Rebeca narrando Eu devia ter ido embora. Juro que devia. Quando parei em frente à porta do apartamento do Leonardo, com o celular ainda na mão, pensei umas cinco vezes em dar meia-volta. Mas o dedo insistente dele, a voz carregada de tensão na mensagem… e a saudade. Ah, a saudade dele, do toque, do cheiro, do olhar… Foi mais forte que meu orgulho. Assim que ele abriu a porta, eu me arrependi. Não porque ele não valesse a pena. Mas porque estar perto demais dele era me colocar de novo à beira do abismo. Ele estava descalço, camisa social branca com as mangas dobradas, uma taça de vinho na mão. E aquele olhar. Um olhar que queimava tudo que eu tentava manter frio dentro de mim. Fui firme. Entrei sem tocar em nada. Sentei sem me acomodar. Cruzei os braços, tentando proteger meu coração. M

