Arthur
Vejo o horário do meu celular já marcar uma hora da manhã e nada da Priscila. Ela saiu daqui não era nem dez da noite.
Ah, se Wesley ao menos tocou na morena. Irei decapitar a sua cabeça de baixo. Não aceito ninguém tocar nela, sem condições disso acontecer.
Não vou dormir enquanto ela não chegar. Quem sabe pode ter acontecido alguma coisa séria com ele e eu não estar lá pra ajudá-la.
Não demora muito e escuto a maçaneta virar com a porta abrindo e fechando devagar em seguida. Só escuto barulho de pés no chão, invés do seu salto.
-Chegou, Pri? - me penduro nas costas do sofá e ela para seu caminho e volta - Foi bom? - pergunto sem muito interesse.
-Vai dormir, Arthur - fala com uma expressão de cansaço.
-Tá tão cansada assim?
-Da pra perceber? - passa a mão pelo seu cabelo e suspira.
-Senta aqui e conta tudo pro titio Arthur - bato no sofá e ela rir nasal.
-É sério. Vai dormir, Arthur.
-Nem de bigodinho tá me chamando. Vem cá e conversa comigo.
-É insistente demais, sem condições - larga o salto no cantinho da sala e da a volta no sofá. Priscila senta ao meu lado e cruza as pernas.
-Tio Thur está aqui, minha querida. Me conte tudo, menina - afino a voz e ela rir.
-Primeiro me responda, tio Thur - coloca a almofada no colo - Por que está acordado até agora?
-Tentei dormir, mas perdi o sono - mentira! - Ai já viu, vim distrair a mente já que não consegui dormir.
-Entendi - passa a mão no rosto - Eu não sabia que Wesley tem asma.
-Desde criança. Lembro quando eramos crianças e íamos brincar com os cachorros. Wesley espirrava e sentia uma falta de ar do c*****o, mas insistia que estava tudo bem e que iríamos continuar correndo com os cachorros do meu tio. Até por muitas vezes ele parar no hospital e seus pais jogarem a culpa em mim.
-Mas vocês só eram crianças.
-Mas para os pais do Wesley, eu tinha a responsabilidade pelos atos dele. Wesley sempre foi teimoso e nunca me ouvia, então não tinha muito o que fazer. Wesley sempre desafiou os seus medos e faz muitas coisas que não podem diante os médicos. É só você falar que ele não pode fazer uma coisa que ele vai lá e faz - rio junto com ela.
-Ele é bem legal e divertido. Gostei de sair com ele - da um sorriso sincero.
-Eu também sou legal e divertido - coloco a mão no peito como se estivesse ofendido.
-Meu Deus! - rir e chuta meu ombro.
-Modos mocinha - imito minha vó e Priscila se contorce rindo.
-No dia que eu vi vocês na recepção, não imaginei que fossem amigos.
-Eu e aquele viado brigamos direto. Esse foi um dos motivos pro pai dele não me querer aqui.
-O pai dele é o dono disso aqui?
-Disso aqui tudo e outros prédios também.
-Dessa eu não sabia.
-Ele não é o tipo de cara que exibe o que tem e nem a família que ele não se orgulha muito em fazer parte. Agora a Ana você vai amar, ela é muito fofa.
-Ana? - sorrir desconfiada.
-Credo, menina - taco a almofada nela - Cadê a minha bíblia? Vou te tacar ela - ela rir - Ana tem quatro anos. Sou pedófilo, eu?
-Preciso dormir, estou morta - se joga por inteira no sofá - Me faz uma massagem ai - bate com o pé no meu braço.
-É muito abusada. Quero recompensa depois - resmungo enquanto massageio seu pé.
-Terá a recompensa que quiser, bigodinho. Agora continua minha massagem - boceja e vai fechando os olhos devagar.
-Ai eu vi vantagem - rio sozinho. Olho pra Priscila que dorme feito anjo. Me levanto e a pego no colo e levo pro seu quarto. A deito na cama e cubro com seu edredom. Ligo o ar no fraquinho e fecho melhor as cortinas, beijo sua cabeça e vou pro meu quarto.
Arranco minha roupa ficando de box, encosto a porta, ligo o ar e me jogo na cama com tudo.
Não acredito que fiquei esse tempo todo esperando por essa louca. Parece que a noite dela com o Wesley foi boa, nem vou procurar me aprofundar muito, não quero saber demais da noite deles.
Adormeço com meus pensamentos bem rápido.