Kael Narrando A real? O morro nunca dorme. Quem dorme é quem morre. Eu tô ligado em tudo. Nos cara que ficam de toca no Baixadão. Nos moleque novo que tão querendo espaço no tráfico. E na Luna. Principalmente na Luna. Desde que ela voltou, minha mente não tem sossego. E depois daquele beijo na viela, do quase com o Dante... Minha alma tá pendurada num fio de luz, esperando o disjuntor cair. Hoje, quando saí de casa, já senti o clima esquisito. O rádio tocando funk antigo, o povo na calçada, mas os olhos... Os olhos falavam mais que a boca. Tinha algo estranho no ar. Desci o beco como quem já sabe onde pisa. Cumprimentei uns, encostei em outros. Mas a quebrada... parecia miúda. Até que trombei com o Chicão, um dos cara que faz ronda à noite. — E aí, Kael, firmeza? — Fala, meu mano. V

