VI — CIÚMES?

1262 Words
David se levantou para apertar a mão do seu antigo cliente. — Como vai, Charles? — Não tão bem como você, meu amigo — o homem falou sorrindo e arqueando uma sobrancelha. — Quem é a sua secretária? David nem tentou disfarçar o seu incômodo com o comentário do homem à sua frente. — Você não pode ver um r**o de saia, Charles? — Você há de concordar comigo de que não se trata de qualquer r**o de saia. — Você deveria ter mais respeito pela moça — David sugeriu o fitando. — Calma aí, eu percebi que você não gostou, me desculpa meu amigo, eu não sabia que... — antes que Charles terminasse a sua frase, David o interrompeu. — Não... Não... Nada a vê, ela é só minha secretária. Charles não engoliu a história do seu advogado e estava disposto a provocá-lo mais um pouco. — Ah bom, sua outra secretária era bonita e elegante, mas essa... Meu amigo, essa é alto padrão. — Vamos ao que interessa, Charles — David estava se esforçando para não ser rude. — Nós conseguimos todas as autorizações e alvarás necessários. — Maravilha. David e Charles estavam nas tomadas de decisões que motivaram aquela reunião, quando foram interrompidos por batidas na porta. — Com licença — Angel falou indo em direção a mesa de David e direcionou o olhar para Charles — Aceita um café? — Sim, obrigado! — o homem respondeu sem tirar os olhos dela. — Sr. Smith? — Angel olhou para David esperando uma resposta sobre o café. — Sim, por favor! — David respondeu sem olhar no rosto dela. Angel terminou de servir e se retirou. Charles foi acompanhando o corpo dela enquanto andava até a porta, e só parou de olhar quando Angel sumiu de suas vistas. Aquilo deixou David furioso e confuso. Afinal de contas, por que isso o incomodou tanto? A vontade que David teve naquele momento foi de socar Charles. Ele nunca gostou de compactuar com olhares e comentários maldosas e de duplo sentido como o de Charles, mas aquilo o estava incomodando mais do que o habitual. — Meu amigo, eu não sei como você consegue trabalhar perto dela — Charles falou parecendo não perceber o quanto já estava sendo inconveniente. — Charles, mais respeito! Você está ultrapassando todos os limites. Se cada vez que você vier aqui ficar olhando dessa forma para a Angel, a deixará constrangida. — Angel é o nome dela? Ela realmente tem rosto de anjo — o homem falou ignorando o pedido de David. O advogado, que tinha se arrependido de pronunciar o primeiro nome de Angel, falou com a voz firme: — Já chega, não quero mais nenhum comentário desrespeitando em relação a minha secretária, e para você é Sra. Jhonson. Após o clima ter ficado esquisito, eles deram continuidade a reunião, afinal de contas, apesar de David ter ficado totalmente sem paciência, tinha que ser profissional. Terminada a reunião, David fez questão de levar Charles até o elevador para impedi-lo de se aproximar de Angel. Ele foi andando propositalmente do lado esquerdo de Charles, já que a mesa de Angel ficava desse lado, e fez com que seu corpo alto e largo impedisse a visão do homem. Ele voltou só após garantir que a porta do elevador havia fechado com o seu cliente dentro. — Daqui a dez minutos saio para almoçar, e volto às 13:00 horas — David falou para Angel sem diminuir o passo e voltando para sua sala. David ficou assinando alguns papéis, e enquanto isso, Adam saiu da sua sala em direção a mesa de Angel. — Como vai, Sra. Jhonson? — ele falou com um sorrido apoiando os punhos na mesa dela. — Pode me chamar de Angel. — Como vai, Angel? — Bem, obrigada por perguntar! E o senhor, como está? — Senhor? Acabou de me mandar te chamar de Angel — ele falou de forma descontraída. — Mas é diferente, o senhor é meu chefe. — Não, tecnicamente o seu chefe é o David, então me chame de Adam. — Tudo bem, Adam. É bem estranho, mas vou tentar me acostumar. Nesse momento, David saiu da sua sala e viu os dois conversando. — Olha ele aí — Adam falou ao vê seu amigo e sócio. — Por que não entrou na minha sala? — David o questionou intrigado. — Preferi esperar aqui conversando com a Angel, ela é muito mais simpática que você — Adam falou com um sorriso de canto, fazendo com que Angel se segurasse para não rir. — Vamos, não posso demorar — David disse parecendo não dá atenção ao que Adam falou. — Até logo, Angel — Adam falou se encaminhando junto com David até o elevador. — Até logo, Sr... desculpa, até logo, Adam. Uma pequena ruga se formou no meio da testa de David. — Adam... Angel... Vocês se conhecem a quanto tempo? — David perguntou enquanto o elevador descia com eles em direção ao estacionamento. — Desde ontem quando a entrevistei. — E ficaram tão íntimos assim? — Qual é, cara? Está com ciúmes da sua secretária? — Só estou curioso — David falou o encarando. — É estranho, mas parece que já nos conhecemos a algum tempo. Porém, não se preocupe, meu amigo, não tenho nenhum tipo de interesse nela, apenas gostei do astral da garota. — Me preocupar? Com o que, exatamente? — David perguntou desconversando. Quando os dois chegaram no estacionamento, se dirigiram para o carro de Adam. — Qual é, David, eu e a Madison nos chamamos pelo primeiro nome desde os primeiros dias e isso nunca te incomodou. — Havia esquecido o quando Adam Brown é um homem legal e simpático com todos — David falou com um certo sarcasmo. — Não tenho culpa se as pessoas me acham muito mais legal do que você — Adam provocou bagunçando o cabelo do seu amigo — Você deveria ser menos ranzinza. No trânsito, eles continuaram se provocando da forma descontraída que sempre fizeram, e logo chegaram ao restaurante. Ao entrar, eles se sentaram e o garçom veio atendê-los entregando o cardápio. Eles escolheram os pratos e continuaram conversando. — Eu vou te contar uma coisa — David falou com os seus cotovelos na mesa e suas mãos grudadas uma na outra. — Conte. Nesse momento o garçom voltou com duas águas, serviu nos copos para David e Adam, e se retirou. — Lembra na sexta na balada quando eu voltei para onde você estava com a minha camisa toda suja de bebida? — Sim, o que tem? — Quem derramou bebida em mim foi a Angel, a minha nova secretária. — Sério, cara? — Adam perguntou surpreso. — Sério — ele confirmou tomando um gole da sua água. — Eu lembro de você me contando que derramaram bebida em você e que a garota apesar de muito linda, era bem marrenta. E lembro também que depois do episódio você ficava constantemente procurando alguma coisa... Ou seria alguém? — Adam perguntou o provocando. — Você está cheio de gracinha hoje — David falou revirando os olhos em desaprovação. — São só constatações, meu amigo — Adam provocou um pouco mais. O silêncio se instaurou na mesa por alguns segundos, mas logo David o quebrou: — Não é muita coincidência? Digo, olha o tamanho de Manhattan, olha o tamanho de Nova York. Eu nunca vi essa mulher antes, e de repente eu esbarro com ela em uma balada que eu nem queria ir e dias depois ela está trabalhando para mim?
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