Nina Narrando Eu encarei a xícara de café ainda quente como se fosse um espelho. Tudo ali, naquela tarde ridícula, desabou. A pose. O jogo. A minha confiança. Rebeca tinha me enfrentado. Não tremendo. Não recuando. Mas de pé, com a cabeça erguida e os olhos cravados nos meus como se dissesse: Você não me assusta mais. Aquilo doeu mais que qualquer tapa na cara. O garçom me perguntou se eu queria mais alguma coisa. — Quero que o mundo suma. — murmurei. Ele sorriu, sem entender, e se afastou. Saí do café sem olhar pra trás. Entrei no carro e afundei os dedos no volante. Meus olhos ardiam. Mas eu não ia chorar. Não mais. Já tinha feito isso demais por Leonardo. Por aquele amor doentio que eu jurei que controlava, mas que no fundo me controlava. Agora eu sabia: ele me odiava. Pior do qu

