CAPÍTULO 11 — ELENA RIOS

1848 Words
Depois do momento mais intenso da minha vida, com Vane entrando na minha mente enquanto dominava meu corpo de um jeito que eu nunca achei que alguém seria capaz, a queda foi tão grande quanto o nível que ele me elevou. Tudo bem, Vane eu não temos nada além de uma relação profissional e esse único momento carnal, apenas desejo – e eu tenho total certeza que não podemos passar disso, nunca. Mas ainda assim, ver Nicole parada na porta com sua roupa reveladora com seus pei.tos enormes e coxas grossas, me lembrou para que ele usava esse quarto de hotel. Ser apenas mais uma distração como a tal Nicole é, não era o que eu planejava quando vim aqui. Eu não sou como Nicole, não sou o tipo de mulher que aceita uma relação como essa. Não sou alguém que vou deixar que ele use meu corpo para distrair sua mente dos problemas dele. Nada contra, mas não sou eu. Se é isso que ela quer, se é isso que ela acha que o corpo dela vale – uma ligação chamando para fo.der – que faça bom proveito. O elevador chega no térreo e quando as portas abrem, dou de cara com Vane, ainda sem camisa, ofegante. Parece que homem desceu todos os andares de escada, correndo, para chegar antes de mim. Eu o encaro, seria, e apenas desvio dele como se não o conhecesse, em direção a saída. — Elena, pare, pelo amor de Deus. — Pede, vindo ao meu encalço. Reviro os olhos, sem olhar para o lado, até que ele para em minha frente e segura meus dois braços, me impedindo de continuar. — Me deixe falar antes de ir. — Solte. — Ignoro. Ele não deve entender o que está acontecendo aqui. Arthur não se move, nem aos seus dedos. — Dois minutos, apenas isso. — Negocia. Respiro fundo, bu.fando de ódio. — Dois minutos. — Aceito. — Porque você está chamando atenção demais. Os olhos de todos no saguão são para nós, não sei se pela cena dele correndo atrás de mim e gritando – ainda mais por ser figura pública – ou porque ele está sem camisa e com o pa.u meia bomba marcado na calça de moletom, e diga-se de passagem é um show e tanto. Até eu, furiosa, penso em reconsiderar e voltar para aquele quarto com ele – maldito amor próprio. — Nicole é apenas uma amiga, nós nos conhecemos todos juntos, ela, Julian e eu, há muitos anos. — Começa. — Nós não temos nenhuma relação romântica, nem importante. É apenas se.xo, e não com tanta frequência quanto pensa. Como eu disse, eu não a chamei para cá hoje, e já faz quase um ano que não venho aqui. — Vane, eu não quero saber quantas vezes por ano você faz s.exo, nem com quantas mulheres, seja Nicole ou seja qualquer outra. Não importa, você e eu também não temos uma relação romântica, então está tudo bem, você não me deve nada. — Então por que a ideia dele voltar para aquele quarto com ela me deixa vermelha de raiva? Até meus dedos tremem, mas me controlo. — Então não vá. Eu a mandei embora, volte para o quarto comigo. — É um convite tentador, admito. — Não, Vane, eu não vou para o quarto e muito menos para cama com você. Sabe por que? Eu não sou como a Nicole, ser seu objeto se.xual não é o que estou buscando aqui, ela foi apenas um lembrete do que eu seria se tivesse aberto as pernas para você. — Explico, e olho no relógio preso em meu pulso. — E seu tempo acabou. Dessa vez, Arthur não contesta, é como se ele tivesse mais para me dizer mas estivesse evitando dizer as palavras. Sério, tomado por sentimentos que é fácil de ler, orgulho, raiva, frustração, ele finalmente sai da minha frente. Deixo o hotel e vou para o meu carro o mais rápido possível, como se esse ambiente aqui tivesse se tornado tóxico. Ainda sinto o gosto dele na minha boca, seu cheiro, as mãos firmes e possessivas pelo meu corpo, ainda sinto seu calor, seu corpo enorme ao redor do meu. Até respirar era difícil com ele na minha frente, me pressionando, eu me esqueci como fazia. Mas eu não posso me distrair. Eu preciso terminar o meu serviço e ir embora, antes que no final desse jogo, Arthur Vane tenha feito um estrago tão grande que eu me torne alguém que eu não conheço. E isso é a única coisa que eu não poderia suportar – me perder no caminho. Além disso, qualquer relação entre Vane e eu é impossível. Eu preciso ir embora antes que ele descubra o motivo disso, de nós dois termos que ficar longe um do outro. Eu cheguei pensando em se contava a verdade a ele, eu queria estuda-lo primeiro, saber quem ele era, e eu descobri. Descobri a inocência dele a dez anos atrás, descobri que ele é um homem bom, e eu tive minha resposta. Vane nunca pode saber a verdade. ••• No outro dia estou pronta para fingir que nada aconteceu, novo sol, nova página, novas escolhas. Remoer não vai adiantar. Eu sou adulta, não uma adolescente cheia de expectativas e insegura. Me arrumo para mais uma batalha, e eu uso um louboutin. Dirijo até a Vane Tech, cumprimentando algumas pessoas que encontro no caminho apenas acenando com a cabeça, até chegar em Sarah. — Bom dia, Sarah, o Sr. Vane já chegou? — Bom dia, Srta. Rios. Ainda não, o que é estranho. — Ela é séria, franzindo o cenho assim como eu. Eu perguntei por desencargo de consciência, para não correr o risco de ir direto para o andar 60 e ele não está lá, mas eu realmente não esperava que ele não fosse estar. Além de tudo, nem avisou a própria secretária o motivo do atraso, alguém que deveria saber o que informar caso o procurassem. — Tudo bem, obrigada. — Aceno para ela e vou para a minha sala. De qualquer forma eu não sou babá de Arthur, não tenho obrigação de ficar correndo atrás de onde ele se meteu. Ontem a noite foi um lapso, um ato de humanidade, que não terminou muito bem e já esgotou minha cota de empatia. Hoje, que ele se vire com sua amiga Nicole... Não quis falar com ele sobre trabalho ontem, Arthur estava tentando fugir um pouco de seus problemas e não seria justo invadir o seu lugar de descanso com uma notícia como a que tenho para dar a ele. Então, deixei para hoje, em uma reunião formal, mas como ele não está aqui, cuidarei de revisar todos os relatórios e confirmar os dados. Sem erros. Estou concentrada quando vejo a porta abrir, e vejo Julian entrando na minha sala, mas desço o olhar para a tela de notebook de novo. Julian Sterling era a última pessoa que eu queria ver hoje, ele foi o principal causador dessa confusão toda. Primeiro que ele mesmo deveria ter ido ver como estava o amigo, ao invés de me incentivar a ir lá vê-lo e para piorar, enviar a Nicole em seguida. — Bom dia, Rios. — Cumprimenta. Até a voz dele me incomoda hoje. Eu aperto os olhos, respirando fundo para me manter controlada e não voar no pescoço dele e cortar sua jugular com minhas unhas. — Rios? — Ainda o ignoro, evitando olhar para ele, mas Julian dá a volta na mesa e para bem ao meu lado, abaixando o tronco e colocando o rosto bem próximo ao meu, gritando no meu ouvido: — ELENA? — Que dia.bos! — Levanto da poltrona em um pulo, odiando a invasão de meu espaço, o grito, a insistência, até a respiração dele. Julian dá um passo para trás, erguendo as mãos em rendição e com os olhos assustados. Eu o encaro feio. — O que você quer? — Arthur conseguiu estar ainda mais insuportável essa manhã, e você, ainda mais assustadora. Que bicho mordeu vocês dois em nome de Deus? — Engole seco, se afastando a uma distância segura e agora sim sentando na cadeira como gente normal, apesar de que eu preferia que ele só fosse embora. Sento de novo. — O que aconteceu entre vocês? — Falou com ele essa manhã? — Preocupada? — Provoca. Mordo o lábio, de ódio, olhando em minha mesa a procura de um objeto ponti.agudo. — Perdão, perdão, é mais forte que eu. Eu liguei para ele até ele atender, Arthur teve que visitar uma de nossas unidades para consertar um servidor com defeito. Era urgente e só ele podia fazer. — Certo. A auditoria terminou, quando ele retornar, conversaremos e vamos dar um fim nisso. — Explico, já reunindo minhas coisas na bolsa. — Já que ele não virá hoje e meu serviço está feito, estou indo embora. Me ligue quando ele estiver aqui. — Espere, o que você encontrou? Arthur estava certo, ou eu e os acionistas? — Você saberá na hora certa, já disse que sem informações privilegiadas. Quando Arthur chegar amanhã, conversaremos. — Coloco a bolsa no ombro e vou em direção a saída. — O problema é que não acho que ele voltará amanhã. — Me faz parar, eu viro para ele, confusa. — Arthur está fora da cidade, a unidade não fica aqui em Manhattan. Temos três, além dessa em Manhattan, outras duas nas cidades próximas para triangular perfeitamente os servidores. Depende do quão rápido ele encontrará o problema, e quando encontrar, quanto tempo precisa para resolver. — Você tem uma estimativa? — Sim, eu sei que se ele estava em outra unidade não seria em Manhattan já que as outras duas ficam fora da cidade mas por um momento nem me liguei nisso. Só queria sair daqui. — É difícil dizer, mas segunda feira ele tem uma viagem importante para a Itália. Ele terá que estar aqui ainda no final de semana. — E do que vai adiantar para mim que ele volte no final de semana? Hoje é sexta. — Avise que preciso falar com ele, na segunda cedo, antes da viagem tão importante. — Impossível, está marcado com o piloto para o jato para sair daqui às 5h. — Essa não é outra das suas gracinhas, não é, Julian? Nós realmente precisamos resolver isso logo. — A de ontem já esgotou a cota dele. — Gracinha? — Pensa como se não soubesse, mas aparentemente, é como se ele realmente não soubesse ainda, até que ele finalmente cai em si. — Você foi? — Você enviou a dro.ga do endereço, me mandou mensagens para eu mudar de ideia e ir, e enviou sua amiga também logo em seguida? Que tipo de perv.ertido é você? — Solto. — O que achou que aconteceria, um mé.nage? — Deus, eu estou mor.to. — Engole seco. — Me desculpe, Elena, eu não sabia que você tinha ido. — Avise-me quando ele voltar. — Séria, dou as costas e vou embora.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD