Kael Narrando A gente aprende desde cedo que o morro tem olhos. E ouvidos. E língua. E veneno. Hoje, mais do que nunca, eu senti isso na pele. Passei a manhã inteira circulando como sempre. Subi pro Alto. Conferi os pontos. Revi os olheiros. Tudo igual. Tudo em ordem. Só que não tava. Porque tinha uma sombra nas minhas costas. E não era de poste nem de árvore. Era de gente. No começo achei que era impressão. Mas depois de meia hora reparando nos mesmos passos atrás de mim, nas viradas sincronizadas demais, eu soube. Tava sendo seguido. Disfarçado. Cauteloso. Mas seguido. Tinha dois caras novos na contenção da laje sul. Revezavam com os antigos, mas hoje, curiosamente, os antigos não tavam lá. Coincidência? Eu não acredito em coincidência. Dei um corte por dentro das casas, entrei por u

