Kael Narrando Tem coisa que a gente sente antes de ver. O ar muda. A rua fala. O asfalto entrega. Voltei do rolê com Luna com a alma mais pesada que a Glock na cintura. Não era só porque quase deram o bote na gente. Era porque agora, além dos inimigo declarados, tem traíra na trincheira. E isso, pra mim, é pior que tiro. Bati na porta do barraco, encostei a testa na parede de cimento e fechei os olhos. Um segundo. Só um segundo de silêncio. Mas nem isso eu tive. O rádio do meu ponto começou a chiar. — Kael, colou uma moto preta na entrada da viela do Campinho. Dois ocupante. Ninguém da gente. — Copiado. Tô subindo. Não tem descanso pra quem anda no fio da navalha. E eu ando nele desde que fiz a escolha de proteger Luna, mesmo sabendo que isso ia me botar contra o próprio Dante. Porque

