Dante Narrando Acordei cedo. Nem dormi direito, na real. Desde aquela conversa, não olhei mais na cara dos dois. Nem quero. Kael tá dormindo com minha irmã. E achando que o morro é novela de amor. Tomei um gole de café amargo, daquele que rasga a garganta e limpa o pensamento. A mente ainda fervia, mas o peito... o peito tava travado. Não por dor. Por decepção. Kael era meu irmão na guerra. Mais que soldado. Mais que homem de confiança. Era o cara que eu botava minha vida na mão. Agora? Agora não sei se boto nem o nome dele num papel. Mas a real é que eu não posso me dar o luxo de sentir demais. Sentimento enfraquece. E eu tô vendo o jogo virar. Moreira tá quieto demais. As bocas dele tão crescendo por baixo, e ninguém percebeu. Só eu. — Chama o Tequinho aí — falei. — Dois minutos depo

