ISA
Havia uma igreja na ilha abandonada no inferno. Um lugar que deveria ter sido abandonado por Deus ou pelos ancestrais, uma zombaria de tudo o que minha mãe considerava sagrado.
E, no entanto, era uma das igrejas mais modestas que eu já tinha visto, como se o povo realmente a usasse como um lugar para se conectar com Deus, apesar da riqueza do vilarejo da ilha e das riquezas que Rafael comandava. Ele claramente não se importava com a igreja ou seus ensinamentos, abraçando o nome do d***o como seu pseudônimo tão completamente que ele o marcou na minha pele permanentemente. Olhei para a tinta fresca manchando minha pele, o preto tão oposto à delicada renda branca do vestido que Rafael tinha me vestido.
Quando ele abriu a porta do SUV e me guiou para fora com cuidado, apesar das minhas sapatilhas, não pude deixar de notar que o interior do prédio estava vazio. Eu não teria considerado Rafael como o tipo de pessoa para realizar uma provação extravagante, mas eu teria pensado que seu povo iria querer apoiá-lo se eles fossem tão leais.
Foi só quando ele me guiou ao virar na esquina com a mão na minha cintura que percebi que não iríamos realmente entrar. — Você vai explodir em chamas? — Eu perguntei, o sarcasmo do meu desconforto me acalmando. Minha voz era tudo que me restava na situação que Rafael tinha me tratado. Minha capacidade de recusá-lo, mesmo que fosse inevitável, era meu único poder.
Eu poderia privá-lo de minha vontade. Guardando para mim para que eu pudesse continuar segurando aquela última peça que ele não tinha reivindicado para si. Parecia e******o até para mim, mas eu lutaria com ele até o meu último suspiro antes de seguir em silêncio com tudo o que ele planejou.
Eu nunca ficaria sem voz.
— Não, mi reina, mas eu pensei que você gostaria de ter um casamento ao ar livre. — ele murmurou quando o quintal apareceu. As cadeiras simples de cada lado do corredor florido estavam cheias de pessoas que eu não reconheci, as únicas exceções eram os irmãos Regina e Alejandro que eu tinha visto em momentos de passagem. Ele nunca se preocupou em se apresentar, desviando o olhar sempre que eu estava por perto, como se eu não fosse nada importante para ele.
Eu suponho que não era.
O arco decorado com flores e tecidos no final do corredor era algo de um casamento de destino, de tirar o fôlego apesar de sua simplicidade. Um padre já estava no final do corredor com um sorriso no rosto enquanto esperava. Rafael moveu-se para andar para frente, parando quando meus pés não se moveram para segui-lo ao seu lado.
Seus olhos estavam sabendo quando ele olhou para mim, eu sabia que ele esperava este momento.
Eu não tinha. Eu não pensei que me incomodaria em resistir além de expressar meu descontentamento, mas ver a configuração que era tão próxima do que eu poderia ter escolhido para mim, se eu tivesse uma opinião, parecia muito perto de casa. Eu nunca ousei sonhar em me casar. De começar minha própria família quando eu era a causa raiz da disfunção dentro da que eu tinha.
Mas eu percebi naquele momento que eu queria isso. Eu queria a cerca branca e o marido que me adorava. Eu queria o homem que me tratasse como uma rainha e as crianças que me deixassem louca apesar do amor irresistível que eu sentia por eles.
Quando tentei preencher as lacunas da imagem, era um homem sem rosto. Rafael Ibarra não caberia nessa foto, porque nunca seria um homem normal. Ele nunca me daria uma cerca branca, mas uma ilha tão entrincheirada em segurança que eu não poderia sair sem sua permissão. Ele não me trataria como uma rainha da maneira que eu achava que deveria querer, mas ele me deixaria louca com a extensão de sua obsessão e os passos que ele daria para garantir que ele me mantivesse como sua.
— Está na hora, Isa. — advertiu Rafael, baixando a voz o suficiente
para um grunhido que vibrou em meu ouvido. Ele se inclinou ao meu lado, dizendo as palavras que eu não sabia que precisava ouvir. — Eu vou forçá-la.
Eu sabia com uma clareza repentina que era o que eu precisava. Ele sabia disso também, seu olhar desapontado, mas não zangado, quando virei meu rosto para estudá-lo. Eu não poderia ir voluntariamente ao altar, não com Rafael quando ele não era o que eu teria escolhido para mim se tivesse a chance. Eu o amava, mas não deveria. Eu deveria ter desejado alguém seguro, alguém que apoiasse meu relacionamento com minha família e promovesse minha independência.
Em vez disso, eu amava Rafael. Um demônio sem consciência que tirou vidas. Um demônio que mentiu para mim, perseguiu-me e me drogou para me trazer para sua ilha paradisíaca. Era errado em todos os níveis ao contrário dele, minha culpa não me permitia ir voluntariamente com ele para o sol poente no horizonte.
Ele acenou com a cabeça, Alejandro suspirou antes de se levantar. Ele arrancou Hugo de sua cadeira pela camisa, empurrando-o para onde estávamos no final do corredor. Hugo foi junto de boa vontade, seus ombros caídos enquanto seus irmãos observavam e não fizeram nada para intervir. Rafael tirou a mão da minha cintura, enfiou a mão na parte de trás da calça por baixo do paletó e puxou uma arma do bolso. Pisquei ao vê-lo, meus olhos se arregalando enquanto pensava nas possibilidades do que ele poderia querer fazer.
Machucar Hugo porque eu não me casaria com ele era insano em outro nível, mas estava longe de ser possível quando se tratava de El Diablo. — O que você está fazendo? — Eu perguntei, minha voz um sussurro áspero quando Alejandro empurrou Hugo de joelhos. Na mesma posição que ele esteve algumas noites antes e eu fiquei entre eles. A arma de Rafael pressionou contra sua testa quando seus olhos vieram para mim.
— Você vai me fazer matá-lo, mi reina? — ele perguntou enquanto meus pulmões arfavam. Eu virei meu olhar para baixo para olhar para Hugo, para o nervosismo em seu rosto. Não foi um ato, ou se foi, ele não tinha sido informado do segredo. Joaquin se levantou de sua cadeira ao fundo, seus olhos suplicantes enquanto se conectavam com os meus. — Ou eu deveria encontrar Chloe e fazê-la sofrer pelo que ela disse a você afinal? — Rafael perguntou, chamando minha atenção de volta para ele. O d***o dançou em seus olhos, sua fúria aumentando a cada segundo que eu hesitava.
Parte de mim quase poderia justificar deixar Hugo morrer. A parte mais sombria de mim tentou dizer que ele mereceria pelo que fez comigo. Mas Chloe era inocente. A amiga que arriscou tudo para me dizer a verdade que eu fui muito ingênua para ver por mim mesma. Não havia justificativa para deixá-la sofrer pelos meus problemas, mas eu ainda não conseguia dizer as palavras para acabar com tudo.
Rafael puxou sua arma para trás, batendo-a no rosto de Hugo brutalmente enquanto eu observava a pele se abrir diante dos meus olhos. — Faça sua escolha, Isa. — ele rosnou, a fúria crescendo mais enquanto eu fechava meus olhos e me separava dele dessa forma final. Eu não lhe daria a vitória dos meus olhos quando cedesse às suas exigências, sabendo que não havia outra escolha.
Mesmo se eu não tivesse resistido, nunca houve uma escolha.
— Ok. — eu sussurrei, meus olhos se abriram quando Alejandro agarrou Hugo e o puxou para fora do caminho. Rafael pegou minha mão na dele, invadindo o corredor rapidamente enquanto eu lutava para manter minhas pernas doloridas firmes.
No momento em que Rafael e eu ficamos diante dele, o Padre falou. — Estamos reunidos aqui hoje para celebrar um dos maiores momentos da vida, a união de dois corações. Nesta cerimônia de hoje testemunharemos a união de Rafael Ibarra Vasquez e Isabel Alawa Adamik em casamento. — O nome de solteira da mãe de Rafael era outra informação que eu nunca soube sobre ele, pendurado no final de seu nome como um sinal de tudo que eu ainda não sabia.
Meu coração caiu na minha garganta, meu coração travando no meu peito enquanto eu olhava para o padre na minha frente. A multidão de pessoas atrás de nós estava estranhamente silenciosa, o peso de seus olhares na minha espinha fazendo lágrimas arderem em meus olhos. Uma ilha cheia de gente e ninguém iria intervir.
Uma ilha cheia de gente e eles ficariam felizes em ver Rafael me forçar a ser sua esposa.
— Rafe. — murmurei, virando-me para olhar para ele. Eu não poderia fazer isso. Eu não poderia me condenar a isso pelo resto da minha vida. Ele deslizou sua mão enorme por baixo do meu cabelo, me agarrando pela nuca e virando minha cabeça bruscamente até eu encarar o padre.
— f**a-se com isso. — ele ordenou. O peso pesado de sua mão nunca me deixou, me segurando ainda enquanto eu sufoquei o soluço estrangulado que tentava subir pela minha garganta.
— Por que você está fazendo isso? — Eu sussurrei, apertando meus olhos fechados. — Eu fiquei. Quando será o suficiente?
— Quando você for minha esposa. — ele rosnou, seus dedos agarrando minha carne com tanta força que quase caí de joelhos ao seu lado. — Quando você estiver grávida do meu filho. Quando eu estiver gravado na sua maldita alma. — ele retrucou. — Só então será suficiente, mi reina.
— Você, Rafael, aceita Isabel para ser sua esposa, para acalentar no amor e na amizade, na força e na fraqueza, no sucesso e na decepção, para amá-la fielmente hoje, amanhã e enquanto os dois de vocês viverem? — As palavras do Sacerdote rastejaram sobre minha pele, significando algo totalmente diferente para a maioria das pessoas do que seria para mim.
Não haveria divórcio para mim. Não importa o que ele fizesse, Rafael nunca me deixaria ir.
— Eu faço. — disse ele, as palavras quebrando contra o ar da noite. Olhei para ele com o canto do meu olho, encontrando seu olhar brilhante voltado para mim. Mordi meu lábio inferior enquanto esperava, nunca olhando para o homem que ajudaria Rafael a me condenar ao meu destino enquanto falava.
— Você, Isabel, aceita Rafael para ser seu esposo, para acalentar no amor e na amizade, na força e na fraqueza, no sucesso e na decepção, para amá-lo fielmente hoje, amanhã e enquanto os dois de vocês viverem? — perguntou o padre.
— Eu não posso. — eu murmurei, recuando contra o aperto de Rafael.
— Diga as malditas palavras, Isa. — Rafael ordenou, levantando a arma que ainda segurava em seu punho. Ele a ergueu na minha direção, tocando o cano na lateral da minha cabeça enquanto eu olhava para ele pelo canto do olho.
O suspiro ficou preso em meus pulmões, ecoado pelo som das pessoas atrás de nós. — Rafael. — protestou o Sacerdote. O sangue rugiu na minha cabeça, o choque de sua arma tocando meu rosto fazendo tudo além de nós dois parecer confuso.
— Esta é a única maneira de você sair daqui sem meu anel em seu dedo, mi reina. — disse ele asperamente.
— Rafael. — eu sussurrei, lágrimas caindo enquanto eu olhava para ele em traição. Eu o achava incapaz de me surpreender, achava que sabia exatamente do que ele era capaz, mas a tempestade violenta em seus olhos me desafiou a testá-lo. Não havia dúvida de que ele seguiria se eu o empurrasse.
— Eu não vou viver sem você como minha esposa. Então diga a p***a das palavras ou nós dois mancharemos o chão com nosso sangue. — ele ordenou.
Fechei os olhos com força, o vazio da minha vida caindo sobre mim. Rafael era um inferno furioso, destruindo tudo o que tocava. Fui tola em pensar que poderia sobreviver às chamas. — Eu quero. — eu sussurrei, selando meu destino.
Rafael soltou a mão do meu pescoço e me virou para encará-lo enquanto enfiava a arma de volta em suas calças. Alejandro deu um passo ao seu lado, depositando dois anéis na mão estendida de Rafael enquanto ele agarrava minha mão esquerda e a levantava. Ele alinhou as alianças de ouro rosa, deslizando o anel de noivado com uma grande pedra-da-lua redonda no centro para o meio do anel de casamento duplo. A parte superior da aliança estava cravejada de diamantes, lembrando a coroa da
6 rainha, as palavras hasta que la muerte foram gravadas na faixa inferior quando ele as deslizou no meu dedo anelar.
A pedra da lua olhou para mim, brilhando no sol poente enquanto o céu tingia de laranja.
Alejandro estendeu um anel, o preto escovado brilhando com as palavras douradas nos separe gravada na superfície quando Rafael levantou a mão. Respirei as lágrimas, arrancando-o de sua palma com cuidado e deslizando-o por seu dedo e aceitando-o como meu marido.
— Pelo poder investido em mim, eu agora os declaro marido e mulher. Você pode beijar a noiva!
O rosto de Rafael apareceu mais perto, o fogo em seus olhos se transformando em uma brasa enquanto ele segurava meu rosto na palma da mão. Seus lábios tocaram os meus em nosso primeiro beijo como marido e mulher, um toque esmagador e reivindicativo que ecoou tudo o que ele já havia deixado claro.
Eu nunca seria livre.
O metal frio de seu anel tocou minha pele enquanto ele me devorava, um lembrete físico de que eu não era mais apenas eu.
Eu era a esposa de El Diablo.