Capítulo 6 — O Adeus que Queima

1556 Words
Saí do saguão com o gosto da vitória na boca, mas com uma inquietação no peito que eu me recusava a analisar. Jade estava de volta. Ela estava ali, radiante, viva, a promessa de um futuro que me foi roubado há sete anos. Eu consertaria tudo. Eu teria a vida que planejei antes daquele erro desastroso. Mas, para construir o novo, eu precisava demolir o velho. Caminhei até o escritório reservado para os Alfas, puxando meu celular do bolso com urgência. Abri o arquivo que os advogados me enviavam há uns dias, esperando apenas o meu aval. O documento de divórcio. Júlia queria isso, não queria? Ela não tentou se matar para fugir de mim? A imagem dela com o buraco no peito no restaurante brilhou na minha mente, e uma onda de raiva quente subiu pela minha garganta. Se ela queria tanto ir embora a ponto de morrer, então eu daria o que ela queria. Rolei a tela até o final. A assinatura digital dela não estava lá — ela não teve tempo de assinar, mas eu tinha o poder de dissolver a união unilateralmente dada a "instabilidade" dela. Assinei com o polegar, validando a biometria de Alfa. Enviado. A confirmação piscou na tela. Acabou. O vínculo legal estava desfeito. Ela estava livre. E eu... eu estava livre para Jade. Guardei o celular, sentindo uma leveza estranha, quase tonta. Eu precisava avisá-la. Precisava olhar na cara dela e dizer que ela não precisava mais tentar se matar para sair da minha vida. Voltei para a área externa, meus olhos varrendo o jardim como um predador. O sol estava alto, ofensivo. Vi meus filhos brincando, alheios ao fato de que o pai acabara de quebrar a família no papel. Ignorei a pontada de culpa. Era melhor assim. Foi quando a vi. Júlia caminhava em direção à trilha da praia, afastada da festa, segurando uma garrafa de vodka pela metade. Ela andava descalça na grama, o vestido claro esvoaçando, parecendo um espectro de dor e beleza. A raiva explodiu de novo. Ela estava bebendo? Depois de quase morrer? Depois de envergonhar a todos nós? Avancei em direção a ela, cortando o caminho. Quando ela me viu, tentou desviar, tentou fugir como sempre fazia. — Vamos conversar — ordenei, bloqueando a passagem dela. — Não temos o que conversar — ela rebateu, tentando passar por mim. O cheiro de vodka nela se misturava ao cheiro natural de limão e baunilha, e aquela combinação foi o gatilho. Eu não pensei. Meu braço se moveu sozinho, interceptando-a, segurando-a com força contra o meu peito duro. — Gabriel, me solta! — ela gritou, se debatendo. Eu não ia soltar. Não ali, onde qualquer um podia ver. Arrastei-a de volta para a mansão, surdo aos protestos dela, cego para a dor que eu causava no braço dela. Eu precisava encurralá-la. Chutei a porta da sala de estudos e a joguei para dentro. O som da tranca girando foi o único aviso que ela teve. Ela se afastou, massageando o pulso, o peito subindo e descendo com uma fúria que deixava aqueles olhos amarelos brilhantes. — O que foi aquilo lá fora? — avancei, encurralando-a contra a mesa de carvalho. — Vai encher a cara e se machucar de novo? Vai se esconder se fazendo de vítima ? — Eu não estava me escondendo, eu só queria paz! — ela gritou, e havia fogo nela. Eu odiava o quanto aquele fogo me atraía. — Você não tem direito a paz, Júlia. — Cheguei mais perto, invadindo o espaço dela, sentindo o calor febril que emanava da pele dela. — Mas você conseguiu o que queria. Ela travou, me olhando confusa e amedrontada. — Do que você está falando? Tirei o celular do bolso e joguei sobre a mesa, com a tela aberta no documento. — O divórcio. Eu assinei. Acabei de enviar para os advogados e só falta a sua assinatura. — Minha voz era fria, cortante, mas meu coração batia num ritmo violento e errado. — Você está livre, Júlia. Não precisa mais tentar se matar para fugir de mim. Acabou. Eu esperava alívio no rosto dela. Esperava gratidão. Mas o que vi foi choque, e depois... uma dor crua que me desestabilizou. — Você... você assinou? — ela sussurrou, a voz falhando. — Era o que você queria, não era? — rosnei, me aproximando mais, até que minhas coxas tocassem as dela, prendendo-a na mesa. — Agora você pode ir embora. Pode sumir. Eu tenho a Jade. Eu tenho a mulher que eu sempre quis. Eu esperei o choque. Eu pensei que veria lágrimas, como vi mais cedo. Eu estava pronto para vê-la desabar. Mas o que vi me deixou louco. Ela começou a rir. Bem na minha cara. Rir de verdade, de colocar a mão na barriga. Eu a sacudi, tentando fazer aquele sorriso de escárnio desaparecer, mas ela continuou me encarando, os olhos amarelos brilhando com uma lucidez assustadora. — Você se acha tão esperto, mas é tão previsível, sabia? — ela perguntou, a voz ainda trêmula pelo riso, mas afiada como uma lâmina. — Você acha que assinar um papel muda o fato de que você é um covarde hipócrita? Você corre para a Jade como um cachorrinho, mas não consegue ficar cinco minutos sem me tocar. Aquilo foi o limite. A verdade na voz dela era um insulto que eu não podia aceitar. — Cala a boca — avisei, aproximando meu rosto do dela. — Me obrigue — ela desafiou, erguendo o queixo, o cheiro de vodka e desafio emanando dela. — Eu odeio você — sussurrei, a respiração batendo contra a boca dela, densa e pesada. — Eu odeio a sua ousadia. — Você é patético — ela provocou. Eu não a soltei. Em vez disso, esmaguei minha boca na dela. O beijo não foi suficiente. Nunca seria. O gosto de vodka e fúria na boca dela agiu como gasolina no incêndio que eu tentava apagar há sete anos. Minhas mãos, que deveriam empurrá-la, desceram para a cintura dela, apertando a carne macia através do tecido fino do vestido. Eu a arrastei da mesa, ignorando os protestos abafados contra a minha boca. Meus passos eram cegos, guiados apenas pela necessidade de tê-la em uma superfície onde eu pudesse quebrá-la do jeito que eu queria. Chegamos ao sofá de couro escuro no canto da sala. Eu a joguei ali, seguindo-a imediatamente, cobrindo o corpo pequeno dela com o meu peso esmagador. — Você é minha — rosnei contra o pescoço dela, mordendo a pele sensível logo abaixo da orelha. Minhas mãos eram donas dela. Elas subiram pelas coxas, puxando o vestido para cima, sentindo a pele quente e febril que eu desprezava amar tanto. O cheiro dela... de limão, baunilha e agora essa excitação crua... invadiu meus pulmões, me deixando embriagado. Eu queria senti-la. Pele contra pele. Sem barreiras. Meus dedos foram para a alça do vestido, prontos para rasgá-lo se fosse preciso. Eu estava perdido, mergulhado na escuridão do meu próprio desejo. PLAFT! O estalo foi alto, seco e ardeu como o inferno. Meu rosto virou para o lado com a força do impacto. O choque me fez parar por um segundo, piscando para dissipar a névoa vermelha da luxúria. — Au! Por que você me...? — comecei, a mão indo ao rosto. — Seu babaca! — ela gritou, os olhos amarelos faiscando de um ódio genuíno. — Você não tem mais direito de me tocar! E antes que eu pudesse processar, a mão dela voou novamente. PLAFT! O segundo tapa foi mais forte. — Aí! Para com isso! — rugi, o instinto de predador assumindo o controle. Eu capturei os pulsos dela no ar antes que ela pudesse me bater pela terceira vez. Com um movimento bruto, levei os braços dela para cima da cabeça, prendendo-os contra o couro do sofá com uma única mão. Usei meu corpo para travar as pernas dela, imobilizando-a completamente. Ela se contorceu debaixo de mim, arqueando as costas, tentando se soltar. O movimento dos quadris dela contra os meus foi elétrico. Em vez de me parar, a luta dela só acendeu mais ainda o meu desejo. Eu podia sentir meu m****o rígido na calça esfregando na macieis quente do centro dela, que já estava molhada por mim. Eu solto um rosnado de prazer. Olhei para o rosto dela. Era pura fúria. As bochechas coradas, os lábios inchados pelo meu beijo, o peito subindo e descendo freneticamente. — Me solta, Gabriel! — ela sibilou, debatendo-se inutilmente contra minha força de Alfa. — Não ouse me tocar! Eu não te quero mais! Eu parei. O som da respiração ofegante dela preencheu a sala. Um sorriso lento, arrogante e perigoso curvou meus lábios enquanto eu sentia o coração dela martelar contra o meu peito, traindo cada palavra que ela dizia. — Não é isso que seu corpo está me dizendo — falei, minha voz um sussurro sombrio. Baixei meu rosto, roçando o nariz no pescoço dela, sentindo-a tremer — não de medo, mas da mesma atração maldita que nos acorrentava. — Você diz que não me quer, Júlia... — deslizei a mão livre pela lateral do corpo dela, apertando sua cintura com posse. — Mas você está queimando por mim. Exatamente como eu estou queimando por você. Não esperei pela resposta dela.
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