O silêncio caiu sobre o quintal da mansão.
A música continuava tocando, mas parecia distante, abafada pelo impacto do tapa que FK desferiu em Juliana.
Todos estavam imóveis, olhando para ele, presos entre o choque e o medo.
PH deu um passo à frente, tentando conter a situação.
— Chefe… calma, respira — disse, a voz firme, mas cautelosa.
FK não respondeu de imediato.
O corpo dele estava tenso, os punhos cerrados, os olhos cor de mel fixos em Juliana, que se afastava rapidamente, surpresa e assustada.
O sorriso provocante dela desaparecera, substituído por um olhar cauteloso, misto de medo e indignação.
— Ninguém mais fala. — a voz de FK cortou o ar como navalha.
Era baixa, controlada, mas carregada de perigo.
Os homens ao redor não ousaram contestar.
Eles conheciam a regra: quando FK explodia, o mundo inteiro parava.
PH permaneceu próximo, consciente do risco.
— Tá feito, chefe. Agora respira… não precisa exagerar — murmurou, tentando diminuir a tensão.
FK fechou os olhos por um instante, respirando fundo.
O lado calculista tentava reassumir o controle, mas a fúria ainda pulsava em suas veias, quente, intensa, quase palpável.
Cada músculo do corpo dele gritava raiva e poder.
— Que fique claro — ele disse, abrindo os olhos e fitando todos — ninguém ousa me provocar.
O silêncio se manteve absoluto.
Apenas o tilintar de copos, o som distante da churrasqueira e o farfalhar da piscina quebravam a quietude.
Ele deu alguns passos, se afastando da mesa, ainda tenso, cada movimento carregado de força e presença.
PH o seguiu, sem deixar que a raiva se transformasse em algo mais perigoso.
FK olhou ao redor, analisando o quintal, os convidados, a festa interrompida.
Tudo tinha voltado ao lugar, mas a sombra do que havia acontecido ainda pairava sobre todos.
O morro, o poder, o respeito — ele sabia que tudo se sustentava por medo e controle.
E aquela noite, mais uma vez, ele mostrara que não havia espaço para erros ou ousadias perto dele.
Enquanto isso, no banheiro da mansão, Cecília respirava fundo, tentando se acalmar, sentindo o coração desacelerar.
Fora dali, o mundo continuava intenso e perigoso.
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Cecília respirava fundo, tentando acalmar o coração que ainda batia acelerado.
— Tá, respira… — murmurou para si mesma. — Só abre a porta e volta para a festa.
Ela girou a maçaneta devagar.
Mas a porta não se abriu completamente.
Um corpo bloqueava a saída.
— FK… — sussurrou, surpresa.
Ele a empurrou de volta para dentro do banheiro com um gesto firme e rápido.
Antes que ela pudesse recuar, sentiu a mão dele trancando a porta.
— O que você tá fazendo aqui sozinha? — a voz dele era baixa, perigosa, quase sufocante.
— Eu… só… — Cecília engoliu seco. — Só fui me acalmar.
Ele avançou um passo, e o olhar cor de mel dele a perfurava.
— E tá me evitando? Fugindo de mim? — perguntou, a voz misturando raiva e preocupação.
Cecília tentou recuar, mas a parede estava atrás dela.
— Eu… Eu só queria… não queria me envolver… — gaguejou.
— E depois de tudo, você acha que podia sumir sem dar satisfação? — ele continuou, a raiva evidente em cada palavra. — Você acha que eu fico parado enquanto pessoas ousam me desafiar?
— Eu… — respondeu ela, a voz trêmula, assustada. — Eu só… não entendo você! Por que sumiu ?
Ele respirou fundo, visivelmente irritado com a própria perda de controle.
— Porque precisava… — murmurou. — Precisava me afastar antes de perder o controle com você também.
Cecília engoliu seco, tentando organizar os pensamentos.
— Mas… e Juliana? Você… — a voz falhou.
— Ela não importa! — ele cortou, a intensidade de suas palavras a fazendo recuar. — Só você importa!
O corpo dela tremeu.
E antes que pudesse reagir, FK a puxou para si e a boca dele encontrou a dela em um beijo que misturava raiva, desejo e confusão.
Cecília ficou imóvel, assustada, tentando processar tudo ao mesmo tempo: o medo, a intensidade, a proximidade.
Quando ele se afastou, apenas alguns centímetros, ainda com o rosto perto do dela, a respiração dele pesada, FK sussurrou:
— Se você acha que pode me ignorar ou me evitar, tá muito enganada.
Cecília apenas engoliu seco, o coração acelerado, sabendo que aquela noite mudaria tudo entre eles.
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Cecília respirava fundo, ainda tremendo do beijo e da tensão dentro do banheiro.
— Vamos sair daqui. — disse FK, a voz firme e baixa, deixando claro que ele tomava o controle da situação.
Ela assentiu, sem coragem de argumentar.
Ele abriu a porta devagar, conferindo o corredor. A festa continuava lá fora, barulhenta, distraída.
— Vem comigo. — murmurou, e ela apenas concordou, seguindo-o.
O caminho pelo corredor da mansão parecia interminável para Cecília, cada passo aumentando o nervosismo.
Quando chegaram ao quarto de FK, ele fechou a porta atrás deles, silenciosamente.
O ambiente era sombrio, organizado, frio, refletindo exatamente a personalidade dele. A luz da lua entrava pelas janelas altas, iluminando parcialmente o espaço.
— Por que me trouxe pra cá? — ela perguntou, a voz trêmula.
— Pra gente falar. — respondeu FK, cruzando os braços, o olhar intenso a perfurando. — Não dá pra conversar lá fora com todo mundo olhando e comentando.
Cecília engoliu seco.
— Sobre o que? — indagou, tentando manter a calma.
— Sobre você… — disse ele, aproximando-se, sem tocar, apenas a presença sufocante dominando o ambiente. — Sobre como você some, sobre como não posso simplesmente… ignorar.
— Eu não quero… — começou ela, hesitante — Eu só queria que você… — a frase morreu na garganta.
Ele deu um passo mais próximo.
— Que eu me afaste? — completou por ela, com uma ponta de raiva controlada. — Isso não vai acontecer, Cecília. Eu não consigo te tirar da minha cabeça.
Ela engoliu em seco, sentindo o coração disparar.
— Mas você… sumiu essa semana inteira. Eu pensei que… — começou, mas ele a interrompeu.
— Eu precisei me afastar. Pra não perder o controle. — FK respondeu, a voz baixa, mas carregada de intensidade. — Mas não me engano… eu só penso em você. Só.
Cecília sentiu um frio na espinha, a mistura de medo e fascínio a deixando quase paralisada.
Ele se aproximou novamente, tão perto que o cheiro dele a envolveu, a presença esmagadora dominando cada sentido.
— E não vai ser fácil me evitar, Cecília. — murmurou.
Ela apenas engoliu seco, olhando para ele, sem palavras, sabendo que aquele quarto, aquele instante, tinha mudado tudo.
O silêncio caiu entre os dois, pesado e carregado de tensão, enquanto ambos tentavam organizar pensamentos e sentimentos que ninguém ali fora capaz de compreender.
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O quarto estava silencioso, exceto pelo som distante da festa, abafado pelas paredes espessas da mansão.
Cecília permaneceu perto da porta, os braços cruzados, tentando se manter firme, mas o coração disparado denunciava seu nervosismo.
FK permaneceu no centro do quarto, imóvel, os olhos cor de mel fixos nela.
— Eu não sou… normal. — começou ele, a voz baixa, quase um sussurro, mas carregada de intensidade. — Não sou como os outros. Não sei lidar com sentimentos. Não sei demonstrar.
Cecília engoliu seco.
— Eu sei… mas você… — tentou começar, mas não sabia como continuar.
— Eu falo sério. — FK avançou um passo, a presença esmagadora. — Juliana me irritou, e eu… explodi. Mas você… você me faz perder o controle de uma maneira diferente. — Ele respirou fundo, controlando o impulso de agir por completo. — Eu penso em você o tempo todo. Cada movimento, cada gesto, cada sorriso… não sai da minha cabeça.
Cecília sentiu o frio subir pela espinha, uma mistura de medo e fascínio.
— Mas você me assusta… — murmurou, a voz trêmula. — Você… agride as pessoas, desaparece… eu não sei quem você é de verdade.
FK deu outro passo, diminuindo a distância entre eles, a intensidade do olhar esmagadora.
— Eu sou o que o mundo me fez ser. Frio, calculista, implacável. Mas com você… não consigo. Não consigo me controlar, não consigo me afastar. — Ele respirou fundo, o peito pesado, os punhos cerrados. — Você mexe comigo de uma forma que ninguém mais mexeu.
Ela desviou o olhar, incapaz de encará-lo completamente.
— Então por que me faz sentir medo? — perguntou baixinho.
— Porque eu não sei ser diferente. — Ele respondeu, a voz baixa, áspera. — Porque eu não sei ser fraco. — FK respirou fundo, aproximando-se ainda mais, até que a proximidade era sufocante. — Mas você… você é a única que me faz querer ser algo que eu nunca fui.
O coração de Cecília disparou, e a mistura de fascínio, medo e desejo a deixou quase paralisada.
FK respirou fundo, aproximou o rosto e tocou levemente a testa dela com a dele.
— E eu não vou permitir que você desapareça da minha vida. — sussurrou, antes de beijá-la, intenso, profundo, carregado de tudo que ele sentia e não sabia controlar.
Cecília ficou imóvel, absorvendo o beijo, confusa, assustada, mas incapaz de se afastar.
No silêncio do quarto, apenas eles dois existiam, o mundo inteiro fora esquecido, e a intensidade do momento deixava claro: nada seria como antes.
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