POV GABRIEL BLACKWOLF O céu sangrava enquanto eu, sentado no banco de madeira na varanda, sangrava junto. O horizonte da Costa da Lua estava tingido de um laranja doentio, um rastro de fogo que parecia zombar do estado do meu corpo. A mansão Blackwolf pulsava atrás de mim, uma carcaça de luxo cheia de estática e sussurros pesados. Eu sentia cada centímetro da minha pele latejar sob o mormaço da tarde. Júlia estava ali, entre as minhas pernas. Ela era a única coisa real naquele cenário de ruínas. Seus dedos estavam gelados, um contraste brutal com a febre que parecia consumir meu peito. Eu estava sem camisa, o suor misturando-se ao sangue que escorria dos cortes que meu pai havia deixado. As garras de Nathanael tinham perfurado mais do que a carne do meu ombro. Elas tinham rasgado

