O PAGAMENTO DO SANGUE.

1112 Words
V I T T O R I O — P A I. Ela m*l tinha acabado de chegar, e já recebi uma convocação de presença do Domenico. A mensagem não vinha com palavras desnecessárias. Nunca vinha. Foram precisas, Hoje. Agora! Era o tipo de convocação que não se recusa. Não quando se deve por sangue. Eu sabia que ele esperava por muitos anos por isso, desde que a minha garotinha saiu daqui, ela era tudo que eu tinha desde a perda da mãe dela. Eu a amo como amava sua mãe. Foi tudo que me restou daquele amor e eu prometi a mãe dela que cuidaria dela com minha vida. Me aproximei dela, devolvi todos os seus direitos, todos os mínimos como se celular, o direito de escolher que tipo de roupa usar, a me olhar nos olhos ou qualquer um dentro dessa casa. Ela estava distraída, vendo algo no seu aparelho quando me aproximei. — Filha? Ela me olhou com um sorriso pequeno. — Oi, pai... Vai sair? — Preciso resolver uns negócios, voltou antes do jantar. Ela acenou com um sorriso pequeno, me aproximei e beijei sua cabeça com um suspiro pesado. — Se sentir fome, não me espere. Ela sorriu. — Eu senti falta disso... De tudo isso. Acenei me afastando e pondo sua franja atrás da orelha. — Você sabe que tudo que eu faço é pro seu bem, não sabe? Ela acenou que sim. — Eu sei pai. Acenei tocando seu nariz rosado. — Volto logo! Me afastei enchendo o peito. Ela estava cada vez mais parecida com a mãe dela, linda... Uma mulher incrível. Forte, decidida que nem a mãe. Isso aperta meu peito, porque sei que no nosso meio, isso é abominável. Enfiei a mulher que amava nisso, e me amaldiçoou todos os dias, porque isso levou a destruição dela e a minha. E agora Renê estava prestes a pagar por escolhas que ela não fez. Mas eu tinha planos... Planos pra afastar ela dessa vida c***l que estão lhe impondo. Foi por isso que fui ao encontro dele, pelo futuro dela. ... O salão menor da casa dele estava vazio quando entrei. Madeira escura, cheiro de charuto velho e poder acumulado por décadas. Domenico sempre foi ganancioso, sabia que ele iria cobrar na primeira oportunidade. Ele já me esperava, sentado como se fosse dono até do silêncio. — Você demorou. ele disse. — Eu vim, Isso basta. Ele sorriu de lado. Um sorriso que nunca chegou aos olhos. — A garota voltou? Soube que todas da Lá Dominus, já estão em seus lares. Meu peito apertou. — Sim. — Imagino, que bonita como a mãe era... ele continuou, casual demais. — Aquela mulher… foi um erro caro, Vittório. Meu maxilar endureceu. — Não fale dela. — Falo do que quiser. ele rebateu. — Principalmente quando o segredo dela continua comigo. O ar ficou pesado. — Eu não vim aqui pra ouvir suas ameaça! Domenico se inclinou um pouco à frente. — Ameaças? Claro que não. Isso é proteção. Sua pausa me deixou enojado. — A garota nem legítima é. Você sabe. Eu sei. E se a cúpula descobrir… o que você acha que vão fazer com ela? Não respondi, travando a mandíbula. Maldita hora que confiei nele pra contar o que deveria morrer comigo. — Exato. ele disse comprovando meu silêncio como uma confirmação. — E nós não queremos isso, queremos? Fechei os punhos. — Isso é uma ameaça? perguntei aspero. Ele negou devagar. — Somos amigos, Vittório. Amigos não se ameaçam. Eles… lembram. O silêncio caiu entre nós. — Diga de uma vez, porque me chamou aqui. — Está bem óbvio Vitório, é hora de lavar a dívida. A aliança será feita. disse com precisão. — Minha casa se unirá a sua por meio do meu primogênito, Claus. Meu sangue gelou. Ele não! — Não. respondi na hora. — Se for pra pagar essa dívida, que seja com o Cirius. O sorriso dele morreu. — Sua garota estraga meu filho. Sempre estragou. Levantei o olhar. — Como? — Ela o enfraquece! Domenico respondeu. — Faz ele pensar demais. Sentir demais. Ele balançou a cabeça. — Eu não criei um herdeiro pra ser guiado por uma mulher. Engoli seco. — Cirius não é fraco, ele é um dos mais potentes dos herdeiros da sua geração, obediente, sagaz, uma potência da sua casa, isso já foi dito até pela cúpula. O garoto tá longe de ser fraco. — Ele é! Domenico cortou. — Com ela. A verdade doeu porque era real. Eu sempre vi a forma como ele a tratava, o cuidado, o apresso. Prova está que ele estava na minha casa, quebrando uma das regras da cúpula por ela, era exatamente por isso que ele era a melhor opção, inferno! — Cirius vai casar com outra casa. ele continuou. — Claus assume essa aliança. — Claus não é homem pra ela. rebati. — Nem da altura da minha casa. Ele é impulsivo, não tem domínio nem dele mesmo. Vai desonrar minha casa, meu nome e tudo que eu fiz por ela até aqui. Ele nunca vai saber ser um homem de verdade pra minha garotinha. Você sabe disso! Domenico riu, curto. — Homem? ele repetiu. — Aqui não estamos falando de amor. Estamos falando de poder Vittorio, olha onde esse seu sentimento medíocre de amor te levou! Levantei fora de mim. — Você não está me dando escolha! Ele também se levantou. — Você nunca teve. disse, frio. — Isso é a dívida e você deu sua palavra que cumpriria, cumpra ela agora! Deu a volta na mesa, parando diante de mim. — E se ela aprendeu alguma coisa naquela La Domus Obedientia… foi que dívida se paga sem questionar. Os olhos dele escureceram. — Principalmente uma tão grave quanto a sua. Senti o peso do mundo nos ombros. Minha filha. Minha culpa. Meu erro. Estava sem escolhas, sem poder diante daquela merda de ameaça, porque podia perder muito mais se esse segredo fosse espalhado. E eu sei que Domenico não estava blefando. — Você vai garantir que ela fique segura! acrescentei, num último fio de esperança. Domenico inclinou a cabeça. — Com a gente, ela estará mais segura do que jamais esteve fora. Mentira conveniente, ele acha que eu sou i****a? Proteção envenenada. Eu sabia. Mas se eu dissesse não… Ela morreria como a mãe. Aceitei derrotado. — Garanta que a nossa aliança esteja firme quando as propostas começarem a surgir após a cerimônia, Vittorio, e a dívida será paga. Não havia escolha, a aliança seria feita. E eu pagaria minha dívida do único jeito que aquele mundo aceitava. Entregando minha filha. ....
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