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1232 Words
Rafael me guiou para o nosso quarto, sentando na cadeira ao lado da cama e me deixando enrolar as pernas debaixo de mim no colchão. Ele discou o número de telefone da minha mãe para mim, entregando-me o telefone enquanto eu engoli meus nervos. Peguei-o com as mãos trêmulas, segurando-o no ouvido enquanto tocava. Houve um breve momento em que me perguntei se ela responderia. Se eu fosse salva de ter que decidir o que dizer a ela por sua agenda indubitavelmente agitada com duas de suas filhas desaparecidas. — Alô? — A voz da minha mãe soava fraca, como se ela não tivesse conseguido dormir desde que eu tinha desaparecido. Desde que eu tinha parado de retornar ligações e não tinha voltado para casa com Chloe como planejado. — Oi, mãe. — eu sussurrei, minha voz falhando enquanto eu tentava reprimir a tristeza surgindo dentro de mim. Eu sabia no fundo do meu coração que os primeiros momentos desse telefonema seriam a última vez que minha mãe pensaria em mim como sua boa menina. Seriam os últimos segundos da minha vida em que fiz o que meus pais me pediram, perder aquele pedaço de mim parecia arrancar parte da minha alma. Eu tinha sido a filha obediente por tantos anos. Eu tinha feito o que era esperado de mim sem falhar. Descartar essas expectativas foi como uma lasca da minha alma. — Isa? — ela perguntou, sua voz tremendo quando um soluço prendeu a respiração em seus pulmões. Ela já tinha visto suas filhas morrerem uma vez. Revivendo essa possibilidade treze anos depois parecia uma c***l reviravolta do destino. — Sou eu. — eu concordei, minha voz hesitante quando Rafael estendeu a mão e enxugou as lágrimas do meu rosto. Ele me estudou como se ele não pudesse entender, eu esperava que ele não pudesse. Seu pai tinha sido um homem c***l e sua mãe morreu quando ele era jovem. Quando foi a última vez que Rafael se importou com alguém além de si mesmo, antes de mim? Isso foi parte do motivo pelo qual ele se agarrou a mim com tanta força? — Oh meu Deus, Isa. — ela soluçou, trazendo mais lágrimas aos meus olhos. Dez dias. Dez dias se passaram comigo desaparecida em outro país, depois que Chloe voltou para casa com histórias de horror sobre o tipo de homem com quem passei meu tempo pecando. — Waban! — ela chamou, o nome do meu pai ecoando tão alto no telefone que eu tive que tirá-lo do meu ouvido. — É Isa! — Isa? — A voz do meu pai disse quando minha mãe me colocou no viva-voz. — Bebezinha? — Oi. — eu disse com uma fungada. — Você está bem? Querida, onde você está? — minha mãe perguntou. — A embaixada disse que eles falaram com você e você escolheu ficar na Espanha. Mas Chloe disse para não acreditar neles. Eu lancei um olhar para Rafael, repreendendo-o por fazer parecer que nenhum crime foi cometido. — A embaixada estava certa. Eu escolhi ficar. — eu concordei, odiando a mentira que saiu da minha língua. Mas eu nunca poderia mudar a realidade de que eu nunca voltaria para casa, pelo menos não por nada além de uma visita. Minha família precisava acreditar que eu estava feliz em minha nova vida. Foi o melhor presente que eu poderia dar a eles. A paz de acreditar que sua filha estava segura. — Por que você faria isso? E por que você não ligou? — minha mãe perguntou, sua voz subindo uma oitava enquanto ela tentava chegar a um acordo com o que eu tinha feito. — Eu não sabia o que dizer. — admiti. Essa parte parecia a verdade, porque eu ainda não sabia o que poderia dizer a eles para explicar a mudança drástica em minha vida. Eu não acho que alguém poderia entender o que pulsava entre Rafael e eu. Não quando eu nem mesmo entendia. — Apenas venha para casa, Isa. — meu pai disse, sua voz falhando com as palavras. — Podemos entender tudo isso quando você estiver em casa. — Eu não vou voltar para casa, pai. Eu preciso me estabelecer na minha vida aqui. Eu vou visitar quando puder. — eu disse. — Isabel! Você vai pegar um avião agora mesmo e voltar para casa! — ele perdeu a cabeça. — Sua vida está aqui. Sua família está aqui. O rosto de Rafael escureceu de raiva quando meu pai levantou a voz para mim e eu sabia que tinha que fazer o que pudesse para dissipar a situação antes que ele se envolvesse. Ainda assim, as palavras ficaram presas na minha garganta. — Rafael é minha família agora. — eu disse, engolindo a bile com a dureza de minhas palavras. — Nunca me senti assim por ninguém. — Quer eu amasse Rafael ou não, ele trouxe à tona todas as partes de mim que eu pensava que estavam mortas há muito tempo. — Eu não entendo. — disse ela. — Você se foi há menos de três semanas, Isa. Não é como você agir tão precipitadamente. — Por favor, tente me dar o benefício da dúvida. Eu não tomo decisões impulsivas, então confie que eu fiz essa da mesma forma. Eu fiz a escolha com muito cuidado. — eu sussurrei, observando a postura de Rafael relaxar um pouco. — A avó está aí? — Eu perguntei. — Ela está no centro. Ela não pode suportar estar aqui sabendo que você se foi. — minha mãe disse, parando enquanto ela lutava para encontrar o que mais ela poderia dizer. — Mamãe! — uma voz tão parecida com a minha disse ao fundo quando ouvi a porta da frente fechar. — Estamos aqui, querida! — minha mãe falou de volta para minha irmã. — Odina está em casa? — Eu perguntei, meu rosto caindo em meu desânimo. — Ela voltou para casa logo depois que você partiu para Ibiza. Ela parece... melhor. — minha mãe disse hesitante. — Isa, por favor, volte para casa. Podemos resolver isso. — Talvez isso seja o melhor. Talvez sem mim para atrapalhar, você possa consertar seu relacionamento com ela. — Eu disse, tentando lutar contra a mágoa. Mas eu sempre estive no caminho de Odina. Eu sempre fui um lembrete para ela do dia em que ela morreu. — Tudo acontece por uma razão, certo? — Eu perguntei, tentando conter a amargura que sentia ao saber que Odina havia voltado no momento em que eu saí. Que ela se mudou para reivindicar nossa família como dela sozinha sem eu. Olhei para Rafael, me perguntando se ela de alguma forma sabia que eu não voltaria para casa. Seu rosto era uma máscara cuidadosa, projetada para manter seus segredos longe de mim. — Isa, isso não é justo. — disse minha mãe. — A vida não é justa. — eu disse de volta, sorrindo apesar das p************s. — Eu ligo para você em breve. Eu te amo. — eu disse, terminando a ligação com um golpe na tela do telefone. Na minha frustração, eu nem esperei que eles se despedissem. Talvez Rafael fosse minha penitência pelo que eu tinha feito. O preço que eu teria que pagar para fazer as pazes com Odina. Eu pagaria com prazer. Mas primeiro, eu precisava saber por que ela achou seguro voltar para casa.
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