Capítulo Quatro

1041 Words
Romeu assentiu, com um olhar orgulhoso e estalou os dedos, o que fez dois homens de terno e capas protetoras sobre a sua vestimenta entrarem no quarto. Eles pareciam ter urgência quanto às suas atividades, pois pegaram o corpo de Ernesto e o ensacaram, como se fosse um salame e o trataram com o que ele era agora: um defunto. Alguns meses se passaram e naquele momento eu estava ganhando um dinheiro bom pelos meus serviços na Máfia inglesa, estando na Itália. Apesar disso, eu continuei morando no meu minúsculo apartamento, pois não via sentido em me mudar para um maior se era apenas eu quem morava lá, mas logo isso mudaria de figura. Kimberly e eu estávamos namorando há alguns meses após ela questionar se tínhamos algum tipo de relacionamento e eu respondi quase que ofendido. — É claro, somos namorados, não somos? — perguntei um tanto quanto confuso. — Você nunca me pediu — ela disse se fazendo de vítima — achei que não tínhamos nada real. — Estamos transando e dormindo um na casa do outro há três meses — falei colando minha testa contra a sua — e você ousa me perguntar o tipo de relacionamento que nós temos? Ela riu e concordou mentalmente que aquela havia sido uma pergunta bem capciosa. Depois daquele dia dormimos ainda mais um na casa do outro, mas principalmente na dela, pois era mais perto do seu trabalho, e já que o meu “trabalho” não tinha um lugar fixo, não importava onde eu estivesse desde que fosse ao local no horário marcado. Mesmo estando namorando, Kimberly não sabia tudo sobre mim, a Máfia não era um assunto que eu gostaria de colocar em pauta. Ela sabia que eu às vezes tinha alguns serviços para fazer, mas ela não sabia o teor exato do qual se tratava. Certo dia tive que auxiliar em um carregamento de cocaína para a Bélgica, fazendo a segurança na retaguarda do processo, mas Kimberly achava que eu era motoboy em pizzaria e que havia recebido um pedido. Eu recebi um pedido de entrega, mas não de pizza, e creio que ela não precisasse saber disso. Ainda não. Mesmo quando as coisas saiam do controle no serviço, onde tinha que trocar tiros com alguns russos por causa do mesmo produto e eu voltava pra casa com as roupas cheias de pó branco, eu dizia simplesmente: — Eu fui fazer um extra em uma padaria — dizia abrindo os braços, mostrando minhas roupas — mas acho que não é a minha área. Em seguida, eu ia correndo para um banho e já jogava as roupas na máquina de lavar para eliminar qualquer vestígio do produto. Manter um segredo quando as pontas tentavam escapar era bem complicado. Mas não demorou muito para que eu desistisse de guardar ele e abrir o jogo com uma surpresa. Falei aquela famosa frase de DR: — Precisamos conversar, Kim. Ela me olhou dos pés a cabeça como se eu fosse louco e se sentou ao meu lado no sofá da minha casa. Respirou e questionou o que estava havendo, permanecendo calma e controlada como sempre. — Preciso te contar uma coisa — consegui dizer — um segredo que venho guardando pra mim há um bom tempo. — O que é? — ela perguntou arqueando uma sobrancelha, confusa. — Eu trabalho para a Máfia — contei como se estivesse tirando um band-aid — e essa nem é a pior parte. Em seguida, comecei a lhe contar tudo. Contei sobre o meu tio Victor, que ele e Romeu estavam há anos me treinando em todos os aspectos desde a minha adolescência, me ensinando sobre armas, honra e família. Contei sobre meus presentes: uma arma e uma moto, como se fosse um Equipamento de Proteção da organização, também falei sobre Ernesto e como tinha sido aterrorizante ter que fazer aquilo de forma tão crua, mas que estava agradecido de não ter sido necessário fazer novamente. Pelo menos não a sangue frio, precisei atirar contra inimigos, mas eles não estavam indefesos em uma cama implorando para serem mortos, então era bem diferente. E, principalmente, contei sobre o meu trabalho de verdade, aquele que envolvia armas, drogas e às vezes coisas piores, das quais as minhas “entregas” eram baseadas. — Eu vou entender se não quiser mais ficar comigo — falei assim que terminei de contar tudo a Kimberly. Uma parte de mim gritava para que eu não contasse nada a Kimberly sobre quem eu realmente era, pois não era seguro, mas a minha parte mais ingênua dizia que ela sendo a minha namorada merecia saber sobre meu verdadeiro eu. Mesmo que não quisesse mais ficar comigo, pelo menos o meu papel como namorado foi executado com sucesso. Ela me olhava atenta, esperando o meu próximo movimento ou palavras a serem ditas, mas como eu não emiti mais nenhum som ou gesto, pois estava à espera da sua reação, então foi a sua vez de falar. — Cornelius, entendo se quiser me deixar — ela disse — mas não ache que eu vou terminar com você só porque você faz parte de uma organização criminosa — ela revirou os olhos com certa fofura. — Não está brava ou se sentindo traída? — perguntei, ligeiramente confuso. — Por que eu deveria? — ela deu de ombros — seu trabalho, sua vida, eu cheguei depois de tudo isso. Eu estava extasiado pelo que acabara de ouvir dos seus lábios, pois eu esperava ser… sei lá, alguma coisa negativa e não compreensiva, então ao mesmo tempo que estava feliz, também estava confuso. Não esperava que Kimberly reagisse tão bem, até porque ela descobriu que eu era um criminoso, como ela mesma descreveu, então me senti de certa forma acolhido. Mas isso não me impediu de no dia seguinte tomar a pior decisão da minha vida naquele momento. Eu já o estava guardando há algum tempo, apenas esperando o momento certo e parece que ele finalmente havia chego. Me ajoelhei ao lado da mesa de jantar que eu havia preparado para ser a nossa noite, tirei a caixinha de veludo do bolso do paletó e proferi as palavras que toda mulher sonha em ouvir. — Quer se casar comigo?
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