Capítulo 56 - O filhote Rapitado

1257 Words
POV DE GABRIEL BLACKWOLF Minha visão estava submersa em um mar de sangue. A fúria que esmagava o meu peito era primitiva. Uma aberração. Muito maior do que qualquer instinto que eu já havia sentido na vida. Um dos meus filhos tinha sido levado. O outro estava sangrando a caminho do hospital. A pior falha que um homem e um Comandante poderia cometer estava acontecendo comigo. Júlia ainda estava nos meus braços, completamente apagada e fria. Eu me levantei do chão de pedra. Os ossos de Gideon ameaçavam rasgar a minha pele ali mesmo. O templo inteiro parecia ter parado de respirar. Virei o rosto na direção de Dante. O cheiro de hesitação dele empesteava o ar. — Leve-a para o hospital com Rafael. — eu rosnei, a voz cortando as pedras. — E peça... — Eu não vou ficar parado enquanto um filhote da matilha é sequestrado! — ele rosnou de volta, dando um passo à frente, tentando me enfrentar como sempre. Meu controle arrebentou. Liberei a minha aura assassina de uma só vez. O ar ficou rarefeito no altar. O peso do meu poder de Comandante esmagou os pulmões de Dante, fazendo as pernas dele tremerem e a arrogância evaporar em um segundo. — VOCÊ VAI FICAR COM ELA E VAI PROTEGÊ-LA, SEU MERDA! — meu rugido fez a poeira do teto cair sobre nós. Dante travou o maxilar, sufocando sob a minha dominação. — FAÇA ALGO DE ÚTIL UMA VEZ NA VIDA! A ÚLTIMA VEZ QUE VOCÊ ME DESOBEDECEU, QUASE MORREU. DESSA VEZ EU TERMINO DE TE MATAR! Sem tempo para lidar com o orgulho ferido dele. Meus filhotes precisavam de mim. Entreguei o corpo frágil de Júlia para Dante. O toque me queimou por dentro, mas eu me afastei. Corri para as portas do templo. Os meus ossos começaram a quebrar antes mesmo de eu atingir as escadas. O r***o da transformação foi um alívio para a minha dor humana. Em quatro patas, Gideon era letal e infinitamente mais rápido. Saltei para a noite de Costa da Lua. O asfalto rachava sob o peso das minhas garras. Como éramos uma alcateia, o link mental nos conectava. Uma rede invisível de sangue e hierarquia enraizada em nossos cérebros. Foi através desse link que o rugido do meu pai, o Alfa Supremo, estourou dentro do meu crânio. Nathanael jamais ia permitir que um neto fosse arrancado do coração da nossa família. "ATENÇÃO A TODOS! MEU NETO FOI SEQUESTRADO. QUERO TODOS PROCURANDO POR ELE, ATÉ QUEM NÃO ESTIVER DE PATRULHA! FECHEM AS FRONTEIRAS!" A voz do meu pai vibrou nos meus ossos, carregada de fúria assassina. Quando a mensagem dele sumiu da minha mente, as grades retorcidas da mansão surgiram na minha frente. Pulei os destroços de metal e aterrissei no gramado. A mansão estava estripada. Vidros estilhaçados refletiam as luzes vermelhas e azuis das viaturas. O cheiro de morte impregnava a terra. Foi uma luta sangrenta. Voltei à forma humana no meio da fumaça, o peito arfando, cego para a minha própria nudez. Guardas feridos tentavam se manter de pé. Corpos ensanguentados pintavam o chão de mármore da entrada. Um homem se aproximou rápido. Era Santiago Guerra. Um Delta de comando implacável do meu pai, responsável por um contingente inteiro de lobos. Ele cheirava a pólvora e fracasso. — O QUE CARALHOS ACONTECEU AQUI?! — o meu rugido rasgou a noite de Costa da Lua. Santiago engoliu em seco. O cheiro de sangue dele misturava-se ao suor frio do fracasso. — Alfa, meu filho Dominic está caçando os que levaram o Cassian. — a voz do Delta tremia sob a minha presença esmagadora. Meus músculos estavam tensos como cabos de aço prestes a arrebentar. — A ambulância já está levando o Connor para o hospital. Eles não vão passar da fronteira, e tem mais... O sangue latejou nas minhas têmporas, quente e violento. — O QUE?! — eu rosnei, a fúria rasgando minha garganta sem nenhuma contenção. Santiago desviou os olhos de mim. Ele olhou por cima do meu ombro, a testa franzida em puro pavor. Senti a aura colossal do meu pai parar exatamente atrás de mim. Nathanael tinha chegado. — A Luna foi também. — Santiago confessou, a voz falhando diante do Alfa Supremo. O som do coração do meu pai falhando uma batida ecoou nos meus ouvidos lupinos. — Ela não deixou que levassem Cassian sem ela. Eles lutaram corpo a corpo. — o Delta respirou fundo, manchado de pólvora. — Um lobo inimigo atacou o Connor quando tentava levá-lo junto... Um frio cortante paralisou meus pulmões. O gosto metálico do desespero inundou a minha boca. Meus meninos eram gêmeos. Dividiam a mesma alma, o mesmo cheiro desde o ventre. Minha mãe e um dos meus filhos levados. O outro, ferido e sangrando. O ar ao nosso redor colapsou sob o peso de uma dor insuportável. Dois uivos rasgaram a noite. Um meu e um do meu pai. Nathanael, o implacável Alfa Supremo que nunca demonstrava fraqueza, atirou a cabeça para trás e soltou um uivo de dor crua. O som estilhaçou o resto das vidraças da mansão. A agonia visceral de um macho tendo a sua fêmea e a sua linhagem arrancadas debaixo do próprio teto. Meus músculos travaram. A dor do meu pai vibrou direto nos meus ossos, atiçando o ódio de Gideon. — Pra onde eles foram? — rosnei, as garras rasgando a pele da palma da minha mão. Santiago apontou para o sul, o braço trêmulo apontando para as luzes da cidade. — Dominic relatou que ainda persegue o comboio. Eles desceram a encosta leste, em direção ao centro. Ele m*l terminou a frase. Eu já havia virado as costas. A dor dos meus ossos quebrando e se moldando no ar foi completamente engolida pela minha fúria. Gideon rasgou a minha pele e assumiu o controle. O asfalto explodiu sob as minhas patas gigantescas quando disparei noite afora. Corremos pela avenida principal de Costa da Lua. O vento zumbia nas minhas orelhas, mas a minha mente estava focada na rede invisível da matilha. "Eles foram vistos na Avenida Beira Mar!" O rugido mental de Dominic estourou através do link. Gideon rosnou em alerta, acelerando até os músculos das minhas patas traseiras queimarem como brasa. Avenida Beira Mar. A rua mais larga, mais iluminada e abarrotada de comércios da cidade. O coração humano e pulsante de Costa da Lua. Os desgraçados não estavam apenas fugindo. Eles estavam arrastando a minha família pro lugar mais movimentado da cidade. Se uma guerra estourasse ali, o banho de sangue de civis seria um m******e. Uma afronta direta à coroa e ao poder absoluto dos Blackwolf. Gideon rosnou em alerta, acelerando até os músculos das minhas patas traseiras queimarem como brasa. Avenida Beira Mar. O coração pulsante de Costa da Lua. Mas o ar mudou antes mesmo de dobrarmos a esquina. Um frio ártico e antinatural golpeou o meu focinho, paralisando os meus pulmões. Fedia a pântano, a sangue antigo e a um eclipse sombrio. Algo estava terrivelmente errado. Gideon ganía em pânico absoluto dentro da minha cabeça, tentando recuar, arranhando as paredes da minha mente para fugir. Uma magia obscura, pesada e asfixiante, começou a esmagar o asfalto ao nosso redor, apagando as luzes dos postes e fazendo os transformados de matilhas menores caírem de joelhos. Meu filhote estava lá dentro daquele epicentro de trevas. O que quer que tivesse sido libertado na avenida não era humano. E não era apenas um lobo. Era um monstro que eu nunca tinha sentido antes.
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