Dante Narrando Acordei antes do sol dar as caras. Tava ali deitado no colchão, olho preso no teto, mente girando igual sirene de caveira rodando a favela. E mesmo com tudo pegando fogo, mesmo com os corre empilhando nas costas, o nome dela era o primeiro que aparecia. Samanta. Desde que soltei aquilo pra ela ontem, minha cabeça não parou. Nunca fui de abrir o peito, de deixar alguém entrar. Sempre resolvi tudo no silêncio, na estratégia, no comando. Mas com ela foi diferente, mano. Coração me traiu sem pedir permissão. Levantei, vesti a bermuda e desci pro quintal. O morro ainda dormia, mas os passarinhos já cantavam como se nada tivesse errado nesse mundo torto. Peguei o rádio e chamei um dos meus. — Joãozinho, confere as câmeras da entrada do beco da Vinte e Dois. Quero saber se te

