Capítulo 14 - Confissões

1548 Words
O silêncio caiu sobre o quintal da mansão. A música continuava tocando, mas parecia distante, abafada pelo impacto do tapa que FK desferiu em Juliana. Todos estavam imóveis, olhando para ele, presos entre o choque e o medo. PH deu um passo à frente, tentando conter a situação. — Chefe… calma, respira — disse, a voz firme, mas cautelosa. FK não respondeu de imediato. O corpo dele estava tenso, os punhos cerrados, os olhos cor de mel fixos em Juliana, que se afastava rapidamente, surpresa e assustada. O sorriso provocante dela desaparecera, substituído por um olhar cauteloso, misto de medo e indignação. — Ninguém mais fala. — a voz de FK cortou o ar como navalha. Era baixa, controlada, mas carregada de perigo. Os homens ao redor não ousaram contestar. Eles conheciam a regra: quando FK explodia, o mundo inteiro parava. PH permaneceu próximo, consciente do risco. — Tá feito, chefe. Agora respira… não precisa exagerar — murmurou, tentando diminuir a tensão. FK fechou os olhos por um instante, respirando fundo. O lado calculista tentava reassumir o controle, mas a fúria ainda pulsava em suas veias, quente, intensa, quase palpável. Cada músculo do corpo dele gritava raiva e poder. — Que fique claro — ele disse, abrindo os olhos e fitando todos — ninguém ousa me provocar. O silêncio se manteve absoluto. Apenas o tilintar de copos, o som distante da churrasqueira e o farfalhar da piscina quebravam a quietude. Ele deu alguns passos, se afastando da mesa, ainda tenso, cada movimento carregado de força e presença. PH o seguiu, sem deixar que a raiva se transformasse em algo mais perigoso. FK olhou ao redor, analisando o quintal, os convidados, a festa interrompida. Tudo tinha voltado ao lugar, mas a sombra do que havia acontecido ainda pairava sobre todos. O morro, o poder, o respeito — ele sabia que tudo se sustentava por medo e controle. E aquela noite, mais uma vez, ele mostrara que não havia espaço para erros ou ousadias perto dele. Enquanto isso, no banheiro da mansão, Cecília respirava fundo, tentando se acalmar, sentindo o coração desacelerar. Fora dali, o mundo continuava intenso e perigoso. --- Cecília respirava fundo, tentando acalmar o coração que ainda batia acelerado. — Tá, respira… — murmurou para si mesma. — Só abre a porta e volta para a festa. Ela girou a maçaneta devagar. Mas a porta não se abriu completamente. Um corpo bloqueava a saída. — FK… — sussurrou, surpresa. Ele a empurrou de volta para dentro do banheiro com um gesto firme e rápido. Antes que ela pudesse recuar, sentiu a mão dele trancando a porta. — O que você tá fazendo aqui sozinha? — a voz dele era baixa, perigosa, quase sufocante. — Eu… só… — Cecília engoliu seco. — Só fui me acalmar. Ele avançou um passo, e o olhar cor de mel dele a perfurava. — E tá me evitando? Fugindo de mim? — perguntou, a voz misturando raiva e preocupação. Cecília tentou recuar, mas a parede estava atrás dela. — Eu… Eu só queria… não queria me envolver… — gaguejou. — E depois de tudo, você acha que podia sumir sem dar satisfação? — ele continuou, a raiva evidente em cada palavra. — Você acha que eu fico parado enquanto pessoas ousam me desafiar? — Eu… — respondeu ela, a voz trêmula, assustada. — Eu só… não entendo você! Por que sumiu ? Ele respirou fundo, visivelmente irritado com a própria perda de controle. — Porque precisava… — murmurou. — Precisava me afastar antes de perder o controle com você também. Cecília engoliu seco, tentando organizar os pensamentos. — Mas… e Juliana? Você… — a voz falhou. — Ela não importa! — ele cortou, a intensidade de suas palavras a fazendo recuar. — Só você importa! O corpo dela tremeu. E antes que pudesse reagir, FK a puxou para si e a boca dele encontrou a dela em um beijo que misturava raiva, desejo e confusão. Cecília ficou imóvel, assustada, tentando processar tudo ao mesmo tempo: o medo, a intensidade, a proximidade. Quando ele se afastou, apenas alguns centímetros, ainda com o rosto perto do dela, a respiração dele pesada, FK sussurrou: — Se você acha que pode me ignorar ou me evitar, tá muito enganada. Cecília apenas engoliu seco, o coração acelerado, sabendo que aquela noite mudaria tudo entre eles. --- Cecília respirava fundo, ainda tremendo do beijo e da tensão dentro do banheiro. — Vamos sair daqui. — disse FK, a voz firme e baixa, deixando claro que ele tomava o controle da situação. Ela assentiu, sem coragem de argumentar. Ele abriu a porta devagar, conferindo o corredor. A festa continuava lá fora, barulhenta, distraída. — Vem comigo. — murmurou, e ela apenas concordou, seguindo-o. O caminho pelo corredor da mansão parecia interminável para Cecília, cada passo aumentando o nervosismo. Quando chegaram ao quarto de FK, ele fechou a porta atrás deles, silenciosamente. O ambiente era sombrio, organizado, frio, refletindo exatamente a personalidade dele. A luz da lua entrava pelas janelas altas, iluminando parcialmente o espaço. — Por que me trouxe pra cá? — ela perguntou, a voz trêmula. — Pra gente falar. — respondeu FK, cruzando os braços, o olhar intenso a perfurando. — Não dá pra conversar lá fora com todo mundo olhando e comentando. Cecília engoliu seco. — Sobre o que? — indagou, tentando manter a calma. — Sobre você… — disse ele, aproximando-se, sem tocar, apenas a presença sufocante dominando o ambiente. — Sobre como você some, sobre como não posso simplesmente… ignorar. — Eu não quero… — começou ela, hesitante — Eu só queria que você… — a frase morreu na garganta. Ele deu um passo mais próximo. — Que eu me afaste? — completou por ela, com uma ponta de raiva controlada. — Isso não vai acontecer, Cecília. Eu não consigo te tirar da minha cabeça. Ela engoliu em seco, sentindo o coração disparar. — Mas você… sumiu essa semana inteira. Eu pensei que… — começou, mas ele a interrompeu. — Eu precisei me afastar. Pra não perder o controle. — FK respondeu, a voz baixa, mas carregada de intensidade. — Mas não me engano… eu só penso em você. Só. Cecília sentiu um frio na espinha, a mistura de medo e fascínio a deixando quase paralisada. Ele se aproximou novamente, tão perto que o cheiro dele a envolveu, a presença esmagadora dominando cada sentido. — E não vai ser fácil me evitar, Cecília. — murmurou. Ela apenas engoliu seco, olhando para ele, sem palavras, sabendo que aquele quarto, aquele instante, tinha mudado tudo. O silêncio caiu entre os dois, pesado e carregado de tensão, enquanto ambos tentavam organizar pensamentos e sentimentos que ninguém ali fora capaz de compreender. --- O quarto estava silencioso, exceto pelo som distante da festa, abafado pelas paredes espessas da mansão. Cecília permaneceu perto da porta, os braços cruzados, tentando se manter firme, mas o coração disparado denunciava seu nervosismo. FK permaneceu no centro do quarto, imóvel, os olhos cor de mel fixos nela. — Eu não sou… normal. — começou ele, a voz baixa, quase um sussurro, mas carregada de intensidade. — Não sou como os outros. Não sei lidar com sentimentos. Não sei demonstrar. Cecília engoliu seco. — Eu sei… mas você… — tentou começar, mas não sabia como continuar. — Eu falo sério. — FK avançou um passo, a presença esmagadora. — Juliana me irritou, e eu… explodi. Mas você… você me faz perder o controle de uma maneira diferente. — Ele respirou fundo, controlando o impulso de agir por completo. — Eu penso em você o tempo todo. Cada movimento, cada gesto, cada sorriso… não sai da minha cabeça. Cecília sentiu o frio subir pela espinha, uma mistura de medo e fascínio. — Mas você me assusta… — murmurou, a voz trêmula. — Você… agride as pessoas, desaparece… eu não sei quem você é de verdade. FK deu outro passo, diminuindo a distância entre eles, a intensidade do olhar esmagadora. — Eu sou o que o mundo me fez ser. Frio, calculista, implacável. Mas com você… não consigo. Não consigo me controlar, não consigo me afastar. — Ele respirou fundo, o peito pesado, os punhos cerrados. — Você mexe comigo de uma forma que ninguém mais mexeu. Ela desviou o olhar, incapaz de encará-lo completamente. — Então por que me faz sentir medo? — perguntou baixinho. — Porque eu não sei ser diferente. — Ele respondeu, a voz baixa, áspera. — Porque eu não sei ser fraco. — FK respirou fundo, aproximando-se ainda mais, até que a proximidade era sufocante. — Mas você… você é a única que me faz querer ser algo que eu nunca fui. O coração de Cecília disparou, e a mistura de fascínio, medo e desejo a deixou quase paralisada. FK respirou fundo, aproximou o rosto e tocou levemente a testa dela com a dele. — E eu não vou permitir que você desapareça da minha vida. — sussurrou, antes de beijá-la, intenso, profundo, carregado de tudo que ele sentia e não sabia controlar. Cecília ficou imóvel, absorvendo o beijo, confusa, assustada, mas incapaz de se afastar. No silêncio do quarto, apenas eles dois existiam, o mundo inteiro fora esquecido, e a intensidade do momento deixava claro: nada seria como antes. ---
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