(POV DE JÚLIA MONTSERRAT) O mármore do banheiro parecia absorver o calor do meu corpo, deixando-me à mercê de um frio que vinha de dentro. O maior predador de Costa da Lua não era um mafioso italiano, um gângster inglês ou um traficante de seres humanos. Era a mulher parada na minha frente. Chiara Salvatore. A loba com pele de leopardo, imprevisível, letal, uma fera que não seguia regras, apenas instintos. Ela se aproximou com movimentos calculados, parando a centímetros de mim. Virou-se para o espelho, ignorando minha existência enquanto retocava o batom. A pose triunfante dela dizia tudo. Cada linha do seu corpo exalava o prazer sádico de quem acabara de incendiar um circo e agora apreciava o calor das chamas. — Você fez isso!? — Minha voz saiu trêmula, mas não era uma pergunta. E

