(POV DE DANTE LEONE) (SEMANAS ANTES DO BAILE) O paraíso tinha cheiro de baunilha, mas o gosto que restava na minha boca era de cinzas. O calor da pele de Júlia contra a minha ainda estava lá, mas a alma dela parecia ter fugido do quarto no instante em que o ato terminou. Naquela cama, eu não era o Tenente. Eu era apenas um homem tentando possuir um fantasma. Júlia se levantou em um movimento fluido, sem olhar para trás. A pressa com que ela recolhia as roupas do chão soava como um insulto ao meu toque. — Tá tudo bem? — perguntei, minha voz saindo mais rouca do que eu pretendia. Ela não respondeu de imediato. O zíper da calça jeans subiu com um estalo seco, uma barreira de metal sendo erguida entre nós. — Eu quero ir embora — ela disse. As palavras foram curtas, gélidas, desprovida

