no fundo da garganta dele e ecoou diretamente no meu baixo ventre.
As mãos dele se fecharam na minha cintura com uma força brutal. Os dedos se enterraram na minha pele, reivindicando cada centímetro de carne como se ele estivesse marcando o território dele antes mesmo de usar os dentes.
— Gabriel não... — eu soltei um gemido baixo, a cabeça pendendo para trás.
O som do meu prazer foi o combustível que ele precisava.
Ao ouvir o meu gemido, ele rosnou de novo, ainda mais faminto. Ele estava no limite, e eu também. Era fogo contra fogo, como sempre fora entre nós. O simples toque dele tinha o poder de reduzir a cinzas qualquer rastro de sanidade que o Arthur tinha tentado construir em mim minutos antes.
Minha mente gritava, desesperada: "Para com isso! Sai daí! Você é do Arthur agora!" Mas meu corpo estava em combustão. Eu não era uma loba ainda, mas o meu instinto humano era puramente selvagem quando se tratava dele.
Em um movimento rápido e possessivo, as mãos de Gabriel me ergueram do chão. Ele me colocou sentada na bancada de mármore frio, me obrigando a abrir as pernas para que ele se encaixasse entre elas.
Meus braços voaram para o pescoço dele por puro reflexo, puxando-o para mais perto. Nossos narizes se encostaram, e eu podia sentir o hálito quente dele misturado ao cheiro inebriante de madeira e sândalo.
Eu estava no topo, encurralada entre o corpo dele e os armários, sentindo o volume dele pressionar exatamente onde eu mais precisava. A frieza do mármore contra a minha b***a contrastava com o calor infernal que emanava do peito dele.
Estávamos a milímetros de um desastre. E eu nunca desejei tanto ser destruída.